Artigo em Dioivo

Podedes ler a minha terceira colaboraçom com Dioivo nesta ligaçom. O artigo intitúlase A imunidade de grupo em questom e continua com a minha série de colaboraçons sobre pensamento crítico e ciência, parte dos artigos sobre o perigoso movimento anti-vacinas.

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Artigo em Dioivo

Podedes ler a minha segunda colaboraçom com Dioivo nesta ligaçom. O artigo intitúlase Continuando com os movimentos anti-vacinas e continua com a minha série de colaboraçons sobre pensamento crítico e ciência, parte dos artigos sobre o perigoso movimento anti-vacinas.

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Magufismo na Galiza, hoje dous por um : Auriculoterapia e negacionismo da SIDA


Hoje ergui-me com umha nova entrada na magnífica La Lista de la Vergüenza que denúncia as universidades, colégios profissionais e similares que promocionam pseudociências médicas ao mesmo nível que a ciência médica real. Neste caso era um curso de «Auriculoterapia», um calote derivado da acupunctura que afirma a existência de ligaçom entre determinados pontos da orelha com partes do corpo, e que as enfermidades podem ser tratadas aplicando pressom ou punçom sobre as partes equivalentes desse pequeno troço de cartilagem. A justificaçom é que essa parte do corpo «semelha um feto invertido». Como era de esperar o curso enquadra-se no infame mestrado de acupunctura e moxibustom da USC dirigido polo irresponsável Jesus Bernardo Otero Costas com a cumplicidade da Faculdade de Medicina e a própria universidade.

Por sorte nom todo forom más notícias: O jornal Praza Pública fixo durante a manhã umha notícia mui bem redigida sobre as denúncias e o polémico mestrado. Surpreende essa excelente resposta jornalística, conhecendo o panorama acrítico com as pseudociências que existe em muitas publicaçons gerais.

A outra má notícia -neste caso já horrorosa- é que um Centro Social (eles indicam Okupado) de Compostela vai dar voz e espaço a umha das fraudes pseudocientíficas que mais mortos por negligência tem causado na história. Estou a falar de dar espaço e apresentar como um tema apropriado para o debate as posturas dos negacionistas da SIDA. O CSO «A Casa do Vento» vai realizar umha palestra-debate com o autoproclamado experto Manuel Garrido na que defende ideias tam afastadas de todo o conhecimento cientista como que nom existe ligaçom entre o vírus VIH e a SIDA, que o próprio vírus nom existe, que a SIDA nom é umha enfermidade mas um contendor de sintomas com muitas causas, que a SIDA é um projecto criado por umha baralha completa de organismos para outra baralha inteira de objectivos nefandos e toda classe de disparates semelhantes. Recomendo ler a entrada de The Skeptic’s Dictionary que ademais inclui umha excelente bibliografia, assim como todos os descobrimentos e achegas que há décadas eliminarom todas as afirmaçons dos movimentos negacionistas. Isso quando nom foi a própria enfermidade quem rematou com a vida dos staffs das publicaçons negacionistas como as da revista Continiuum.

O que vai acontecer na Casa do Vento nom entra dentro desses debates possíveis com crentes nas pseudociências que algumhas pessoas ceptistas aceitamos por diversom e divulgaçom. Estamos a falar dumha ideologia que é responsável de que pessoas ponham em sério perigo as suas vidas e saúde, expondo-se a contágios -pois a linha que nega a existência do próprio vírus resta importância ao uso do preservativo- ou que deixem de tomar os tratamentos reais conhecidos contra a síndrome. Estamos a falar de ideólogos que têm alimentado os delírios de governantes da África para que desatentam a pandemia nos seus países, fazendo acreditar a populaçom em remédios como dietas, tratamentos «alternativos» e demais irresponsabilidades. Som todas estas pessoas tam cúmplices das mortes da SIDA como os responsáveis da Igreja Católica, e agora as pessoas do Centro Social A Casa do Vento unem-se a essa lista de irresponsáveis.

Addendum: Seguindo o tópico dos HINVEZTIGADORÉ repararam em que os dous eventos magufos som publicitados com cartazes cheios de gralhas? A ver se as dam topado todas.

P.S.: Cá tedes umha recolhida de adesons contra o evento negacionista em Compostela.

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Artigo em Dioivo: Pólio, Ayurveda, vacinas e fatwas

Podedes ler a minha primeira colaboraçom com Dioivo nesta ligaçom. O artigo intitúlase Pólio, Ayurveda, vacinas e fatwas e é a primeira parte numha série sobre pensamento crítico e ciência.

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Garzón podia estar tranquilo

Mentres era julgado polas escutas ilegais na trama Gurtell Baltasar Garzón Real podia estar tranquilo, sabia que ninguém se atreveria a espiar sem umha justificaçom prévia as conversas que mantivesse com a equipa da sua defesa. As pessoas incausadas na própria Gurtell -por mui más e corruptas que fossem- nom tiveram esse luxo.

Baltasar Garzón Real podia estar tranquilo quando preparava a sua defesa, pois sabia com claridade quais eram os cargos polos que estava acusado. As pessoas detidas de maneira «preventiva» por ordem do juiz durante as olimpíadas de Barcelona 92 nom tiverom essa sorte.

Garzón podia estar tranquilo quando começaram a falar dos seus futuros juízos, sabia que ninguém entraria na sua casa com violência e carapucha ocultando a face para aterrar para o prender. As dúzias e dúzias de pessoas bascas, galegas e catalãs perseguidas polo juiz às ordens dos poderes políticos espanhóis nom tiveram essa licença.

Garzón podia estar tranquilo pois sabia que os seus companheiros juízes encarregados de levar adiante o seu juízo trabalhariam com cuidado para construir um caso real, defendível e com provas e acussaçons claras que ele tivesse oportunidade de rebatir. As famílias das vítimas das drogas ilegalmente traficadas polos capos da Operaçom Nécora e outras nom estavam na mesma situaçom, viram como os envenenadores da sociedade marchavam incólumes por erros de manual.

Garzón podia estar tranquilo pola sua família, eles nom sofreriam de maneira desnecessária o processo judicial e penal, fora da dor emocional de ter um familiar acusado. Os milheiros de familiares de pressos políticos bascos e de tantos outros «dispersados» por ordem do juiz tiveram que peregrinar por todo o estado espanhol por estar uns momentos do lado das suas pessoas queridas.

Garzón podia estar tranquilo de facto porque sabia que os seus pés nom tocariam o chão do cárcere, nom sofreria abusos nem privaçom de liberdade durante a duraçom do processo por mui graves que fossem os cargos. Centos de pessoas presas à espera de ser julgados por ele, tam atarefado sempre com tantos casos importantes, apodreceram ser essa oportunidade.

Garzón podia estar tranquilo se por mor dalgumha terrível combinaçom de feitos inimagináveis remata por sofrer violência da policia ou das pessoas encarregadas de o custodiar podia estar seguro de que tanto os seus julgadores como todos os medias espanhóis denunciariam o seu caso. Os centos e centos de pessoas torturadas e maltratadas durante os processo desse mesmo juiz que denunciaram os feitos ante ele forom ignoradas e voltaram às mãos dos sádicos.

Garzón podia estar tranquilo pois os médios de comunicaçom que lhe eram favoráveis, que defendiam a sua inocência e a sua ideologia ante a sociedade. poderiam realizar a sua labor de defesa sem medo a ser fechados sem mais delito que pensar o que pensavam. As redaçons dos jornais bascos fechados sem provas e sem caso polo juiz nom desfrutaram da liberdade de palavra.

Garzón podia estar tranquilo pois as pessoas públicas que confiavam e o apreçavam poderiam exprimir em total liberdade as suas posturas e argumentos, organizar campanhas e mesas de suporte, criar organizaçons a prol da sua liberdade. Um número incontável de grupos, entre eles Gestoras Pro-Amnistia por exemplo, tiveram que calar a boca e desistir dos seus atos.

Garzón hoje já nom está tranquilo, foi condenado a 11 anos de inabilitaçom por só umha pequena parte do mal que fixo.

Hoje nós podemos estar mais tranquilos.

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Lei antitabaco: Umha experiência como consumidor e cidadam responsável

Pode que nom concordedes com o que vou escrever nesta entrada, mas considero que som uns feitos dignos de serem narrados.

Por fazer um prefácio político basta com dizer que considero que mentres a herdança em política económica-social do PSOE e Zapatero é só a introduçom das acçons desmedidas que tomará a outra faze do bipartidismo espanholista agora no poder, existem algumhas leis promulgadas por esse governo que realmente ficaram como algo positivo na história. Nom direi a lei de matrimónio entre pessoas do mesmo sexo, pois considero que o verdadeiro avanço nas leis de matrimónio será a desapariçom dessa instituiçom. Mas sim é certo que -entre umhas poucas e escolhidas- a Lei Antitabaco foi um decisivo passo adiante e que aportou umha qualidade de vida e saúde a toda a populaçom. Por isso mesmo considero que é a obriga de todos -até das pessoas viciadas com o tabaco- procurar a defesa dessa lei, e obrigar o seu cumprimento. Aconteceram-me com o tempo dous episódios que demonstaram que se nom vigiamos o cumprimento dos nossos direitos com força parte do estamento supostamente adicado a sua protecçom prefire ignorar a lei. Aconteceu-me duas vezes, sempre com umha amiga e companheira que concorda fortemente com esta ideia.

A primeira das vezes aconteceu há um tempo e foi em Ruta, umha discoteca de última hora da Cidade de Compostela. O ano já entrara muito e a lei nom era nova, porém umha grande parte das pessoas no local fumavam ante os olhos do pessoal do bar. Aclaremos, nom era algo pontual como passa em qualquer bar ou pub, e onde as pessoas encarregadas podem despitar entre a quantidade de gente: era evidente, geral e à vista clara. A minha amiga interpelou um dos encarregados sobre o facto, e ante os seus maus modos e as suas respostas desafiantes -ex «no tendrás nada mejor que hacer» «anda cállate«- pediua folha de reclamaçons do local. Este documento tem de estar disponhível sem escepçom sem importar a natureza do local ou as horas nas que se requira. O que procederom forom insultos do encarregado -totalmente demenciais e fora de lugar ante um cliente, mas que demonstrou que para ele era mais que gando que consome- e um convite a marcharmos do local se nom queriamos piores consequências. A reacçom foi a que nos pareceu lógica, chamar a polícia e denunciar os feitos. O que foi menos lógica foi a actuaçom da parelha da polícia espanhola que se deslocaram até o lugar. A grosseiria e desvegonha da agente e o seu companheiro forom insultates, tanto ou mais que o responsável do local. Negaram-se a agir de jeito nenhum, lavrar ata e já nom falamos de entrar no local para constatarem a situaçom. Sequer chamaram umha unidade da polícia local -mais adequada para estas gestons-. Despediram-se com más maneiras, entre burlas e «dando conselhos para que nom tivéssemos problemas». Evidentemente isto enfadou-nos, mas nom nos apiamos e procedimos a denunciar, essa mesma noite, a parelha de agentes da polícia nacional ante as autoridades da polícia local. E a manhá seguinte apresentamos cadansua denúncia pola falta de livro de reclamaçons e pola violaçom da lei antitabaco na oficina de Consumo do Concelho. Neste caso o funcionário de Consumo foi educado, colaborador mas pessimista ante as nossas possibilidades. É certo que passaram já uns meses, mas seguimos teimando nas responsabilidade de todas as partes.

Com estes antecedentes da nossa teimosia nom contava o dono dum estabelecimento corunhês nesta fim de ano. O local é La Gloira, umha teteria na rua de Sam Francisco, na cidade velha. Pouco mais de duas horas passadas do novo ano, e o local quase cheio e com toda -e digo toda agás nós e pouco mais- a clientela a fumar. E desta vez com toda a ajuda do local: borralheiros incluídos. E nom era umha escura discoteca no últimos intres da noite, mas um local com luz, com a presença de camareiro que via até fregueses a liar tabaco sobre o balcom do local. Desta vez fum eu quem cheguei até ele e pedim direitamente o livro de reclamaçon, nom tinha lugar indicar a presença de fumadores que de seguro nom podia ter passado o encarregada. De seguida o dono do local, que de facto era mais um dos fregueses que liava e fumava tabaco no balcom, comeóu a me tentar intimidar e fazer estorso: «me quieres joder el negocio» «tu que ganas con esto» «Yo te entiendo, pero es fin de año y para celebrar dejamos a los clientes que fumem» «Pues no se si tendré las hojas». Informei-lhe que figera por topar as folhas de reclamaçons, que eram de obrigada presença no local. Folheou um pouco entre cartafoles e despediu-me dizendo que nom as tinha e que eu pensara o que fazia. Nom o duvidamos duas vezes: pagamos a consumido, saimos à rua e chamamos à polícia -desta vez de primeiras a local-. Tardarom umha média hora em se deslocar até o lugar -considero isto normal, dada a data e a situaçom das estradas- e mentres nós aturamos os insultos a uns metros do dono. A verdade é que a parelha de polícias neste caso comportou-se perfeitamente: primeiro mediaram co dono que se enrocou e nom quixo dar o livro de reclamaçons, e depois tomaram declaraçom as partes e deixarom constância dos feitos. Elevamos a denúncia por falta de livro de reclamaçons, pois o tema de tabaco era menos «grave» legalmente, ainda que consta na denúncia. Com a cópia desse documento penso ir manhá mesmo até a oficina de consumo da Corunha e apresentar umha denúncia polo tema do tabaco, paralela com a das folhas de reclamaçom.

Eu estou orgulhoso da minha atuaçom e a da minha amiga. Nom tenho a mínima dúvida moral e nom me comove que esses locais -lugares de tabalho de pessoas- podam levam umha sançom bem grande que afete a sua continuidade como negócios. As normativas sobre saúde nos estabelecimentos públicos estám para ser cumpridas, e nom se pode consenter umha desviaçom delas, e menos nalgum tam daninho como o tabaco. Escrevo isto para que vos decatedes que se vós também concordades com os espaços sociais livres do fume de tabaco tedes que fazer um esforço -ainda que seja desagradável, ainda que sofrades coaçons de muitos lados- para denunciardes feitos assim.

Esta entrada está, coma todoas, aberta ao debate. Um saúdo.

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Livro digital, direitos de autor e Hyperion

Sabedes bem que eu sou umha pessoa que devorou durante a adolescência centos de títulos de ciência ficçom, impulsado pola minha tia materna que era umha autêntica fanática do género. Porém um «clássico moderno» que nom lim no seu momento foi a saga de Hyperion. Nom o lim por nenhumha razom em concreto, simplesmente nom caiu nas minhas maos no momento. Durante estas vacaçons de Natal topei umha versom em pastas brandas e saldei a minha conta com o primeiro livro da tetralogia. Confirmei o que muitos dizem: é umha das grandes obras de literatura de ficçom científica, e em geral umha grande homenagem a toda a literatura universal.

Poderia resenhar muitas cousas, mas chamou-me a atençom como Dan Simmons, o autor, retrata o sucesso editorial do poeta Martin Silenus com a sua obra sobre a Terra moribunda.

Quatro meses depois da publicaçom de «A Terra Moribunda» venderam-se  mais de dous mil cincocentos milhons de cópias impressa por fax, e podia-se aceder a umha versom abreviada e digitalizada na esfera de dados Entidade Visual e já tinha um contrato para um holofilme.

Lembremos que Simmons publicou Hyperion em 1989, e o que me surpreendeu é que daquela já amossou mais olho para o futuro editorial que os gerentes das editoras na nossa época digital. Também é justo dizer que Simmons, a pesar de criar um universo onde a Rede de Mundos une a centos de milheiros de milhons de pessoas com portais farcasters e onde as redes de dados som universais e o pessoal prefire aninhar nos braços digitas das IAs nom foi quem de desfazer da ideia de livro físico e assim falava de «milhons de cópias impressas por fax»

A editora do poeta é cínica até depois desse sucesso editorial, e informa-lhe que nom pode aguardar um êxito igual com os seus seguintes livros: A meirande parte da populaçom mundial acede directamente aos dados «sem ler».

Martin, Martin, Martin, a populaçom de gente alfabetizada diminuiu constantemente desde os tempos de Gutenberg. No século vinte, menos do dous por cento da populaçom das chamadas democracias industrializadas lia um livro cada ano. E isso foi antes das máquinas inteligentes, das esferas de dados, e dos âmbitos de interfaze direita. Durante a Hégira, o noventa e oito por cento da populaçom da Hegemonia nom tinha razons para lerem nada. Assim que nom se molestavam em aprender. Hoje é pior. Há mais de cem mil milhonsde seres humanos na Rede de Mundos e menos do um por cento molesta-se em pedir cópias fax de material impresso, e muito menos em ler um livro.

Claro que no mundo de Simmons a transmissom de informaçom digital está completamente desligada do feito de ler, processo que no nosso mundo nom foi ainda completado. Mas também dai umha ideia da acertada prognose da novela. Para rematar o poeta está entristecido polas baixas vendas da sua novela, e pergunta à editora se as Inteligências Artificiais autoconscientes que conformam o TecnoNúcleo e que governam benevolamente a Hegemonia nom estavam interessadas. Ela espeta umha resposta que os editores do mundo real teriam que começar a entender:

-Nom puiemos vender exemplares ao TecnoNúcleo?
-Fixemo-lo -Informou Tyrena- Um. Os milhons de IAs que há lá cecais compartiram o livro em tempo real quando saiu por ultralinea. Os direitos de autor interestelares nom significam nada quando tratas com inteligências de silício.

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A luta das palavras: O passo atrás de Ana Mato

Só queria fixar umhas reflexons sobre o deslize intencionado da nova Ministra Ana Mato onde qualificava o último -mas por desgraça nom derradeiro- assassinato dumha mulher pola sua parelha como «violência na esfera doméstica» (violencia en el ámbito doméstico no castelhano original) em troques da expressom empregada até o de agora polas autoridades: violência de gênero, violência machista, violência sexista.

Ainda que para alguns os matizes importantes entre ambas denominaçons som bem conhecidos -assim como a teórica de género feminista que denunciou desde o começo a cística origem social dessa violência- umha boa parte da sociedade ignora-os e trata como sinónimo. E depois está a minoria com poder da senhora Mato e os adlateres na ultradireita e no Opus Dei que, sendo conscientes da semántica, empregam umha denominaçom sobre a outra com terríveis intereses últimos. Nós sabemos que a violência machista é exercida sobre as mulheres polo feito de elas serem mulheres. Polo lugar desigual -inferior- que a organizaçom social patriarcal tem asignado para elas: inferior poder, inferior capacidade económica, inferiores direitos, inferiores possibilidades para acadar autonomia pessoal sem dependerem doutras pessoas. As mulheres som sitas num plano de poder inferior ergo som vítimas preferidas para a violência. E como ninguém, por mui machucado que esteja quer ficar em desigualdade a violência que procura «lembrar à mulher o seu lugar» é preceptiva para a supervivência dessa organizaçom social. Mas todo isto já o sabemos, nom?

O que fica claro é que os termos «violência machista» e similares marcam a origem, a causa injustificável da violência. Informam à sociedade de que nom há desculpa possíbel em cada assassinato, e que estes crimes nom som isolados pois partilham umha mesma origem nessa semente de desigualdade. Por isso a declaraçom de Pequim de 1995 consagrau essa denominaçom num senso amplo que cingue toda violência que sofre a mulher por ser mulher (isso inclui, p.e. as violaçons sexuais de todo tipo). Desta denominaçom abrangente esqueceu no seu momento a Lei Integral contra a Violência de Género de 2004, que ficou na violência no contexto «afectivo» -umha definiçom de de afectividade retorta, como mínimo-.

Estas som liçons que nom ensina ainda a nossa sociedade com normalidade, e assim muitos tivemos que aprender que -ainda que condenáveis e perseguíveis- as violências entre pessoas cercanas ou com relaçons afectivas nom têm a mesma origem estrutural e nom podem ser classificadas igual que a violência contra as mulheres. Fazer isso leva a empregarmos ferramentas de luta contra estes fenômenos que nom estám otimizadas. A violência – e a violência sexual- contra as crianças está engendrada por outra supeditaçom -a da semente sob o paterfamilias- e ainda que se pode cruzar com a sexista tem umhas motivaçons diferentes. A violência entre parelhas do mesmo sexo pode estar alimentada por uns roles de desigualdade entre os indivíduos, mas nom estam refrendados por umha desigualdade sistémica.

Os termos «violência na esfera familiar» ou «conjugal» ou «doméstica» nom som termos abrangentes como querem vender alguns think-tank conservadores (e sim, acreditem: há quem diz que som melhores porque incluim a «homens maltratados» e «parelhas do mesmo sexo») realmente som termos que procuram ocultar a origem última do problema. Ademais, convertem em absolutas umhas circunstâncias que nom sempre acontecem no cenário da violência: nem sempre é umha família -esse étimo tam amado pola direita como peça imaculada e articuladora da sua ficçom social- nem som conjugues nem há um fogar para que seja doméstica.

Podemos agradecer que polo de agora a ministra nom decidiu empregar o velho idioma de «violência passional». Ainda está no estadio nominal da ocultaçom, da reduçom, pronto chegará esse o da justificaçom e o de «algo faria», «cada parelha é um mundo», «ela sempre o fazia saltar». É por isso, polo conhecimento prévio dos difíciles passos que levarom até o reconhecimento -polo que vemos frágil- da teoria de género polo que essas palavras de Ana Mato saltarom todos os alarmes. Sabemos cara onda leva esse caminho, cara onde quer retraçar. Assim a escolha das palavras nom é inocente, é fundamental polas ideias que as animam e que se percebem trás delas. Com essas palavras nomeamos a realidade e explicar a problemática às pessoas que ainda nom estam formadas. Trás da denominaçom de violência de género há toda umha liçom para ensinarmos e aprendermos. Trás das denominaçons de Ana Mato, se calhar está a liçom doutra Ana -esta Botella- que a nova presidenta da câmara municipal de Madrid escrevia há uns anos no prólogo dum livro infantil:

«La Cenicienta es un ejemplo para nuestra vida por los valores que representa. Recibe los malos tratos sin rechistar, busca consuelo en el recuerdo de su madre.»

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Galego de Valladolid para o último anúncio do Ministério de Sanidade

Eu como neofalante tive que aprender boa parte da ortofonia  da nossa língua. Muitos som os vícios que o espanhol fixa na nossa fala e que temos que eliminar com esforço: uso de cinco vogais em troques das sete da variante galega da nossa língua, problemas com o fonema nasal-velar em «unha» e no final das palavras, acentuaçm diferente em sílabas diferentes em palavras homógrafas com o espanhol, etc. Alguns desses castelhanismos incluso estám fixados no padrom galego-espanhol oficialista que nos isola das variedades internacionais da língua. Porém há muitos traços desse «galego falado à maneira do espanhol» que todos podemos reconhecer sem importar a nossa escolha ortográfica e de paradigma: «míssil/misil» leva a força no primeiro i. Assim resulta engraçado escutar um espanho-falante ler um texto galego, em quaquer normativa. E o risível aumenta quando eles pronunciam «Coelo/Coel’o» por «Coelho».

Por todo o anterior, qualquer pessoa fluente em galego que escute este anúncio do Ministério de Sanidade espanhol só pode rir, e depois perguntar quanto deve ser o respeito do Governo de Espanha cara a nossa língua (Que segundo a sua Constituiçom também devem eles defender) quando deixam que algo assim suceda:

Topou o anúncio o senhor Modesto.

Coda: Pergunto-me se as versons em catalam ou euscara teram fonética incorrecta. Ou como reagiria a populaçom ante umha impossível locutagem do texto em espanhol como se o lesse um falante de francês.

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Unweighted Midpoint Hypothesis

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