Lei antitabaco: Umha experiência como consumidor e cidadam responsável

Pode que nom concordedes com o que vou escrever nesta entrada, mas considero que som uns feitos dignos de serem narrados.

Por fazer um prefácio político basta com dizer que considero que mentres a herdança em política económica-social do PSOE e Zapatero é só a introduçom das acçons desmedidas que tomará a outra faze do bipartidismo espanholista agora no poder, existem algumhas leis promulgadas por esse governo que realmente ficaram como algo positivo na história. Nom direi a lei de matrimónio entre pessoas do mesmo sexo, pois considero que o verdadeiro avanço nas leis de matrimónio será a desapariçom dessa instituiçom. Mas sim é certo que -entre umhas poucas e escolhidas- a Lei Antitabaco foi um decisivo passo adiante e que aportou umha qualidade de vida e saúde a toda a populaçom. Por isso mesmo considero que é a obriga de todos -até das pessoas viciadas com o tabaco- procurar a defesa dessa lei, e obrigar o seu cumprimento. Aconteceram-me com o tempo dous episódios que demonstaram que se nom vigiamos o cumprimento dos nossos direitos com força parte do estamento supostamente adicado a sua protecçom prefire ignorar a lei. Aconteceu-me duas vezes, sempre com umha amiga e companheira que concorda fortemente com esta ideia.

A primeira das vezes aconteceu há um tempo e foi em Ruta, umha discoteca de última hora da Cidade de Compostela. O ano já entrara muito e a lei nom era nova, porém umha grande parte das pessoas no local fumavam ante os olhos do pessoal do bar. Aclaremos, nom era algo pontual como passa em qualquer bar ou pub, e onde as pessoas encarregadas podem despitar entre a quantidade de gente: era evidente, geral e à vista clara. A minha amiga interpelou um dos encarregados sobre o facto, e ante os seus maus modos e as suas respostas desafiantes -ex «no tendrás nada mejor que hacer» «anda cállate«- pediua folha de reclamaçons do local. Este documento tem de estar disponhível sem escepçom sem importar a natureza do local ou as horas nas que se requira. O que procederom forom insultos do encarregado -totalmente demenciais e fora de lugar ante um cliente, mas que demonstrou que para ele era mais que gando que consome- e um convite a marcharmos do local se nom queriamos piores consequências. A reacçom foi a que nos pareceu lógica, chamar a polícia e denunciar os feitos. O que foi menos lógica foi a actuaçom da parelha da polícia espanhola que se deslocaram até o lugar. A grosseiria e desvegonha da agente e o seu companheiro forom insultates, tanto ou mais que o responsável do local. Negaram-se a agir de jeito nenhum, lavrar ata e já nom falamos de entrar no local para constatarem a situaçom. Sequer chamaram umha unidade da polícia local -mais adequada para estas gestons-. Despediram-se com más maneiras, entre burlas e «dando conselhos para que nom tivéssemos problemas». Evidentemente isto enfadou-nos, mas nom nos apiamos e procedimos a denunciar, essa mesma noite, a parelha de agentes da polícia nacional ante as autoridades da polícia local. E a manhá seguinte apresentamos cadansua denúncia pola falta de livro de reclamaçons e pola violaçom da lei antitabaco na oficina de Consumo do Concelho. Neste caso o funcionário de Consumo foi educado, colaborador mas pessimista ante as nossas possibilidades. É certo que passaram já uns meses, mas seguimos teimando nas responsabilidade de todas as partes.

Com estes antecedentes da nossa teimosia nom contava o dono dum estabelecimento corunhês nesta fim de ano. O local é La Gloira, umha teteria na rua de Sam Francisco, na cidade velha. Pouco mais de duas horas passadas do novo ano, e o local quase cheio e com toda -e digo toda agás nós e pouco mais- a clientela a fumar. E desta vez com toda a ajuda do local: borralheiros incluídos. E nom era umha escura discoteca no últimos intres da noite, mas um local com luz, com a presença de camareiro que via até fregueses a liar tabaco sobre o balcom do local. Desta vez fum eu quem cheguei até ele e pedim direitamente o livro de reclamaçon, nom tinha lugar indicar a presença de fumadores que de seguro nom podia ter passado o encarregada. De seguida o dono do local, que de facto era mais um dos fregueses que liava e fumava tabaco no balcom, comeóu a me tentar intimidar e fazer estorso: «me quieres joder el negocio» «tu que ganas con esto» «Yo te entiendo, pero es fin de año y para celebrar dejamos a los clientes que fumem» «Pues no se si tendré las hojas». Informei-lhe que figera por topar as folhas de reclamaçons, que eram de obrigada presença no local. Folheou um pouco entre cartafoles e despediu-me dizendo que nom as tinha e que eu pensara o que fazia. Nom o duvidamos duas vezes: pagamos a consumido, saimos à rua e chamamos à polícia -desta vez de primeiras a local-. Tardarom umha média hora em se deslocar até o lugar -considero isto normal, dada a data e a situaçom das estradas- e mentres nós aturamos os insultos a uns metros do dono. A verdade é que a parelha de polícias neste caso comportou-se perfeitamente: primeiro mediaram co dono que se enrocou e nom quixo dar o livro de reclamaçons, e depois tomaram declaraçom as partes e deixarom constância dos feitos. Elevamos a denúncia por falta de livro de reclamaçons, pois o tema de tabaco era menos «grave» legalmente, ainda que consta na denúncia. Com a cópia desse documento penso ir manhá mesmo até a oficina de consumo da Corunha e apresentar umha denúncia polo tema do tabaco, paralela com a das folhas de reclamaçom.

Eu estou orgulhoso da minha atuaçom e a da minha amiga. Nom tenho a mínima dúvida moral e nom me comove que esses locais -lugares de tabalho de pessoas- podam levam umha sançom bem grande que afete a sua continuidade como negócios. As normativas sobre saúde nos estabelecimentos públicos estám para ser cumpridas, e nom se pode consenter umha desviaçom delas, e menos nalgum tam daninho como o tabaco. Escrevo isto para que vos decatedes que se vós também concordades com os espaços sociais livres do fume de tabaco tedes que fazer um esforço -ainda que seja desagradável, ainda que sofrades coaçons de muitos lados- para denunciardes feitos assim.

Esta entrada está, coma todoas, aberta ao debate. Um saúdo.

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Livro digital, direitos de autor e Hyperion

Sabedes bem que eu sou umha pessoa que devorou durante a adolescência centos de títulos de ciência ficçom, impulsado pola minha tia materna que era umha autêntica fanática do género. Porém um «clássico moderno» que nom lim no seu momento foi a saga de Hyperion. Nom o lim por nenhumha razom em concreto, simplesmente nom caiu nas minhas maos no momento. Durante estas vacaçons de Natal topei umha versom em pastas brandas e saldei a minha conta com o primeiro livro da tetralogia. Confirmei o que muitos dizem: é umha das grandes obras de literatura de ficçom científica, e em geral umha grande homenagem a toda a literatura universal.

Poderia resenhar muitas cousas, mas chamou-me a atençom como Dan Simmons, o autor, retrata o sucesso editorial do poeta Martin Silenus com a sua obra sobre a Terra moribunda.

Quatro meses depois da publicaçom de «A Terra Moribunda» venderam-se  mais de dous mil cincocentos milhons de cópias impressa por fax, e podia-se aceder a umha versom abreviada e digitalizada na esfera de dados Entidade Visual e já tinha um contrato para um holofilme.

Lembremos que Simmons publicou Hyperion em 1989, e o que me surpreendeu é que daquela já amossou mais olho para o futuro editorial que os gerentes das editoras na nossa época digital. Também é justo dizer que Simmons, a pesar de criar um universo onde a Rede de Mundos une a centos de milheiros de milhons de pessoas com portais farcasters e onde as redes de dados som universais e o pessoal prefire aninhar nos braços digitas das IAs nom foi quem de desfazer da ideia de livro físico e assim falava de «milhons de cópias impressas por fax»

A editora do poeta é cínica até depois desse sucesso editorial, e informa-lhe que nom pode aguardar um êxito igual com os seus seguintes livros: A meirande parte da populaçom mundial acede directamente aos dados «sem ler».

Martin, Martin, Martin, a populaçom de gente alfabetizada diminuiu constantemente desde os tempos de Gutenberg. No século vinte, menos do dous por cento da populaçom das chamadas democracias industrializadas lia um livro cada ano. E isso foi antes das máquinas inteligentes, das esferas de dados, e dos âmbitos de interfaze direita. Durante a Hégira, o noventa e oito por cento da populaçom da Hegemonia nom tinha razons para lerem nada. Assim que nom se molestavam em aprender. Hoje é pior. Há mais de cem mil milhonsde seres humanos na Rede de Mundos e menos do um por cento molesta-se em pedir cópias fax de material impresso, e muito menos em ler um livro.

Claro que no mundo de Simmons a transmissom de informaçom digital está completamente desligada do feito de ler, processo que no nosso mundo nom foi ainda completado. Mas também dai umha ideia da acertada prognose da novela. Para rematar o poeta está entristecido polas baixas vendas da sua novela, e pergunta à editora se as Inteligências Artificiais autoconscientes que conformam o TecnoNúcleo e que governam benevolamente a Hegemonia nom estavam interessadas. Ela espeta umha resposta que os editores do mundo real teriam que começar a entender:

-Nom puiemos vender exemplares ao TecnoNúcleo?
-Fixemo-lo -Informou Tyrena- Um. Os milhons de IAs que há lá cecais compartiram o livro em tempo real quando saiu por ultralinea. Os direitos de autor interestelares nom significam nada quando tratas com inteligências de silício.

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A luta das palavras: O passo atrás de Ana Mato

Só queria fixar umhas reflexons sobre o deslize intencionado da nova Ministra Ana Mato onde qualificava o último -mas por desgraça nom derradeiro- assassinato dumha mulher pola sua parelha como «violência na esfera doméstica» (violencia en el ámbito doméstico no castelhano original) em troques da expressom empregada até o de agora polas autoridades: violência de gênero, violência machista, violência sexista.

Ainda que para alguns os matizes importantes entre ambas denominaçons som bem conhecidos -assim como a teórica de género feminista que denunciou desde o começo a cística origem social dessa violência- umha boa parte da sociedade ignora-os e trata como sinónimo. E depois está a minoria com poder da senhora Mato e os adlateres na ultradireita e no Opus Dei que, sendo conscientes da semántica, empregam umha denominaçom sobre a outra com terríveis intereses últimos. Nós sabemos que a violência machista é exercida sobre as mulheres polo feito de elas serem mulheres. Polo lugar desigual -inferior- que a organizaçom social patriarcal tem asignado para elas: inferior poder, inferior capacidade económica, inferiores direitos, inferiores possibilidades para acadar autonomia pessoal sem dependerem doutras pessoas. As mulheres som sitas num plano de poder inferior ergo som vítimas preferidas para a violência. E como ninguém, por mui machucado que esteja quer ficar em desigualdade a violência que procura «lembrar à mulher o seu lugar» é preceptiva para a supervivência dessa organizaçom social. Mas todo isto já o sabemos, nom?

O que fica claro é que os termos «violência machista» e similares marcam a origem, a causa injustificável da violência. Informam à sociedade de que nom há desculpa possíbel em cada assassinato, e que estes crimes nom som isolados pois partilham umha mesma origem nessa semente de desigualdade. Por isso a declaraçom de Pequim de 1995 consagrau essa denominaçom num senso amplo que cingue toda violência que sofre a mulher por ser mulher (isso inclui, p.e. as violaçons sexuais de todo tipo). Desta denominaçom abrangente esqueceu no seu momento a Lei Integral contra a Violência de Género de 2004, que ficou na violência no contexto «afectivo» -umha definiçom de de afectividade retorta, como mínimo-.

Estas som liçons que nom ensina ainda a nossa sociedade com normalidade, e assim muitos tivemos que aprender que -ainda que condenáveis e perseguíveis- as violências entre pessoas cercanas ou com relaçons afectivas nom têm a mesma origem estrutural e nom podem ser classificadas igual que a violência contra as mulheres. Fazer isso leva a empregarmos ferramentas de luta contra estes fenômenos que nom estám otimizadas. A violência – e a violência sexual- contra as crianças está engendrada por outra supeditaçom -a da semente sob o paterfamilias- e ainda que se pode cruzar com a sexista tem umhas motivaçons diferentes. A violência entre parelhas do mesmo sexo pode estar alimentada por uns roles de desigualdade entre os indivíduos, mas nom estam refrendados por umha desigualdade sistémica.

Os termos «violência na esfera familiar» ou «conjugal» ou «doméstica» nom som termos abrangentes como querem vender alguns think-tank conservadores (e sim, acreditem: há quem diz que som melhores porque incluim a «homens maltratados» e «parelhas do mesmo sexo») realmente som termos que procuram ocultar a origem última do problema. Ademais, convertem em absolutas umhas circunstâncias que nom sempre acontecem no cenário da violência: nem sempre é umha família -esse étimo tam amado pola direita como peça imaculada e articuladora da sua ficçom social- nem som conjugues nem há um fogar para que seja doméstica.

Podemos agradecer que polo de agora a ministra nom decidiu empregar o velho idioma de «violência passional». Ainda está no estadio nominal da ocultaçom, da reduçom, pronto chegará esse o da justificaçom e o de «algo faria», «cada parelha é um mundo», «ela sempre o fazia saltar». É por isso, polo conhecimento prévio dos difíciles passos que levarom até o reconhecimento -polo que vemos frágil- da teoria de género polo que essas palavras de Ana Mato saltarom todos os alarmes. Sabemos cara onda leva esse caminho, cara onde quer retraçar. Assim a escolha das palavras nom é inocente, é fundamental polas ideias que as animam e que se percebem trás delas. Com essas palavras nomeamos a realidade e explicar a problemática às pessoas que ainda nom estam formadas. Trás da denominaçom de violência de género há toda umha liçom para ensinarmos e aprendermos. Trás das denominaçons de Ana Mato, se calhar está a liçom doutra Ana -esta Botella- que a nova presidenta da câmara municipal de Madrid escrevia há uns anos no prólogo dum livro infantil:

«La Cenicienta es un ejemplo para nuestra vida por los valores que representa. Recibe los malos tratos sin rechistar, busca consuelo en el recuerdo de su madre.»

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Galego de Valladolid para o último anúncio do Ministério de Sanidade

Eu como neofalante tive que aprender boa parte da ortofonia  da nossa língua. Muitos som os vícios que o espanhol fixa na nossa fala e que temos que eliminar com esforço: uso de cinco vogais em troques das sete da variante galega da nossa língua, problemas com o fonema nasal-velar em «unha» e no final das palavras, acentuaçm diferente em sílabas diferentes em palavras homógrafas com o espanhol, etc. Alguns desses castelhanismos incluso estám fixados no padrom galego-espanhol oficialista que nos isola das variedades internacionais da língua. Porém há muitos traços desse «galego falado à maneira do espanhol» que todos podemos reconhecer sem importar a nossa escolha ortográfica e de paradigma: «míssil/misil» leva a força no primeiro i. Assim resulta engraçado escutar um espanho-falante ler um texto galego, em quaquer normativa. E o risível aumenta quando eles pronunciam «Coelo/Coel’o» por «Coelho».

Por todo o anterior, qualquer pessoa fluente em galego que escute este anúncio do Ministério de Sanidade espanhol só pode rir, e depois perguntar quanto deve ser o respeito do Governo de Espanha cara a nossa língua (Que segundo a sua Constituiçom também devem eles defender) quando deixam que algo assim suceda:

Topou o anúncio o senhor Modesto.

Coda: Pergunto-me se as versons em catalam ou euscara teram fonética incorrecta. Ou como reagiria a populaçom ante umha impossível locutagem do texto em espanhol como se o lesse um falante de francês.

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Unweighted Midpoint Hypothesis

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Rajoy o e mapa da Galiza

Já é notícia no time line do twitter em galego, e expande-se com rapidez. Juvman reparou no curioso mapa que escolheram os publicistas de Mariano Rajoy -candidato do Partido Popular à presidência do Estado Espanhol, nado circunstancialmente em Compostela- para ilustrar um vídeo promocional [min 0:42]:

Por se nom reparam bem, olhem a captura de ecram tirada por zezinho:

E comparem agora com o mapa da Galiza criado desde os movimentos soberanistas, e que inclui os terrotórios irredentos do país, fora da divissom arbitrária da administraçom espanhola:

E agora comecem a rir.

Actualizaçom: Nós-UP já tirou comunicado de a «agradecimento».

Actualizaçom 23-09-2011: Os responsáveis da conta em youtube do PP eliminaram o vídeo. Como se algo pudesse ser eliminado de internet, coitados. Cá têm umha das múltiples opçons para o visualizar.
Diversos jornais espanhóis falam do tema: Público El Pais

Actualizaçom: Os encarregados da conta de Youtube do pape, após eliminar ontem o vídeo, subiram umha nova versom com um mapa menos «polémico». Também mais mudo, notam-se as presas.

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Homeopatia: Umha compilaçom de argumentos contra o calote

Já som muitas as ocasions nas que tenho de argumentar contra a propagaçom do calote pseudocientífico da homeopatia. Com o tempo tenho delinhado uns idéias e respostas básicas para informar à gente sobre ela, assim que decidim fixar num documento simples (duas páginas a duas colunas) que recolhe os detalhes mais singelos de perceber. É a combinaçom dalguns FAQs, argumentos ceptístas clássicos e algo da minha própria colheita. Podedes descarregar aquí se queres. Colo aquí o texto para consulta rápida:

A homeopatia é uma pseudociência de medicina alternativa usada como tratamento para uma série de doenças e enfermidades, incluindo, e não só, artrite, asma, depressão, eczema, diarréia, dores de cabeça, insônia e dor de dentes.

A enorme indústria homeopática e grupos alternativos críticos coa industria farmacêutica defendem os seus produtos como seguros, naturais e holísticos, mas a evidência científica mostra que a homeopatia age apenas como um placebo e não há nenhuma explicação científica de como poderia trabalhar de outra maneira.

Os princípios homeopáticos

A homeopatia baseia-se em duas crenças: (1)Semelhante cura semelhante, e (2)A menor dose, cura mais potente. Primeiro, os homeopatas escolhem uma substância que provoca os mesmos sintomas que a doença que pretendem tratar. Por exemplo: O nariz pingado e olhos lacrimejantes de um resfriado podem ser recriados por inalação de vapores de cebola, então o suco de cebola pode ser a base duma preparação homeopática.

Segundo, a substância escolhida é repetidamente diluída e abalada (também chamada sucussão). Isto é suposto para reduzir o potencial de causar danos, e também torná-la mais eficaz.

Os princípios sob a luz da Ciência

Semelhante cura semelhante

É um princípio que não tem explicação possível. O princípio “Semelhante cura semelhante” afirma que só têm de coincidir os sintomas da enfermidade e o tratamento, sem importar a condição ou patógeno subjacente que os cria. Alguns homeopatas dizem que age como um vacina, mas isto não é certo pois as vacinas agem preparando o sistema imunológico para reconhecer umh doença em particular com uma versão segura do patógeno (um vírus debilitado, por exemplo). A teoria da homeopatia não coincide com como o corpo funciona e todo o que já sabemos sobre o metabolismo, as bactérias e vírus e a origem das enfermidades. Ademais, resulta contraditória, p.e., uma dor de cabeça pode ser sintoma de stress ou dum cancro cerebral, e evidentemente os tratamentos requeridos som mui diferentes.

Dose mínima

As preparações homeopáticas têm sido diluídas até o extremo de que a maior parte não contem uma soa molécula do ingrediente activo. Por exemplo, uma dissolução normal 30C significa que uma pinga do princípio activo foi diluída em 100 pingas de água, depois uma pinga da dissolução resultante foi diluída em outras 100 pingas de água, tomada outra pinga desta nova dissolução e repetido o processo 30 vezes. A possibilidade de que um preparado homeopático 30C contenha uma molécula do ingrediente activo original é menor que a de ganhar a lotaria… todos os dias… cinco semanas seguidas.

A homeopatia e a sua época

Os princípios básicos da homeopatia som pois contrários a todo o que hoje sabemos sobre a origem das enfermidades (bactérias, vírus, metabolismo…) e a constituição da matéria (átomos, moléculas…). No momento da criação desta prática no século XIX o seu fundador Samuel Hahnemann (1755 – 1843) não conhecia nenhum desses descobrimentos científicos e a sua intenção era obter uma alternativa à prática médica da época -sangraduras para “equilibrar” os humores- que não fosse invasiva.

Embora as suas intenções foram boas o progresso do conhecimento científico desbotou as suas teorias, igual que fixo com muitas outras no processo de configurar o que hoje conhecemos como Medicina Científica. As afirmações que constituem a base da homeopatia -e que não mudaram em 200 anos- som erradas agora que conhecemos muito melhor o comportamento do nosso corpo e das enfermidades.

Porém os homeopatas que ainda seguem as ideias de Hahnemann acreditam que a água “lembra” o ingrediente activo na sua estrutura. Basta dizer que se isso fosse certo a água lembraria também as propriedades das substâncias que foram diluídas nelas no longo do tempo, como os desperdícios orgânicos de animais e pessoas, as plantas e bactérias ou peixes mortos nela ou até qualquer substância tóxica que alguma vez fora vertida numa massa de água. Até lembraria o tubo de ensaio -e todas as suas impurezas- nas que o preparado homeopático foi feito!

As evidências

Ao longo destes anos cerca de 150 testes clínicos* têm falido ao tentarem demonstrar que a homeopatia funciona dalgum jeito. Alguns estudos de pequena escala têm indicado pequenas resultados positivos, mas foram realizados com metodologia pobre ou sem contar com efeitos aleatórios. Quando pomos todas as evidências juntas e em contexto demonstra-se que a homeopatia não é mais que um placebo.

Que é um Teste clínico?

Um estudo recentemente publicado na revista The Lancet comparou 110 testes homeopáticos com 110 da chamada “medicina convencional”. Os autores descobriram que quanto mais estritas e rigorosas era a prática científica da investigação maior era a evidência de que a medicina convencional funcionava e a homeopática não funcionava em absoluto. Em resumo: quanto melhor é a investigação menos efectiva parece a homeopatia.

Realmente poderíamos dizer que todas as pílulas som efectivas: até as pílulas de açúcar podem fazer que gente enferma sinta uma melhoria. Mas que se sintam melhor não quer dizer que a enfermidade desaparecesse realmente, e os doutores precisam então um método para distinguirem entre placebos e verdadeiros medicamentos.

O procedimento aceitado por todos os cientistas é o chamado “estudo aleatório de duplo cego”: Voluntários que sofram da mesma doença som separados em vários grupos (quanto maior seja o número de pessoas menos relevantes som as suas peculiaridades). Um deles é tratado com o medicamento a provar, outro com um produto inócuo e o terceiro é mantido como referência e não é tratado. O estudo chama-se de duplo cego porque nem os enfermos nem os doutores que os tratam sabem em que grupo está cada indivíduo.

Todas as medicinas reais têm de passar este tipo de testes para demonstrarem que som seguras, e que produzem mais efeito que um placebo.

Porque a Homeopatia parece funcionar?

As pessoas empregam homeopatia porque acreditam em que funciona. Ainda que a homeopatia como outros placebos não funciona no sentido clínico, pode induzir melhoras psicológicas e algumas fisiológicas. E as vezes simplesmente a sua administração como “recurso alternativo” coincide com a toma dum medicamento que realmente funciona, ou com o processo natural de melhora.

O efeito placebo

A consciência de que um está a receber um tratamento para a sua doença acostuma tranquilizar os enfermos. É conhecido que a redução do nível de stress psicológico acelera a recuperação de feridas e enfermidades víricas (potenciando a resposta imune) e reduz a pressão sanguínea. Assim que até se o tratamento é inerte, pode ter efeitos reais no corpo.

Nessa redução do stress também influi o “procedimento diagnóstico” dos homeopatas: não têm que investigar realmente que enfermidade provoca os sintomas -só determinar estes- e assim podem dedicar mais tempo a um “tratamento pessoal com o paciente” que fica mais tranquilo.

As respostas condicionadas também som importantes. Experiências passadas de tratamento podem estimular o sistema imune para que actue mais rápido quando se administra um novo tratamento (incluso um placebo). Com todo, fora da redução do stress do paciente o efeito placebo é mui débil em termos de:

  • Reprodutibilidade:
    Ao depender da sensação psicológica do paciente de respostas imunes secundárias o efeito placebo acontece só as vezes, ainda nas mesmas condições. Estudos com enfermos de dor crónica amossam que um placebo pode substituir a morfina habitual, sempre que antes se começara com o tratamento de morfina, e que a eficácia do placebo diminui com o tempo se não se reforça com analgésicos reais.

  • Potência:

    O efeito placebo só é efectivo com doenças menores.Pode ajudar com a dor, fatiga, enjoamento e cousas assim, mas não pode combater ossos rotos, enfermidades infecciosas ou cancros. Noutras palavras, pode atenuar os sintomas da enfermidade, mas não a enfermidade em si.

Existe um “poderoso efeito placebo”?

Alguns informes sobre tratamentos homeopáticos que curam doenças relativamente sérias som às vezes atribuídos a um “poderoso efeito placebo”. Mas existem muitas outras explicações mais plausíveis e lógicas que teriam que ser desbotadas antes de considerar isso uma recuperação homeopática.

As vezes a administração dum tratamento homeopático coincide com a recuperação do/a paciente, mas não quer dizer que esteja ligada: é uma falácia supor que dois eventos que ocorram em sequência cronológica estão necessariamente interligados através de uma relação de causa e efeito. Muitos outros factores podem ser os causantes:

  • Progresso natural de recuperação:

    Menos em doenças fatais a capacidade de recuperação do corpo humano é fascinante e muitas vezes é quem de se sobrepor os males se se lhe permite tempo e um estado de repouso (como andaços de gripe).

  • Sintomas flutuantes:

    Muitas enfermidades crónicas -como a artrite ou a fatiga crónica- variam a intensidade dos sintomas com o tempo, as pessoas doentes procuram ajuda e tratamento –e alternativas como a homeopatia- quando a dor é maior, e quando esta diminui de forma natural isto é percebido como uma melhora e ligado com a “medicina” administrada.

  • Doenças que remetem:

    Algumas condições consideradas como enfermidades e habitualmente tratadas com medicamentos homeopáticos – acne, depressão ligeira, problemas respiratórios nocturnos, icterícia infantil- som situações temporais dependentes de factores cronológicos (como o nível hormonal do acne ou a função do fígado nas crianças) que desapareceram independentemente do tratamento seguido. Como as pessoas doentes acostumam empregar as alternativas homeopáticas depois de provarem tratamentos mais “tradicionais” o consumo de remédios homeopáticos coincide com a retirada natural da enfermidade.

Homeopatia em animais e crianças

Homeopatas afirmam que a homeopatia funciona para animais e crianças, que não poderia ser explicado. Embora muitas dessas supostas melhoras nessas criaturas sem psicologia complexa podem ser explicadas pelos fenómenos do ponto ponto anterior, também podemos indicar que as provas homeopáticas publicadas sob esses indivíduos não som supervisionadas por pessoal veterinário ou pediatra especialistas, e têm então um forte enviesado. Aliás as provas que sim foram supervisionadas por pessoal qualificado demonstraram ser tão falidas como as da homeopatia em pessoas adultas.

E lícito receitar placebos?

A única eficácia da homeopatia é como placebo. Há quem argui que os placebos fazem“sentir melhor” a gente, e que isso poderia ser uma razão para os administrar. Mas som muitas mais os argumentos na sua contra (menos poucos casos): A ética médica obriga a uma relação de confiança e honestidade entre o pessoa tratada e o pessoal médico. Para administrar o placebo é necessário mentir ou não informar à pessoa enferma sobre o tratamento, o que não é ético. Também administrar placebos homeopáticos, que só atenuam alguns sintomas, pode instruir à população em que estes som efectivos, e que fiquem sem tratar as enfermidades reais que os causam. Por último os tratamentos médicos eficazes já som reforçados pelo efeito placebo, mais a sua própria função terapêutica, assim que não existe razão para administrar tratamento sem eficácia real.

Alternativa à indústria farmacêutica?

Por último, muitas pessoas afirmam que o consumo de homeopatia é uma maneira de lutarem contra o predomínio do sistema farmacêutico mundial. Porem os próprios tratamentos homeopáticos som fabricados por um gigante industrial quase monopolístico: A Farmacêutica Homeopática Boiron.

Esta empresa fundada em 1932 não só fabrica os medicamentos, aliás é a responsável da maioria das campanhas de publicidade pro-homeopatia, dirige ou patrocina quase todos os “centros de estudos” que titulam os homeopatas e actua como um poderoso lobby. Tem vantagens estratégicas sobre outras farmacêutica “tradicionais” pois não tem que inverter absolutamente nada em investigação científica real, na procura de substâncias que realmente curem. E tampouco na síntese de caros princípios activos, pois os seus preparados som constituídos na sua totalidade por água, açúcar e alguns agregantes.

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«Eforrar»

Depois de ver, no blogue de Carlos Callón, a desfeita pronominal dos socialistas de Vigo lembrei que tinha esta outra imagem sem subir no blogue (ainda que já há publiquei em tumblr).

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Carinho…

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