Archive for 'Ciência' Category
Arthur C. Clarke dead tomorrow
22 March 2008- I'm afraid. I'm afraid, Arthur...
P.D.: O titular nom é umha piada, e tampouco é original, mas as circunstáncias "horarias" (Finou em Colombo) da sua morte permitem que poidamos jogar coas palavras e fazer umha última homenagem a quem achegou o futuro até os nosso dias.
[Entrada re-publicada após a caida de blogaliza]
chuzame - Revista Portugaliza publicita pseudo-ciências? Por desgraça sim
6 February 2008Isso parece, depois desta entrevista no seu número do primeiro semestre deste ano. A entrevistada chama-se Shirley Martins e tem um curriculum cheio de ''titulaçons'' em pseudo-ciências. Analisemos polo miudo as disciplinas que profissa a entrevistada:
chuzame - Maternidade revolucionária ou irresponsável? Umha reposta para Noelia Fernández Marqués
30 January 2008Na nota final da entrada de onde falava da sistemática deriva corrupta da crítica filosófica contra a deriva tecno-científica sob o auspício do Estado. Toda casta de movimentos obscurantistas aproveitam os louváveis esforços de crítica -fora do “todo vale” de Feyerabend- e melhora do processo científico para tentar recuperar um terreno que o mundo racional cuidava iluminado para sempre: Cosmologia, cosmogonia, origem da vida, prevalência do pensamento empírico, evoluçom, natureza da enfermidade, princípios básicos do ordenamento físico do universo... Por baixo das mesmas escusas rançosas de “luta contra o hegemonia e monopólio dumha ciência oficial” religiosos , curandeiros, newageiros e frikis vários minam as bases intelectuais que rematárom coa Idade Obscura.
chuzame - Um pouco de filosofia e os congressos científicos
30 January 2008Se o outro dia lembrava que as linhas pouco rectas que seguem as conversas de salom saltaram dos clatrato para os tassalógenos e destes para o pouco interesse lingüístico na fixaçom de termos técnicos e o enxebrismo suicida da ILG-RAG, hoje quero dar um salto mais pequeno. Departíamos eu e o senhor Sheamais de Filosofia da Ciência -em cadeiras de coiro no clube de cavaleiros, iluminados pola chaminé e desfrutando do cognac servido por Bautista- concretamente da crítica marxista de Lévi Leblond da praxe científica (Nota: Neste ponto a metade dos visitantes do blog já fugírom, assim que amigo leitor estamos quase sós) e de se a chamada deriva “proletária” da Ciência é inevitável. Melhor recomendar a leitura do artigo e os trabalhos de Leblond que fazer umha exposiçom completa do tema. Só dizer que pessoalmente eu nom tenho claro que o nível de desenvolvimento do conhecimento científico e a adopçom dos procedimentos de equipas científicas obrigue para a estruturaçom “industrial” moderna. Penso que provoca o demérito da actividade individual de técnicos de laboratório e investigadores com “menos nome” e o nascimento de dinámicas nocivas influídas polos interesses económico-técnicos privados. A sua encarnaçom é a emersom de indivíduos afastados da actividade científica real como coordenadores dos grupos de investigaçom. A força epistemológica das comunidades científicas nasce do processo de reconhecimento mútuos dos méritos, e perde qualidade quando está dominada -como agora- por interesses nada científicos. A importáncia capital do processo de confirmaçom por estranhos e a sistematizaçom do processo científico -sempre positivos- nom justifica a conversom da actividade científica em “trabalho” científico.*
[Após o parágrafo anterior ,que nom dim aligeirado, foge o último leitor]
chuzame - Tassalógenos e dicionários
29 January 2008Nom lembro mui bem porque, fai uns dias falava com um amigo sobre os clatratos. Estes som formaçons mineiras dos fundos marinhos que acumulam grandes quantidades de CO2 na sua estrutura, em franjas mui concretas de pressom e temperatura, isto é: Baixo determinadas combinaçons de pressom atmosférica -criada pola profundidade no mar- e temperatura estas formaçons cálcicas som coma “esponjas” de gases de efeito invernadoiro. Um dos muitos perigos do aquecimento global é que a muda nas condiçons tanto gerais como locais do clima podam diminuir as propriedades absorventes dos clatratos, vem polo aumento do nível do mar -que deriva num aumento da pressom- bem polo aumento da temperatura nas correntes do oceano. Isto é umha das possíveis causas dumha futura aceleraçom do processo que tanto preocupa ultimamente.
chuzame - Vitoria sobre o obscurantismo
12 January 2008Numha facultade de Física nom organizarias umha palestra para defender o geocentrismo ou as teorias da Terra Plana.
Numha observatório astronómico nom permitiriam um curso de astrologia.
Numha facultade de Medicina nom dariam aulas sobre "medicina psíquica".
Numha facultade de História nom decorreria umha cimeira de ufólogos que defendessem que os marcianos contruirom as pirámides.
Numha facultade de Matemáticas ninguem aceitaria umha dissertaçom de teologos a berrar que pi=3 (como di a Biblia).
Entom? Que caste de problema mental tenhem na universidade de Vigo para aceitar umha conferência sobre "desenho inteligente"? Por sorte o sentidinho triunfou.
chuzame - Luzes ambáricas e bolinhas de cores
25 December 2007Vai umhas semanas fum ver "A Bússola dourada", o filme descafeinado baseado nas mais que recomendáveis novelas da trilogia "Fronteiras do Universo"/A matéria Escura (His Dark Materials) de Philip Pullman.
A novela na que se basea é "Luzes do Norte" que eu lera lá polo 1997, em inglês coido. Nom vou falar dos ridículos e patéticos intentos da Igreja Católica por censurar o filme, isso nom fai mais que demostrar o acerto de Pullman em retratar o inmovilismo e a áncora mental que representa qualquer religiom, quero falar dum curioso erro de interpretaçom e de conhecimento científico que se manifestou no filme.
O mundo primo no que vivem os personagens a história do primeiro livro -e deste primeiro filme- é um reflexo evoluido da sociedade vitoriana . Umha sorte de "steam-future", umha forma de retrofuturo mui comúm na literatura do género. O ponto de divergência -outro recurso literário muito comum também, que sinala o intre que causa tanta diferença co nosso mundo- é a nom existência da Reforma protestande, convertindo-o num cisma do estilo de Avigno e co temgo a Calvino em Papa. Nesse mundo vapor e a fonte principal de energia, impulsado por gas natural -"o espírito do carvom"- e outros sistemas da época. Diverge da época vitoriana do nosso mundo em que os filósofos -cientistas- tenhem um conhecimento das partículas elementais comparável aos nossos físicos de partículas -teólogos experimentais no mundo do livro- e também no domínio da electricidade como fonte de energia. A cousa é que como recurso estilístico Pullman emprega o adjectivo "anbaric" (ambárico) como equivalente para "eléctrico", cousa mui lógica pois o nome "electrón" vem da palavra grega ήλεκτρον para essa resina. Foi o físico irlandês Johnstone Stoney quem escolheu esse nome para a partícula elemental, pois as propriedades eléctricas do mesmo ajudarom muito na história da investigaçom sobre a electricidade.
A palávra "ámbar" vem do árabe عنبر(ʻámbar), literalmente "o que aboia na agua". E originalmente era a palavra para o ámbar cinza -a secreçom biliar dos intestinos do cachalote- que aparece flutuando no mar e que se emprega para perfumaria co nóme de "cárabe". Nom sei mui bem como mudou o significado, mais agora é o mais empregado. Essa substáncia que os latinos denominava succinum é a resina fossilizada dalgumhas árvores de mais de fai quase 50 milhons de anos. Em resumo, que quando Pullman escreve "aparelhos ambáricos", "luzes ambáricas", "circuitos ambáricos", "energia ambárica" e "partícula ambárica" fala de aparelhos eléctricos, lámpadas, circuitos eléctricos, electricidade e o electron. Para mim é um recurso estético excelende, e de feito durante boa parte do século XIX os cientistas empregavam o adjectivo ambárico como sinónimo perfeito de eléctrico.
Ora o problema é falta de cultura científica dos desenhadores da estética do filme... quando eles lerom "ambárico" pensarom no material da cor do mel e nom nas suas propriedades eléctricas, assim que suponherom que o mundo da novela estava cheio de aparelhos compostos de enormes esferas azuis (!!) com efeitos visuais que imitavam o ámbar, dos que as pessoas tiravam energia dum jeito direito. Lembro que na novela insistiam em que a "luz ambárica" estava presente em alguns lugares, mas que preferiam as luzes de pavio -com alcol ou "espírito do carvom"- e o que nom existiam eram enormes carros arrastrados por bolas azuladas. Assim o que era pouco mais que umha referência ambiental mudou em elemento definitório da estética do filme...
chuzame - Bom Nadal com Oumar Fall! (E o seu fraude reloaded)
25 December 2007Sim senhores, o afamado "engenheiro" senegalês que fai cousa dum ano tentou vender o seu invento "revolucionario"em terras galegas regresa da mao do "Periódico global en español". Após dum ano sem ouvirmos nada dele, sem um artigo em ningumha revista científica, sem referências do seu suposto trabalho um jornalista inculto -nom há outra palavra- de El Pais revive a sua história de sci-fi Z.
Nom fai falha repetir os argumentos, as Leis da Termodinámica seguem a ser as mesmas, igualque as da Quántica e a Mecánica. O fedorento artigo do tal Jose Luis Estévez louva a suposta revoluçom que causou o achádego na Alemanha -o que aquí escreve segue via internettrês revistas científicas alemanas, no campo da Física... - e o tópico/típico mau olho dos espanhois (sic) para aceptarem as inovaçons científicas e técnicas. A cousa é que nom existe referência a este ano tremendo que passou o senho Oumar Fall na Alemanha, aliás nom existe mais referência na rede, apenas os artigos analfabetos de El Pais, El Correo e La Voz.
O fraude de feira dos nossos avós chega agora enfeitado com metaquilato, videos no youtube, umha página web -cheia de neolíngua e o discurso anti-científico obrigatório- e um blog. A gente é igual de parva, e polo geral igual de inculta em temas científicos, mas o esforço teatral tem que ser maior - e digital-. Já levarom os quartos dos responsáveis papons dumha empresa de Carvalho, coa ajuda em vivo e em direito dos jornais galegos. Agora a franquia na Galiza da publicaçom espanhola limpa o campinho para um novo intento... e pergunto eu, isso nom é denunciável?
chuzame - Maravilhas de internet: Blog sobre paleofuturo
10 August 2007Som estas pequenas cousas as que fam internet maravilhosa -fora de podermos comunicar com gente do outro lado do mundo, ter a um click toda a informaçom sobre quase qualquer tema... e o porno... sobre qualquer tema- topar blogs como este.Outra página sobre o tema, com menos conteudo.
Adoro a estética do retro/paleo futuro e o steampunk... passa algo?
[Os meus robots positrónicos publicarom este post, eu estou morrendo de calor no deserto]
chuzame - Umha história de Ciência II
9 August 2007[Esta entrada foi publicada de jeito automático polos meus guls digitais]
Capítulo II: Vinhos de mesa, ovos fritos pefeitos e misterios da química do século XIX
O outro dia deixamos ao sueco Scheele co re-descoberto ácido tartárico no tubo de ensaio. Físicamente parece um líquido dumha cor branca meste, e empregando as técnicas de analise da época descubriu-se que tinha a fórmula C4H6O6 - isto é quatro átomos de carbono, seis de hidrogénio e seis de oxigénio-. Reparade que na época, finas do século XVIII, a teoria atómica era um modelo para a química, mas nom podiam ser observados com métodos físicos e para muitos eram "ficçons útiles", sem prova da sua existência.
Imos apartar um pouco a história embora, para reparar um pouco mais nesta substáncia. Como já comentamos é o componhente dos "diamantes do vinho". Realmente estes estam compostos polo bitartato de potássio-KC4H5O6- umha sal formada quando o potássio "ocupa o lugar" do hidrogénio-ácido. O ácido tartárico e relativamente velenoso, é umha toxina muscular que destrue o ácido málico, umha substancia fundamental para o ciclo de Krebs: a base do processo energético dos seres vivos -Umha coincidência curiosa: Scheele também foi o primeiro em sintetizar o ácido málico (e levou o mérito) e Lavoisier deu o nome pola maçã, froita na que é mui abundante- a dose mortal mínima para os humanos é duns 7,5 gr/kg . Emprega-se para dar sabor acedo a alguns caramelos e também serve de antioxidante alimentário (E334).
No processo de fermentaçom vinho o ácido tartárico tem um papel mui importante: Criado nos primeiros passos do processo baixa o PH do mosto até niveis nos que a meirande parte das bacterias indesejáveis nom podem viver, ficando no suco de uva só os fermentos. Também da sabor ao vinho, junto co ácid cítrico e o málico. Porém muita gente confundes pequenas areias de bitartato de potássio com detritus do vinho e a industria emprega um processo de "limpeza por frio" que elimina o ácido tartárico demais: Arrefecem o vino durante umha ou duas semanas e o ácido cristaliza sobre o recipiente, quando se retira o vinho ficam as proteinas e as outras borras no contenedor.
Um dos derivados mais empregados em cozinha e o bitartrato de potássio do que falávamos antes, de jeito comercial o seu nome e "crema de tartar". Empregado nos xaropes de açucar para evitar a cristalizaçom, na auga de ferver as verduras para que estas conservem a sua cor, é parte de muits substitutos da sal comum para dietas e dos fermentos artificias para pam. Em doceira para estabilizar o branco-do-ovo, e também para fazer uns ovos fritos perfeitos: engade-se umha pequena quantidade crema de tartar na clara e a albumina desta aguanta melhor as altas temperaturas do oleo, criando um ovo esponjoso.
Com todo as propriedades mais interesantes do ácido tartárico nom som as culinárias, mas as químicas. Meio século depois do achado de Scheele, em 1820, um fabricante químido alemam, Karl Kestner sintetizou umha substáncia que tinha que ser ácido tartárico, mas nom era tal. A composiçom química era a mesma, e o processo semelhante, mas o produto era muito menos solúvel e tinha outras propriedades diferentes. José Luis Gay-Lussac -sim, o das leis dos gases e o descobridor do Boro- deu-lhe o nome de "Ácido racémico", polo cacho de uva. Tedes que ponher este descubrimento em contexto: Os químicos do século XIX empregavam a teoria atómica, porém a meirande parte deles considerava os átomos como construtos téoricos e nom como partículas reais. Dizer que umha substáncia tinha tantos átomos de carbono ou de hidrogénio era só um "jeito de falar". Um dos maiores opositores a existência de substáncias coa mesma composiçom e difrentes propriedades era o afamado químico sueco Jöns Jacob Berzelius -criador do sistema de massas atómicas da tábua periódica, descobridor do selênio, o cério, o torio...- que decidiu revisar os trabalhados de Kestner e Gay-Lussac e repetir as experiências. Eis o conceito de "peer-review": Berzelius nom acreditava na existência desses compostos que eram opostos à sua teoria, em troques de empregar a sua "superioridade moral" -lembremos que daquela era o "rei dos químicos"- baixou até o laboratorio e repetiu os experimentos. Alguns meses depois publicou os seus resultados e retractou-se das suas ideias anteriores: O ácido racémico e o tartárico tinha igual quantidade de átomos, e propriedades distintas. Até deu nome para esse fenómeno: Isomeria (iso: mesmo, mero:parte).
Pero como podia acontecer esse fenómeno? Como substáncias químicas de igual composiçom eram diferentes? Essas respostas na terceira parte desta história...
chuzame -