Pseudociência em Santiago com publicidade da TVG (e El Correo… )

Estes dias estudo coa TV ligada, normalmente a TVG (+1 ponto de galeguidade cada dia), concentrome muito nos apontamentos assim que um pouco de ruido/informaçom de fondo nom me amola. E hoje, contra as duas e quarto vexo isto*.

Olho a cada palavra: Terapia, tratamento, “umha técnica que consite em atender enfermidades…”, técnica ancestral… Podo entender que um media privado e coa triste qualidade de El Correo Gallego faga publicidade a um fraude assim, mas umha canle pública como A Galega… vergonha. Mas antes de criticar a falta profissionalidade dos redactores dessa nova falemos de que é a “facioterapia” e a reflexologia em geral,

Os practicantes da reflexologia afirmam que a sua é umha técnica milenária – dependendo do experto consultado as suas origenes podem estar nos chineses, egipcios, incas… e num abano que vai desde os 2000 anos e os 5000- que emprega as “canles de energia” que comunicam os órganos e partes do corpo para curar enfermidades e diminuir a dor. Segundo o seu paradigma estas estam representadas em algumha parte da superficie, que pode ser o pé, a faciana ou a íris, e que agindo sobre elas -com pressom, vazio, calor, frio, luz … – um pode manipular a energia e “curar” as enfermidades. Imos fazer umha lista clara coas afirmaçons dos versados:

0.- A reflexologia -em todas as suas formas- é umha práctica milenária herdadas da cultura “mística” favorita do que fala.

1.- Existe umha energia misteriosa que percorre o corpo, ligada à actividade biológica.

2.- As enfermidades e a dor moficam algumha das propriedades dessa energia.

3.- Essa energia viaga por canles internas -linhas de chi, microsistemas de nervos, linfasistemas- até algumha parte do corpo.

4.- Agindo sobre essa parte do corpo actua-se direitamente sobre o organo afeitado pode-se sanar a enfermidade.

Por pontos:

-O ponto 0., a suposta tradiçom milenária da reflexologia e das suas derivadas. Realmente nom existe ningumha evidência história nem arqueológica em ningumha das culturas reclamadas como fundadoras dessa disciplina que mantenha essas afirmaçons. Os conhecimentos actuais sobre a medicina egipcia da época dos dous reinos e aceptável nom há ningumha referência. Dos incas conservamos menos dados, mas nem os “doutores” que ganham quartos coa reflexologia afirmam que tenhem accesoa a umha fonte de sabedoria enigmática desconhecida polos historiadores. No caso chinês temos a compilaçom de supercheria e pensamento mágico sem quase aplicaçom práctica que é a “medicina tradicional chinesa”. Lá temos a origem da reflexologia, se fazemos umha analise histórica o quadro é este: A acupuntura -pseudociência, sem aplicaçons reais e cujo “efeito” real é o do placebo e a curaçom normal da enfermidade por inmunidade natural- derivou em algumhas zonas da China imperia em digitopuntura e logo na chamada Zhi Ya, que chegou até Japom criando o conhecido Shiatsu. Co intercambio cultural do século XIX entre o Japom e Imperio Inglês alguns médicos/vendedores de milagres do U.K. acolherom algumhas ideias, modificadas, e criarom as bases da “terapia zonal”. W. Fitzgerald fixa esses “conhecimentos” leva-os para o seu lar nos EUA no seu livro “Terapia zonal” em 1917. Podemos considerar a Fitzgerald o fundador da reflexologia, e como muitos outros criadores de pseudociências nom era médico, biológo ou cientista de qualquer caste.

Assim que o máximo que pode reclamar a reflexologia como “práctica milenária” -se isso é um valor positivo, e seica na mente dos magufos é-che-vos assim- é a sua conexom coa acupuntura. Claro que a natureza e a distribuiçom no corpo dessas “linhas de energia” e a forma de trabalhar com elas nom coincide em ningumha das “técnicas” que conformam a arvore ancestral da reflexologia. Embora isso vai para os pontos seguintes, polo de agora:

A reflexologia nom é um conhecimento milenário, tem menos dum século de existência real, e menos os seus derivados.

*Como aponte, o magufo que está estes dias saca quartos em santiago afirma que o seu é a reconversom dumha técnica milenária vietnamita -empregando nome de “afamado” experto do pais- e todo o conto clássico. E nom, em Vietnam nom há tradiçom de digitopuntura, e tampouco de reflexologia. É umha exportaçom americana durante os anos da guerra, adaptada polos mencinheiros da zona.

O ponto 1. Isto é um clássico dentro da mitologia das pseudociências, nom importa qual: Acupuntura, Tai-Chi -e sim eu practiquei Tai-chi durante um ano por curiosidade ginástica, nom mística, e marchei quando o cheiro a mágia era insoportável-, homeopatia… Chama-lhe chi, energia mística, fluxo interior, micro-correntes. Nunca se explica a natureza exacta, a partícula portadora, a definiçom matemática do seu campo, o seu sistema de propagaçom, a sua interacçom coas outras forças e energias, sistema de medida, propriedades dessa energia… Tem umha funçom de onda na sua propagaçom? Qual é a sua longitude de onda? A sua frequência? Suponhemos que cumprirá as propriedades de quantificaçom, nom? Ningumha dessas perguntas tenhem resposta no eido das “terapias tradicionais”. Trabalham com umha “energia” da que desconhecem todas as propriedades e nom podem definir. Só podem dar definiçons pantasmais, e toda a técnica médica moderna que analisa cada pequeno tecido nom detectou essa energia nos seres vivos – e sim a electricidade, na sua funçom real- e a Física tampouco.

A “energia” ou “energias” das que falam nom existem.

-O ponto 2. Pouco podemos engadir. Umha energia da que nom se conhecem as propriedades seica está ligada coas enfermidades e as modificaçons somáticas nos órganos. E sem saber a natureza desse fluxo os reflexologos podem percever os cambios e diagnosticar as enfermidades.

A relaçom entre umha energia inexistente e umha enfermidade é umha falácia.

-O ponto 3 e 4. Ísto é o mais extranho para a mente racional… Depois de três séculos de medicina científica, milheiros de autopsias, biopsias, com centos de técnicas de observaçom do corpo, co estudo a nivel citológico e até atómico da anatomia humana… ningumha dessas canles apareceu ante os investigadores científicos. E melhor: Cada umha das disciplinas -e dentro delas, cada umha das escolas- afirma que as canles de energia som 10, 50, 7, 20 ou 100; que vam polas costas por um vieiro assim ou doutro jeito, que som rectas, curvas, em espiral, que se divide ou nom, que se juntam em tal ponto ou que tenhem nexos… Nom concordam em nada. Já sei que sou um ceptista malvado, mas…. se algo funciona de verdade e tés miles de anos para estudalo… ainda que só tenhas o sistema de ensaio e erro… co tempo chegas a ter um corpus unificado, a ter algum conhecimento compartido. Os indios americanos, os africanos do sul e os gregos tomavam salgueiro branco para as dores de cabeça, sem ter contacto entre eles, e sem conhecer as propriedades químicas do ácido acetil salicílico… Alguem descubriu isso por acaso, e como funcionava fixou-se como um conhecimento útil. Se agir sobre umha dessas linhas tivera resultados reais o conhecimento estaria fixado e os mapas dessas canles coincidiriam.

Nom há dados nem mostras para afirmarmos a existência dessas canles e a suposta utilidade de trabalhar com eles.
Aquí tenho que ligar co ponto 0.: A acuputura e as prácticas de pressom orientais procuram trabalhar direitamente com essas canles de energia, que na sua mitologia tenhem umha utilidade biológica real -levam essa energia porque esse fluxo é vital para o metabolismo (sic)- mas a versom europeia -a reflexologia- nom comparte esse transfondo de utilidade interna e conceptua essas linhas como umha ferramenta de utilidad externa. Assim tem senso que as linhas convergam a um ponto sem relaçom biológica real – como ligas o pé co ril?- e só tés que activar a representaçom nessa zona. Esta é umha característica que nas terapias orientais nom é maximizada, mas existe. Assim que esta “facioterapia” é herdeira desse pensamento ocidental, e perde essa “magia oriental” tam…

Bom um resumo: A reflexologia e derivados é umha pseudociência. E tam útil como umha masagem, pode ser relaxante e agradáve, mas nom pode curar. Nom há um só estudo clínico sério que afirme que a reflexologia pode curar o ter um impacto maior que qualquer outro tipo de masagem relaxante. Afirmar o contrario é mentir e tentar sacar quartos – 700 euros por curso!- é um fraude. Promocionar isso numha canle pública é umha vergonha.

Mais informaçom:

  • By eu mesmo, Agosto 27, 2007 @ 6:38 p.m.

    A túa análise é brillante pero non tes en conta o factor X: a alma que temos os bípedes racionais que é quen canaliza todas esas enerxías divinas (activadas logo do bautismo católico ou incluso do bautismo civil) que aínda non descubriron os homes, mulleres e outros seres científicos.
    Mesmo o outro día din un martelezo nunha deda e sentín como fluía por todo o meu corpo esa estraña enerxía. Do orgásmico pracer que sentín nese momento pasei a atopar moitas mellorías na dor de lombo que tiña dende cativo. Recoméndolle o FuManChu da tvg que probe cos seus ilusos.

  • By Uz, Agosto 27, 2007 @ 7:02 p.m.

    Caro como a água, colega. Obrigado pola tua divulgação: + 1 ponto para articulista científico de referência 😉

  • By dietrichv, Agosto 27, 2007 @ 11:44 p.m.

    Pois eu vou a reflexologia e me funciona. recomendou-ma o meu amigo Sta Claus, que vinha recomendado polo ratoncinho Perez

  • By Shemais, Agosto 28, 2007 @ 12:32 p.m.

    Clariño clariño coma o queixo

    Agardo que fagas unha analise tamén sobre o que dicían en Senda Verde, no apartado de “bioconstrución” (pedíncho fai anos)

  • By odemo, Agosto 29, 2007 @ 11:31 a.m.

    Que era? E que nom lembro :S
    E obrigado polos comenários.

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