A (falsa) Carta do Chefe Índio Seattle

Esta é umha traduçom dum artigo de Mauricio-José Schwarz sobre um dos muitos mitos do mundo pseudoecologista, a chamada «Carta do Chefe Índio Seattle».  A razom que me levou a dar difusom a este documento é a observaçom da facilidade com a que os velenos da religiosidade, a mitomania e o espiritualismo  entram pola porta dos movimentos «ecologistas», «naturalistas», «defensoras das terras» ou das «tribos».  A verdadeira ecologia, como destaca Schwarz, nasce da Ciência, do materialismo, do pensamento herdado do Iluminismo e que nos tirou da Idade das Tevras -da última e das que existiram antes-. A consciência do equilíbrio do mundo no que vivemos nom pode ser um sentimento «natural» ou primário, senom o resultado da analise profunda própria do avanço do pensamento científico.

Se calhar o exemplo perfeito, como anota também o autor do texto, está na velenosa mensagem que transmite o novo filme de sucesso: Avatar.  O personagem da doutora Grace Augustine, interpretada por Sigourney  Weaver está «perto da verdade» com o seu achegamento racional, mas só o protagonista -o heroi branco que aprende dos «bons selvagens» e que os lidera- que aceita a falsa mitologia espiritual dos Na’vi pode «perceber» a «realidade». Que os próprios indígenas nom entendam realmente como funciona a sua biologia e que nom há umha deusa, mas umha rede de informaçom, mensurável e estudável, nom importa.  Com todo, isto dai para outra entrada, deixo-os com o genial artigo.

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O CONTO DA CARTA DO CHEFE SEATTLE

Artigo original publicado sob o título «El Cuento de la Carta del Jefe Seattle «  no blogue El retorno de los Charlatanes em 06-02-2010 obra de Mauricio-José Schwarz . Diistribuido sob licença Creative Commons de atribuiçom. Traduçom para O demo me leve sob as mesmas licenças.

Um elemento fundamental da decoraçom de interiores dos ecomisántropos, aos que alguém com delicios mau génio alcuma os «fundambientalistas», as lojas de herbolaria e outros espaços mais ou menos religiosos é um cartaz com a «Carta do Chefe Seattle». Esses cartazes, em Espanha, geralmente podem-se adquirir em feirons ambulantes, em postos levados por astutos indígenas equatorianos, bolivianos e peruanos que, sabendo que sua cultura nom tem tanto charme entre as classes médias «ecologicamente concientizadas», disfarçam-se de siouxes, apaches, Blackfoot, algonquinos, dacotas, hopis,iroqueses ou qualquer outra das mais de 50 tribos de indígenas norte-americanos para escalpelar seus ingénuos clientes, aproveitando a sua difusa consciência de culpabilidade.

As páginas web do autoproclamado «movimento ecologista» costumam albergar umha cópia deste venerado texto. Pode vê-la em Veoverde, na página do Colectivo Ecologista Guelaya de Melilla, na página dos amáveis rapazes de Terrorismo ambiental ( Da-lhe ferro!) que num arrebatamento de sinceridade chama o documento «um dos mais preciados polos ecologistas», o qual se confirma com o aparecimento da carta em Ecopolítica, no «Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales» e em n-mil páginas mais de newage, misantropia, autoflagelaçom e pseudoecología (1).

Suponho que chegados a este ponto, perante tantas ligaçons, já leu você a «Carta do Chefe Seattle». Como é evidente, resulta assombroso que um habitante de princípios do século XIX manejasse os conceitos de ecologia que exprime a carta. A extinçom das espécies por acçom humana nom era conhecida entom, e nem sequer tinha ocorrido a trágica mingua do bisom americano que disparou a consciência conservacionista contra fins do século XIX.

Se isto parece estranho deve-se, singelamente, a que esta carta NOM a escreveu o chefe Seattle, que dá seu nome à conhecida cidade do estado de Washington.

A história do Chefe Seattle

Si’ahl (2), a quem os brancos que colonizaram os Estados Unidos chamaram «Seattle», era um índio duwamish nascido ao redor de 1780 e morrido o 7 de junho de 1866, que foi chefe da sua tribo e dos squamish. A sua lenda como guerreiro e líder forja-se em guerras nom contra os brancos, mas contra outras tribos índias, como os chemakum e os s’klallam. (O cartaz habitual nom mostra esta imagem que vê você à esquerda, a única imagem existente de Si’ahl, tomada num ano dantes do seu passamento, senom umha idealizaçom ignorante que o representa com um penacho de guerra próprio dos sioux ou lakota, e pouco acaído num pacifista como o que nos conta a lenda. Nalgumha ocasiom parece que simplesmente usaram umha foto do chefe lakota Nuvem Vermelha… total, todos os índios som iguais, nom som?)

Si’ahl, homem do seu tempo e de seu povo, isto é, representante da sua cultura e nom da dos ocidentais pseudoecologistas, possuía escravos produto de suas vitórias na guerra, e tomou várias esposas, como correspondia a um chefe. Nada disto é criticável, pois era o normal no seu mundo, e julga-lo com as normas do nosso é, quando menos, jogar sujo.

Como o é desvirtuar-lo para o ajustar às ideias próprias.

Para 1850, Si’ahl perdeu influência ante o fortalecimento de Patkanim, chefe das tribos snoqualmoo e snohomish, que conseguiu jogar Si’ahl e a sua gente dos seus tradicionais espaços de recolhida de ameijas, que era a sua principal actividade (cá surpreendera-se mais dum que acha que as mais de 50 tribos de indígenas norte-americanos eram caçadores de bisons, animais que só existiam nas grandes chairas, umha faixa que percorre os EUA no centro, desde México até boa parte do Canadá). Dado que nunca saiu da Sonda de Puget, provavelmente Si’*ahl nom viu um bisom na sua vida, era chefe de umha tribo de mariscadores sitos no extremo norte da Costa Leste dos Estados Unidos, de modo que a frase da suposta carta «Vi mil bisons apodrecer na chaira» é literalmente impossível. (Já nisto, a continuaçom «deixados polo Homem Branco que os tinha matado desde um comboio que passava» também nom cola: o comboio chegou a Seattle 14 anos depois a morte do chefe.) O caso é que, expulsado das suas terras, Si’*ahl conheceu a David Swinson «Doc» Maynard, médico e pioneiro que chegou à zona como empresário madeireiro, e em 1852 construiu ali a sua chouça de madeira fundando, de facto, a cidade de Seattle.

O índio e o branco derom-se bem. Maynard, que acreditava na defesa dos direitos dos índios (sem que interferisse com os negócios, porém na sua época via-se-lhe como um tipo «raro» por se preocupar polos nativos) convenceu os colonos da zona de que mudassem o nome de seu assentamento para «Seattle» em troques dum pagamento anual para o chefe compensando-lhe assim as moléstias que lhe causaria ao seu espírito, segundo as crenças de sua cultura, que se pronunciasse o seu nome depois de finado. Maynard também ajudou a negociar a paz com Patkanim. Como resultado, ambos chefes mantiveram-se à margem da Batalha de Seattle, do 26 de junho de 1856, quando várias tribos atacaram os brancos.

Esta história, de novo, nem é rara no marco das conquistas em América nem representa traiçom algumha. Os índios norte-americanos nom se viam como umha unidade, senom que viviam em permanente luta com outras tribos, e para um chefe o importante era que sua gente estivesse bem, e que às outras tribos lhes dessem com um pau nom era nescessáriamente assunto seu salvo quando formavam federaçons, muitas vezes como mecanismo de defesa contra os vorazes colonos e o seu maquinario militar. Por isso mesmo, quando se lhes atribuiu umha reserva indígena, Si’ahl negou-se a levar a sua gente porque a sua principal preocupaçom era que se os duwamish se misturavam com os sonomish, haveria derramamento de sangue.

O discurso de Si’ahl/Seattle

O chefe dos duwamish era conhecido nom só por ser inusualmente alto (fala-se de 1,80 metros e de que os colonos o alcunhavam de «O Grande»), mas por ser um excelente orador.

Numha data nom determinada, mas acredita-se que foi o 11 de Março de 1854, o governador Isaac Ingalls Stevens convocou a umha reuniom para debaterem a rendiçom ou venta da terra dos índios aos colonos brancos. Após que Stevens explicara sua missom, falou Si’ahl. Diz-se que pôs a mão sobre a cabeça do bem mais pequeno governador e falou com grande dignidade durante longo momento.

Ninguém sabe exactamente que dixo.

Si’*ahl falou no idioma lushootseed, alguém traduziu desse idioma à fala chinook, umha língua franca do oeste de Estados Unidos formada por diversas línguas ameríndias, inglês e francês, e alguém mais traduziu ao inglês para que Stevens se inteirasse do que tinha dito Si’ahl.

Salto ao 29 de Outubro de 1887. O já idoso doutor Henry A. Smith, médico, poeta, legislador e colono, que compartilhava a simpatia de Maynard polos índios, e que assegurava ter estado presente durante o discurso de Si’ahl, publicava no Seattle Sunday Star umha peça intitulada «Scraps from a diary» (Retalhos dum diário) que, dixo, se baseava nas notas que tomou do discurso do chefe Seattle e, afirmou, era só um fragmento do discurso. Nele, o chefe Si’ahl agradecia os brancos a sua generosidade, exigia que qualquer tratado garantisse o acesso dos índios a seus antigos cemitérios e fazia umha comparaçom entre o deus dos brancos e seus deuses.

A versom completa do que Henry Smith diz que anotou resumindo do que dixo o tradutor ao inglês que dixo o tradutor do chinook que dixo Si’ahl pode-se ler aqui. Certo que Smith dizia falar duwamish, mas é de duvidar pois quando Si’*ahl fixo a sua alocuçom, mal levava um ano na zona, onde chegou procedente de Ohio.

O escrito por Smith nom é, pois, de confiança, ainda que poda realmente capturar parte do sentimento e discurso de Si’ahl. Esta dúvida sustenta-se ademais no facto de que ninguém visse nunca as notas ou diário de Smith, e que este era um admirador rendido de Si’*ahl (descreveu-no dizendo: «»O velho Chefe Seattle foi o maior índio que jamais tenha visto e, por longe, o de aspecto mais nobre . . . Quando se erguía para falar no Conselho ou para dar recomendaçons, todos os olhos voltavam-se para ele, e dos seus lábios surgiam sonoras e elocuentes sentenças pronunciadas com voz de tons profundos . . . Sua magnífica feitura era tam nobre como a dos mais cultivados chefes militares em comando das forças dum continente.») e por tanto propenso a enfeitar a história, sobretodo três décadas depois, para engrandecer a figura dumha personagem admirada.

Nunca saberemos que tam fiel foi Smith a Si’ahl.

O que sim sabemos é que o que escreveu Smith e se reproduziu em várias ocasions nos anos seguintes, a fins do século XIX e princípios do XX, nom é o que nos oferece a frescura parva e barata do pseudoecologismo, e a movida newage e o ódio à civilizaçom… contada mediante Internet. O paradoxo nom deixa de ser notável.

A carta… de Ted Perry

Novo salto no tempo. Estamos a 22 de Abril de 1970 e o jovem professor de cinema da Universidade de Texas em Austin, Ted Perry, assiste à primeira celebraçom do «Dia da terra» no campus. Eram as primeiras auroras do ecologismo e a consciência planetária, e o académico clássico William Arrowsmith lê ante o público umha versom do discurso escrito por Smith actualizada por ele para a adaptar ao estilo combativo e as preocupaçons de elogio à década dos 60. A peça impacta nos presentes.

Pouco depois, Ted Perry, como roteirista da Southern Baptist Radio and Television Commission, Comissom de Rádio e Televisom Bautista do Sur, umha empresa da Convençom Bautista do Sur, a maior igreja protestante dos Estados Unidos, afronta o repto de escrever um filme sobre a contaminaçom e a ecologia, chamada Home (Lar). Pede-lhe permissom a Arrowsmith para empregar a sua peça como base de seu roteiro e procede a escrever o que hoje conhecemos como «A carta do chefe Seattle».

Evidentemente, Ted Perry é um roteirista, nom um historiador, e por legítima licença dramática  nom poupa em anacronismos, em impossibilidades e em exageraçons bagoentas, além de empregar a linguagem do ecologismo de entom que nom é imaginável em ninguém de 1854. Mas nom o faz com objecto de enganar a ninguém: está a escrever umha peça de ficçom, que nunca se pensou para se apresentar como realidade, senom como pretexto para falar de factos reais desde umha perspectiva criativa. Vamos, Ted Perry escreveu também dous episódios dos Gummy Bears para Disney sem pretender convencer a ninguém de que realmente os ursinhos de gominola podem viver apaixonantes aventuras. E um episódio de «Os seis biônicos». É ficçom para chamar a atençom sobre um problema rea,l nom é a realidade.

No guiom de Perry, a carta recita-se sobre umha montagem de fragas e praias prístrinas e impolutas misturadas com feias imagens de contaminaçom. E ali sim jogavam um papel os «arames-que-falam» do telefone que Si’ahl nom puide conhecer pois inventou-se depois da sua morte. Como dixo o próprio Perry, «Nom comprovei a exatidom histórica do que escrevim». Poucos roteiristas o fam. O que se propuxo Perry foi transladar o chefe Seattle o mundo moderno e imaginar o que diria, ponto. Que era fictício ficava claro ao final do filme, com o crédito «Escrito por Ted Perry».

Mas os produtores decidiram pôr «Pesquisado por Ted Perry», dando traços de realidade à ficçom dum escritor.

O que sim fez Perry, actualmente professor de cinema na universidade Middlebury, é tratar de que os seareiros do calote do chefe Seattle se inteirem de que estam a ser enganados, que as palavras de preocupaçom ecológica e de destruiçom do médio ambiente nom procedem dum índio (que no guiom de Perry se autonombra «selvagem», quando certamente nom o era), mas dum roteirista ocidental preocupado polo médio ambiente. A ecologia e o conservacionismo como os conhecemos hoje som, a fim, um produto da ciência e o pensamento iluminista.

Em 1992, a já poderosa organizaçom Dia da Terra, EUA (Earth Day, USA) enviou por correio a espurea carta a 6500 líderes religiosos. O autoproclamado dandy da ecologia, Al Gore, citou a carta no seu livro Earth in the balance.

A mentira, consolidada, segue. Curiosamente, o descobridor do conto foi um historiador alemam especializado nos indígenas norteamericanos, Rudolph Kaiser, que identificou a Perry e publicou sua investigaçom nos anos 90.

Hoje, felizmente, de procurarmos em Google «chief seattle letter», acharemos que a maioria das ligaçons que aparecem primeiro mencionam a fraude, destacam a verdadeira personalidade do líder duwamish e referenciam a Ted Perry.

Desafortunadamente, se procuramos «carta do chefe seattle», em espanhol [Nota do tradutor: Ou em galego ou português], nom aparece nenhuma visom crítica e quase nada de informaçom sobre a fraude, só a repetiçom contínua das palavras escritas por Ted Perry. Nom as palavras dum «bom selvagem» ecologista apto para acougar as consciências da classe meia ocidental, senom as palavras dum jovem roteirista branco «verde».

Mas a fraude nom foi culpa do chefe Seattle, de Henry Smith nem de Ted Perry. Todos eles foram honestos com a sua visom e a sua realidade interna e externa. A fraude foi de quem, conhecendo os factos durante os últimos 20 anos, seguiram apresentando a «carta do chefe Seattle» como umha demonstraçom dos dogmas da seu peculiar religiom e política.

E ao conhecer a vida e as palavras reais de Si’ahl, temos como sempre melhores motivos para respeitar a personagem, o líder,ao estatista responsável do seu povo, que quando se nos alimenta com um «índio de açúcar», desumanizado e criado a imagem e semelhança dos delírios dos brancos ocidentais.

Ou, em palavras de Ted Perry: Por que estamos tam dispostos a aceitar um texto como este se se lhe atribui a um nativo americano? É outro caso de pôr os nativos americanos num pedestal e nom nos responsabilizar de nossas próprias acçons?
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(1) É «pseudoecología» porque nom tem muito que ver com a ecologia, ramo da biologia que, lemos na Wikipedia, «estuda os seres vivos, o seu ambiente, a distribuiçom e abundância, como essas propriedades som afectadas pela interacçom entre os organismos e o seu ambiente». A maioria dos activistas pseudoecológicos nom poderiam distinguir um blastómero dum acouraçado, menos ainda lhes interessa o que a ciência possa dizer sobre esses temas, senom que se ocupam, dizem e crêem, de «defender o ambiente» e de passagem atacar à humanidade, lamentar todas suas actividades, evitar a extinçom de animais bonitos como o urso panda (os animais feios tenhem menos cartaz) e sonhar com um passado ideal que nunca existiu, umha espécie de utopia pastoral como as que imaginou a novela pastoril, pletórica de bons selvagens dotados dumha consciência ecológica profundíssima e totalmente intuitiva… Algo bem como Avatar, que a isso deve parte do seu sucesso. Os verdadeiros ecologistas trabalham doutro modo, e baseiam-se em conhecimentos científicos sólidos dantes que em emoçonss baratas e liçons de moral religiosoide.

(2) Usamos a forma «Si’ahl» no lugar das outras muitas propostas, como Seathl, Seahl, etc., porque é a que emprega a tribo duwamish para falar de seu nobre antergo. Curiosamente, na página dedicada a ele, a tribo nom faz mençom de discurso ou carta algumha, e a biografia referenciada ali, um documento de 20 páginas compilado polo tesoureiro da Junta directiva dos Serviços Tribais Duwamish, arroja-se razoáveis dúvidas sobre a versom de Henry Smith, mas a «Carta» popular entre os ecologistas também nom se menciona.

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  • By Shea, Febreiro 9, 2010 @ 2:15 p.m.

    Moi interesante, realmente non coñecía a orixe do texto nin afigura de Si´ahl.

    Por outra banda de chamerlle pseudoecoloxía ás posturas do ecoloxismo semélleme misturar allos con bugallos nas acepcións da palabra… sobre todo despois de que 30 anos de movemento conservacionmista, que supoño ben merecen unha terceira entrada nos diccionarios para o termo ecoloxía. (A segunda entrada sería a que apuntaches ti, mais a primeira sería a traducción directa do grego: a administración ou coñecemento do fogar, aínda que non sei se os gregos empregavan ese xeito de falar…)

    Por certo cada vez que pos «iluminista» evócame «Crença de certas seitas cristãs antigas para quem a vida religiosa se realiza só através da inspiraçom sobrenatural ou da graça divina.» do Estraviz.

  • By odemo, Febreiro 9, 2010 @ 2:29 p.m.

    Nom chamo de pseudoecologia a todas as posturas do ecologismo, entendido como o movimento conservantista que referes, co que adiro completamente. Chamo, e chama o autor original do artigo, a aquelas (im)posturas «ecológicas» mui difundidas em certa classe meia ocidental, que nasce dumha mistura de borralhos deixados pola New Age, artesanato indígena feito por outros indígenas (de Taiwan) e o ofertas de «tarifa verde» de Endesa.

    Ninguém melhor que ti, querido amigo Shea, para reconhecer que umha verdadeira, e útil, consciência ecológica nasce dumha profundo estudo do entorno, das complexas relaçons entre todos os factores implicados.

    E sobre iluminismo, terei que falar com os de estraviz. Quando eu falo de Iluminismo -e toda a lusofonia- falo do Aufklärung, Enlightenment, Siècle des Lumières ou La Ilustración. ;)

  • By Shea, Febreiro 9, 2010 @ 3:19 p.m.

    É certo, ovellas hainas en tódolos lados e o eido do ecoloxismo e os seus satélites non é unha escepción, moitos falan apasionadamente sen pensar, e outros pensando friamente na súa conta de resultados(Endesa)

    A parte do profundo estudo, do coñecemento e análise consciente, que é básico e necesario, fulcral, que debe ser o alicerce e o cerne das nosas decisións (xa se están a esgotar as equivalencias)o funcionamento inconsciente ou subconsciente (teño que atender máis ó mestre Punset)tamén axuda, ese «aqui hai algo que non cadra ben de todo» que fai qu comeces a facerche preguntas ou a desestimar solucións a primeira vista óptimas. O exemplo sería a empatía (proceso do non consciente, ou iso creo) e as posibles solucións da superpobooación hunama e o reparto de recursos…

    Se o do iluminismo xa o supuxen, foi por amolar un pouco… é a seguinte acepción do diccionario, so que a expresión soa tan de «ilumindos» :S

  • By paideleo, Febreiro 12, 2010 @ 4:50 p.m.

    Interesante.

  • By Eugenio Zimmer Neves, Abril 19, 2011 @ 2:28 p.m.

    Me autorizas a adequar teu texto para o protuguês brasileiro? Ele é sumamente didático e pode ajudar a dar um pouco de racionalidade a um debate cheio de meias verdades que, de tanto serem repetidas, acabam sendo tomadas por verdade.
    Agradeço sua atenção,

    Eugenio Neves

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