Histórias Terríveis I (Niels Henrik Abel)
15 November 2006Todo o anterior causa que o cidadam meio tenha na mente umha mui reducida escolha de datos biográficos dos poucos cientistas que som figuras já populares: Einstein, Newton, Arquímides.... E ainda assim é muito mais provável que poida aportar informaçom sobre a vida (e desgraças) de Lorca que de Einstein. Isto nom tem porque ser mau, como já dixem a obra do investigador sempre é mais importante que as condiçons ou o transfondo no que foi criada. Os estudantes de ciências nom precissam conhecer muitos datos da biografia de Gauss para saber que foi um homem escepcional, cecais a maior das mente humanas que existirom e existirám, a magnitude, a qualidade e a universalidade da sua obra falam por ele mais que o que qualquer dato biográfico. Isto vale para alguem que poida entender ou alomenos ter umha panorâmica da obra de Gauss, porém para o homem da rua o nome de Gauss pode ser so um pequeno recordo da sua ensinanza secundaria, mais seguro que muitos poderiam dar algum dato suprendente de por ejemplo Mozart, afirmando que aos cinco anos já componhia pequenos minuetos... poucos sabem que Gauss corrigia erros nas contas do seu pai com três anos, ou que com 14 anos já escrevera um dos principais teoremas das Matemáticas.
Todo isto vem porque o outro dia estava lendo umha biografia do norueguês Niels Henrik Abel, um dos matemáticos mais grandes do século XIX. Os seus achádegos criarom a geometria e a analise matemática moderna, e qualquer matemático ou físico está familiarizado coa sua obra em teoria de números. Abel nasceu em Noruega na ilha de Fino, perto de Stavanger. Filho dum pastor rural numha casa que já dera outros seis pequenos. A teima da sua nai levou ao neno a assistir a escola local, a muitos kilómetros da sua casa. Um dos seus professores reparou no seu talento para as matemáticas e deu o pulo deifinitivo à sua carreira, proporcionou-lhe as obras de Newton, Lagrange e Euler e o rapaz leu-nas e comprendeu-nas aos 16. O seu pai morreu dous anos depois, e só a ajuda de vizinhos e amigos salvou a vida à familia, e a generosidade da vila e de um dos seus professores da escola, o senhor Holmboe, permitiu que Abel entrara na Universidade de Oslo em 1821. Em 1823 já publicava as suas investigaçons, entre elas primeira soluçom do problema da tautocrona e outro sobre insolubilidade da equaçom geral de quinto grao polo método dos radicales. Este último trabalho de Abel era a resoluçom a um problema de quase 300 anos, pero os problemas económicos da Universidade de Oslo obrigarom ao matemático a pagar do seu peto a publicaçom do trabalho.
Abel decatara-se cedo de que a Noruega do século XIX quedara pequena para o seu talento matemático e coa ajuda de amigos e professores da universidade conseguiu umha bolsa estatal para umha viagem às principais universidades europeias. E vai um século e meio o tema de solicitar bolsas estava tam complicado como agora, ou mais. Mais ao final Abel partiu de Noruega caminha a Berlim, a sua primeira para. Alí tivo a sorte fazer amizade com August Leopold Crelle, um matemático novo cheo de entusiasmo. Como ele fundaria o Journal für die Reine und Angewandte Mathematik
a primeira publicaçom do mundo completamente adicada às matemáticas. A chegada a Berlim (e o contacto coas tendências matemáticas eurpeias) seria um choque para qualquer cientista norueguês, educado na tradiçom clássica das matemáticas do século XVIII, mais Abal tardou bem pouco tempo em recolher os trabalhos de Cauchy e a filosofia de Gauss e adaptar todo o seu génio ao novo sistema, mais estrito coas demonstraçons formais. Boa prova dessa rápida adaptaçom é o seu trabalho sobre a serie do binómio. Tam influenciado estava pola corrente de pensamento de Gauss que enviou umha cópia do seu trabalho sobre a equaçom de quinta orde, mais a mala sorte comezou a trabalhar contra Abel: O génio matemático de Göttingen transpapelou a carta e nom chegou a le-la, topou-se trinta anos depois entre os seus papeis, se chegar a romper o selo.
Apenado pola falta de resposta de Gauss o norueguês marchou à França, en contra das recomendaçons de Crelle. Abandonou a Alemanha justo quando o círculo matemático berlinês comezava a estudar o seu trabalho e a marevilhar-se da sua genialidade. Em París falou com figuras como Cauchy ou Legendre, mais nom chegaram até alí as novas sobre os seus trabalhos na Alemanha e em Noruega e certo medo de Abel a fazer o ridiculo diante tam importantes matemáticos cortou-lhe à hora de amosar-lhes os seus decubrimentos. A influência do seu bom amigo Crelle ofrece-lhe umha praça de docente para complementar a bolsa, mais Abel prefire centrar-se na sua obra mestra: Mémoire sur une Propriété Général d'une Classe Très Etendue des Fonctions Transcendantes. Mandou o manuscrito à Academia da França, quando os seus fondos estavam a piques de esgotar-se. Pero um último golpe de mala sorte, melhor dous, rematou por decidir o seu destino: A Academia encarregou o trabalho de revisar o livro a Cauchy e a Legendre. O primeiro transpapelou os papeis, nom se sabe bem como, e nom reaparecerom até 1841, mentres que Legrende sufriu um pequeno accidente de carro os papeis botarom-se a perder baixo a chuva. Cada um dos matemáticos pensou que o seu colega tinha a copia bem guardada e como nom era preciso que os dous emitiram juiço (e estavam mui ocupados) nom se molestarom em recupera-las. Abel, quase arruinado, aceptou de novo a hospitalidade de Crelle em Berlim e passou esse inverno aló. A mala alimentaçom em Paris e o tempo berlinês propiciarom a tuberculose.
Nom puido aturar mais e regresou a Noruega, onde tinha espranças de ingresar na Universidade de Oslo, pero outra vez a pouca comunicaçom jogou na sua contra: Os seus trabalhos no continente nom chegaram ao Norte e tivo que subsistir dando aulas privadas e com ajuda dos seus antigos professores entrou como interino. Pero nom por isso deixou a sua mente de trabalha, centrou-se no campo das integrais elípticas e revolucionou a analise matemática nesse eido. Isolado da Europa desconhecia que os seus trabalhos já eram clássicos e que o seu novo já era comparado co de Gauss e Cauchy. Perto do vrao de 1829 Abel finava pola tuberculose da que enfermara nas suas viagens, poucos dias depois chegava a sua humilda casa cartas de Crelle e comunicaçons das principais universidades do mundo: París, Berlim, Göttingem... todas tinham umha praça para ele. Pero era tarde.
O proxima dia falarei de Galois, que é mais trágico...
chuzame -
November 15th, 2006 at 3:52 pm
Moi tráxico, abofé. Non sei se poderei ler a historia de Galois sen chorar.
Pagou a pena ainda que fora longo.
November 9th, 2007 at 11:47 pm
natural