Category: Ciência

Artigo em Dioivo

Podedes ler a minha terceira colaboraçom com Dioivo nesta ligaçom. O artigo intitúlase A imunidade de grupo em questom e continua com a minha série de colaboraçons sobre pensamento crítico e ciência, parte dos artigos sobre o perigoso movimento anti-vacinas.

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Artigo em Dioivo

Podedes ler a minha segunda colaboraçom com Dioivo nesta ligaçom. O artigo intitúlase Continuando com os movimentos anti-vacinas e continua com a minha série de colaboraçons sobre pensamento crítico e ciência, parte dos artigos sobre o perigoso movimento anti-vacinas.

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Magufismo na Galiza, hoje dous por um : Auriculoterapia e negacionismo da SIDA


Hoje ergui-me com umha nova entrada na magnífica La Lista de la Vergüenza que denúncia as universidades, colégios profissionais e similares que promocionam pseudociências médicas ao mesmo nível que a ciência médica real. Neste caso era um curso de «Auriculoterapia», um calote derivado da acupunctura que afirma a existência de ligaçom entre determinados pontos da orelha com partes do corpo, e que as enfermidades podem ser tratadas aplicando pressom ou punçom sobre as partes equivalentes desse pequeno troço de cartilagem. A justificaçom é que essa parte do corpo «semelha um feto invertido». Como era de esperar o curso enquadra-se no infame mestrado de acupunctura e moxibustom da USC dirigido polo irresponsável Jesus Bernardo Otero Costas com a cumplicidade da Faculdade de Medicina e a própria universidade.

Por sorte nom todo forom más notícias: O jornal Praza Pública fixo durante a manhã umha notícia mui bem redigida sobre as denúncias e o polémico mestrado. Surpreende essa excelente resposta jornalística, conhecendo o panorama acrítico com as pseudociências que existe em muitas publicaçons gerais.

A outra má notícia -neste caso já horrorosa- é que um Centro Social (eles indicam Okupado) de Compostela vai dar voz e espaço a umha das fraudes pseudocientíficas que mais mortos por negligência tem causado na história. Estou a falar de dar espaço e apresentar como um tema apropriado para o debate as posturas dos negacionistas da SIDA. O CSO «A Casa do Vento» vai realizar umha palestra-debate com o autoproclamado experto Manuel Garrido na que defende ideias tam afastadas de todo o conhecimento cientista como que nom existe ligaçom entre o vírus VIH e a SIDA, que o próprio vírus nom existe, que a SIDA nom é umha enfermidade mas um contendor de sintomas com muitas causas, que a SIDA é um projecto criado por umha baralha completa de organismos para outra baralha inteira de objectivos nefandos e toda classe de disparates semelhantes. Recomendo ler a entrada de The Skeptic’s Dictionary que ademais inclui umha excelente bibliografia, assim como todos os descobrimentos e achegas que há décadas eliminarom todas as afirmaçons dos movimentos negacionistas. Isso quando nom foi a própria enfermidade quem rematou com a vida dos staffs das publicaçons negacionistas como as da revista Continiuum.

O que vai acontecer na Casa do Vento nom entra dentro desses debates possíveis com crentes nas pseudociências que algumhas pessoas ceptistas aceitamos por diversom e divulgaçom. Estamos a falar dumha ideologia que é responsável de que pessoas ponham em sério perigo as suas vidas e saúde, expondo-se a contágios -pois a linha que nega a existência do próprio vírus resta importância ao uso do preservativo- ou que deixem de tomar os tratamentos reais conhecidos contra a síndrome. Estamos a falar de ideólogos que têm alimentado os delírios de governantes da África para que desatentam a pandemia nos seus países, fazendo acreditar a populaçom em remédios como dietas, tratamentos «alternativos» e demais irresponsabilidades. Som todas estas pessoas tam cúmplices das mortes da SIDA como os responsáveis da Igreja Católica, e agora as pessoas do Centro Social A Casa do Vento unem-se a essa lista de irresponsáveis.

Addendum: Seguindo o tópico dos HINVEZTIGADORÉ repararam em que os dous eventos magufos som publicitados com cartazes cheios de gralhas? A ver se as dam topado todas.

P.S.: Cá tedes umha recolhida de adesons contra o evento negacionista em Compostela.

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Artigo em Dioivo: Pólio, Ayurveda, vacinas e fatwas

Podedes ler a minha primeira colaboraçom com Dioivo nesta ligaçom. O artigo intitúlase Pólio, Ayurveda, vacinas e fatwas e é a primeira parte numha série sobre pensamento crítico e ciência.

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Unweighted Midpoint Hypothesis

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Homeopatia: Umha compilaçom de argumentos contra o calote

Já som muitas as ocasions nas que tenho de argumentar contra a propagaçom do calote pseudocientífico da homeopatia. Com o tempo tenho delinhado uns idéias e respostas básicas para informar à gente sobre ela, assim que decidim fixar num documento simples (duas páginas a duas colunas) que recolhe os detalhes mais singelos de perceber. É a combinaçom dalguns FAQs, argumentos ceptístas clássicos e algo da minha própria colheita. Podedes descarregar aquí se queres. Colo aquí o texto para consulta rápida:

A homeopatia é uma pseudociência de medicina alternativa usada como tratamento para uma série de doenças e enfermidades, incluindo, e não só, artrite, asma, depressão, eczema, diarréia, dores de cabeça, insônia e dor de dentes.

A enorme indústria homeopática e grupos alternativos críticos coa industria farmacêutica defendem os seus produtos como seguros, naturais e holísticos, mas a evidência científica mostra que a homeopatia age apenas como um placebo e não há nenhuma explicação científica de como poderia trabalhar de outra maneira.

Os princípios homeopáticos

A homeopatia baseia-se em duas crenças: (1)Semelhante cura semelhante, e (2)A menor dose, cura mais potente. Primeiro, os homeopatas escolhem uma substância que provoca os mesmos sintomas que a doença que pretendem tratar. Por exemplo: O nariz pingado e olhos lacrimejantes de um resfriado podem ser recriados por inalação de vapores de cebola, então o suco de cebola pode ser a base duma preparação homeopática.

Segundo, a substância escolhida é repetidamente diluída e abalada (também chamada sucussão). Isto é suposto para reduzir o potencial de causar danos, e também torná-la mais eficaz.

Os princípios sob a luz da Ciência

Semelhante cura semelhante

É um princípio que não tem explicação possível. O princípio “Semelhante cura semelhante” afirma que só têm de coincidir os sintomas da enfermidade e o tratamento, sem importar a condição ou patógeno subjacente que os cria. Alguns homeopatas dizem que age como um vacina, mas isto não é certo pois as vacinas agem preparando o sistema imunológico para reconhecer umh doença em particular com uma versão segura do patógeno (um vírus debilitado, por exemplo). A teoria da homeopatia não coincide com como o corpo funciona e todo o que já sabemos sobre o metabolismo, as bactérias e vírus e a origem das enfermidades. Ademais, resulta contraditória, p.e., uma dor de cabeça pode ser sintoma de stress ou dum cancro cerebral, e evidentemente os tratamentos requeridos som mui diferentes.

Dose mínima

As preparações homeopáticas têm sido diluídas até o extremo de que a maior parte não contem uma soa molécula do ingrediente activo. Por exemplo, uma dissolução normal 30C significa que uma pinga do princípio activo foi diluída em 100 pingas de água, depois uma pinga da dissolução resultante foi diluída em outras 100 pingas de água, tomada outra pinga desta nova dissolução e repetido o processo 30 vezes. A possibilidade de que um preparado homeopático 30C contenha uma molécula do ingrediente activo original é menor que a de ganhar a lotaria… todos os dias… cinco semanas seguidas.

A homeopatia e a sua época

Os princípios básicos da homeopatia som pois contrários a todo o que hoje sabemos sobre a origem das enfermidades (bactérias, vírus, metabolismo…) e a constituição da matéria (átomos, moléculas…). No momento da criação desta prática no século XIX o seu fundador Samuel Hahnemann (1755 – 1843) não conhecia nenhum desses descobrimentos científicos e a sua intenção era obter uma alternativa à prática médica da época -sangraduras para “equilibrar” os humores- que não fosse invasiva.

Embora as suas intenções foram boas o progresso do conhecimento científico desbotou as suas teorias, igual que fixo com muitas outras no processo de configurar o que hoje conhecemos como Medicina Científica. As afirmações que constituem a base da homeopatia -e que não mudaram em 200 anos- som erradas agora que conhecemos muito melhor o comportamento do nosso corpo e das enfermidades.

Porém os homeopatas que ainda seguem as ideias de Hahnemann acreditam que a água “lembra” o ingrediente activo na sua estrutura. Basta dizer que se isso fosse certo a água lembraria também as propriedades das substâncias que foram diluídas nelas no longo do tempo, como os desperdícios orgânicos de animais e pessoas, as plantas e bactérias ou peixes mortos nela ou até qualquer substância tóxica que alguma vez fora vertida numa massa de água. Até lembraria o tubo de ensaio -e todas as suas impurezas- nas que o preparado homeopático foi feito!

As evidências

Ao longo destes anos cerca de 150 testes clínicos* têm falido ao tentarem demonstrar que a homeopatia funciona dalgum jeito. Alguns estudos de pequena escala têm indicado pequenas resultados positivos, mas foram realizados com metodologia pobre ou sem contar com efeitos aleatórios. Quando pomos todas as evidências juntas e em contexto demonstra-se que a homeopatia não é mais que um placebo.

Que é um Teste clínico?

Um estudo recentemente publicado na revista The Lancet comparou 110 testes homeopáticos com 110 da chamada “medicina convencional”. Os autores descobriram que quanto mais estritas e rigorosas era a prática científica da investigação maior era a evidência de que a medicina convencional funcionava e a homeopática não funcionava em absoluto. Em resumo: quanto melhor é a investigação menos efectiva parece a homeopatia.

Realmente poderíamos dizer que todas as pílulas som efectivas: até as pílulas de açúcar podem fazer que gente enferma sinta uma melhoria. Mas que se sintam melhor não quer dizer que a enfermidade desaparecesse realmente, e os doutores precisam então um método para distinguirem entre placebos e verdadeiros medicamentos.

O procedimento aceitado por todos os cientistas é o chamado “estudo aleatório de duplo cego”: Voluntários que sofram da mesma doença som separados em vários grupos (quanto maior seja o número de pessoas menos relevantes som as suas peculiaridades). Um deles é tratado com o medicamento a provar, outro com um produto inócuo e o terceiro é mantido como referência e não é tratado. O estudo chama-se de duplo cego porque nem os enfermos nem os doutores que os tratam sabem em que grupo está cada indivíduo.

Todas as medicinas reais têm de passar este tipo de testes para demonstrarem que som seguras, e que produzem mais efeito que um placebo.

Porque a Homeopatia parece funcionar?

As pessoas empregam homeopatia porque acreditam em que funciona. Ainda que a homeopatia como outros placebos não funciona no sentido clínico, pode induzir melhoras psicológicas e algumas fisiológicas. E as vezes simplesmente a sua administração como “recurso alternativo” coincide com a toma dum medicamento que realmente funciona, ou com o processo natural de melhora.

O efeito placebo

A consciência de que um está a receber um tratamento para a sua doença acostuma tranquilizar os enfermos. É conhecido que a redução do nível de stress psicológico acelera a recuperação de feridas e enfermidades víricas (potenciando a resposta imune) e reduz a pressão sanguínea. Assim que até se o tratamento é inerte, pode ter efeitos reais no corpo.

Nessa redução do stress também influi o “procedimento diagnóstico” dos homeopatas: não têm que investigar realmente que enfermidade provoca os sintomas -só determinar estes- e assim podem dedicar mais tempo a um “tratamento pessoal com o paciente” que fica mais tranquilo.

As respostas condicionadas também som importantes. Experiências passadas de tratamento podem estimular o sistema imune para que actue mais rápido quando se administra um novo tratamento (incluso um placebo). Com todo, fora da redução do stress do paciente o efeito placebo é mui débil em termos de:

  • Reprodutibilidade:
    Ao depender da sensação psicológica do paciente de respostas imunes secundárias o efeito placebo acontece só as vezes, ainda nas mesmas condições. Estudos com enfermos de dor crónica amossam que um placebo pode substituir a morfina habitual, sempre que antes se começara com o tratamento de morfina, e que a eficácia do placebo diminui com o tempo se não se reforça com analgésicos reais.

  • Potência:

    O efeito placebo só é efectivo com doenças menores.Pode ajudar com a dor, fatiga, enjoamento e cousas assim, mas não pode combater ossos rotos, enfermidades infecciosas ou cancros. Noutras palavras, pode atenuar os sintomas da enfermidade, mas não a enfermidade em si.

Existe um “poderoso efeito placebo”?

Alguns informes sobre tratamentos homeopáticos que curam doenças relativamente sérias som às vezes atribuídos a um “poderoso efeito placebo”. Mas existem muitas outras explicações mais plausíveis e lógicas que teriam que ser desbotadas antes de considerar isso uma recuperação homeopática.

As vezes a administração dum tratamento homeopático coincide com a recuperação do/a paciente, mas não quer dizer que esteja ligada: é uma falácia supor que dois eventos que ocorram em sequência cronológica estão necessariamente interligados através de uma relação de causa e efeito. Muitos outros factores podem ser os causantes:

  • Progresso natural de recuperação:

    Menos em doenças fatais a capacidade de recuperação do corpo humano é fascinante e muitas vezes é quem de se sobrepor os males se se lhe permite tempo e um estado de repouso (como andaços de gripe).

  • Sintomas flutuantes:

    Muitas enfermidades crónicas -como a artrite ou a fatiga crónica- variam a intensidade dos sintomas com o tempo, as pessoas doentes procuram ajuda e tratamento –e alternativas como a homeopatia- quando a dor é maior, e quando esta diminui de forma natural isto é percebido como uma melhora e ligado com a “medicina” administrada.

  • Doenças que remetem:

    Algumas condições consideradas como enfermidades e habitualmente tratadas com medicamentos homeopáticos – acne, depressão ligeira, problemas respiratórios nocturnos, icterícia infantil- som situações temporais dependentes de factores cronológicos (como o nível hormonal do acne ou a função do fígado nas crianças) que desapareceram independentemente do tratamento seguido. Como as pessoas doentes acostumam empregar as alternativas homeopáticas depois de provarem tratamentos mais “tradicionais” o consumo de remédios homeopáticos coincide com a retirada natural da enfermidade.

Homeopatia em animais e crianças

Homeopatas afirmam que a homeopatia funciona para animais e crianças, que não poderia ser explicado. Embora muitas dessas supostas melhoras nessas criaturas sem psicologia complexa podem ser explicadas pelos fenómenos do ponto ponto anterior, também podemos indicar que as provas homeopáticas publicadas sob esses indivíduos não som supervisionadas por pessoal veterinário ou pediatra especialistas, e têm então um forte enviesado. Aliás as provas que sim foram supervisionadas por pessoal qualificado demonstraram ser tão falidas como as da homeopatia em pessoas adultas.

E lícito receitar placebos?

A única eficácia da homeopatia é como placebo. Há quem argui que os placebos fazem“sentir melhor” a gente, e que isso poderia ser uma razão para os administrar. Mas som muitas mais os argumentos na sua contra (menos poucos casos): A ética médica obriga a uma relação de confiança e honestidade entre o pessoa tratada e o pessoal médico. Para administrar o placebo é necessário mentir ou não informar à pessoa enferma sobre o tratamento, o que não é ético. Também administrar placebos homeopáticos, que só atenuam alguns sintomas, pode instruir à população em que estes som efectivos, e que fiquem sem tratar as enfermidades reais que os causam. Por último os tratamentos médicos eficazes já som reforçados pelo efeito placebo, mais a sua própria função terapêutica, assim que não existe razão para administrar tratamento sem eficácia real.

Alternativa à indústria farmacêutica?

Por último, muitas pessoas afirmam que o consumo de homeopatia é uma maneira de lutarem contra o predomínio do sistema farmacêutico mundial. Porem os próprios tratamentos homeopáticos som fabricados por um gigante industrial quase monopolístico: A Farmacêutica Homeopática Boiron.

Esta empresa fundada em 1932 não só fabrica os medicamentos, aliás é a responsável da maioria das campanhas de publicidade pro-homeopatia, dirige ou patrocina quase todos os “centros de estudos” que titulam os homeopatas e actua como um poderoso lobby. Tem vantagens estratégicas sobre outras farmacêutica “tradicionais” pois não tem que inverter absolutamente nada em investigação científica real, na procura de substâncias que realmente curem. E tampouco na síntese de caros princípios activos, pois os seus preparados som constituídos na sua totalidade por água, açúcar e alguns agregantes.

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Apontamentos de Fukushima

Levo desde ontem comentando e seguindo em twitter o acidente nuclear nas planta de Fukushima, após o tremor de terra em Japom. Também estou tentando responder, na medida que a minha formaçom de físico permite, as perguntas doutros twitteiros sobre o tema. Cuido que podo formalizar as dúvidas e a informaçom num artigo no blogue, como segue.

Que é a central de Fukushima e TEPCO?

Bem, a usina afeitada realmente é um complexo de produçom formado por várias instalaçons. A mais afeitada polo tremor e a que vemos nas notícias é Fukushima-INPP ou Fukushima Da-ichi. Está sita na cidade Okuma, no distrito de Futaba, na prefeitura de Fukushima, uns 200 km ao norte de Toquio. É umha das dez usinas nuclares mais grandes do mundo, formada por 6 reactores que geram um total de 4.7 GW de potência. Fukushima Da-ichi é um dos grandes orgulhos da engenharia japonesa, pois foi a primeira usina construida integramente pola Tōkyō Denryoku Kabushiki-kaisha ou TEPCO, a mais grande companhia eléctrica do Japom e a quarta do mundo.

TEPCO produz aproximadamente a terceira parte da electricidade que Japom consome, ou o que é o mesmo, a que precisam num ano estados como Itália ou Espanha. Para que fagam umha ideia do tamanho descomunal da empresa. A história de TEPCO nom está livre de grandes escándalos a nível japonês, sendo o mais grande o e 2002 no que se demostrou que durante décadas a empresa ocultara e obstaculizara os informes sobre as suas centrais nucleares. O presidente da empresa daquela, Nobuya Minami, foi obrigado a demitir e todas as suas usinas nucleares forom fechadas para mantemento e revisom. Cinco anos depois a nova direiçom de TEPCO informou de centos de dados falsos que os responsáveis da fraude passaram às autoridades, mas nunca se indentificarom os culpáveis.

Volvendo ao desenho de Fukushima: Três reactores forom construidos com General Electric, outros dous por Toshiba e um Hitachi. Os reactores mais afeitados, o 1 e 2 som de General Electric e nom som os mais potentes da central, mas sim os mais velhos, construidos em 1970 pola construtora Kajima. O resto datam de finais dos 70. Existe um plano para engadir dous novos reactores avançados para 2013.

Como funciona a central de Fukushima Dai-Chi?

Todos os reactores em funcionamento na central som do modelo BWR, siglas em inglês para: Reactor de Auga Fervendo. É um tipo de reactor desenhado originalmente por General Electric e o Laboratório de Energia Nuclear de Idaho na década dos 50 e que tem o seu irmao no RBMK soviético, tristemente conhecido por Chernobyl.

O núcleo do reactor está formada por barras de combustível radiactivo, como a da esquerda. O material nelas desintegra-se de forma natural, mas cada barra por separado nom produz neutrons abondo para começar uma reacçom em cadea, que fai que os neutrons emitidos batam contra os átomos do combustivel, produzindo novas fisions nucleares e mais neutrons, e calor, no processo. No núcleo do reactor, umha enorme estrutura de cemento, introducem-se estas barras.

Para moderar a quantidade de neutrons que intercambiam estas barras de combustível entre elas insertamos os chamados hastes de controle (control roods) mui parecidos às de combustível. Estam formados por diversos materiais que tenhem a capacidade de absorver neutrons da reacçom, impedindo que novos átomos de combustível sejam alcançados. Retirando parcialmente ou variando a distância entre os hastes e o combustível os técnicos podem controlar a velocidade da reacçom, e a quantidade de energia que libera. Nos BWR os hastes som introduzidos desde abaixo por máquinas hidráulicas de enorme precissom. Veremos mais adiante o porquê dessa disposiçom.

Bem, dizemos que os BWR chamam-se assim porque trabalham com vapor de auga. O núcleo, a enorme estrutura que contem o combustível e os hastes de controle está afundido numha piscina de auga ligeira -isto é, destilada, sem a menor traça de minerais, para evitar a corrossom- e que s asemelha a algo assim:

Essa auga tem duas missons, umha secundária de absorçom dos neutrons que poidam escapar aos hastes de controle, e outra primária que é retirar o calor gerado pola reacçom nuclear.  A auga é excelente nesse trabalho polas suas propriedades térmicas, e com esse aporte de energia transforma-se em vapor. A vasilha do núcleo -o espaço da piscina- está a mui alta pressom, umhas 75 atm -75 vezes a pressom que nós experimentamos a nível do mar-  e só evapora a uns 300º graus centígrados. O vapor está mui quente e leva muita pressom, isto é muita energia, esse vapor é retirado da vasilha por umhas conducçons e levado a outro compartimento onde move umhas turbinas de alta pressom, gerando electricidade -como nas centrais térmicas, hidroeléctricas ou eólicas-. O vapor vai depois a um dissipador onde se enfria por um refrigerante externo -normalmente auga- volta a ser líquido e entra de novo na vasilha do reactor.

Cada umha das secçons está ilhada, de forma que a agua que entra e sai do reactor nunca entra em contacto com o refrigerante do dissipador.

Um reactor BWR tem vários sistemas de controle, entre os que estam a quantidade e forma dos hastes de controle -podem ser introduzidos uns poucos, muitos, até certa altura, etc- a velocidade à que se fai fluir a auga da vasilha e o vapor,  a temperatura do refrigerante exterior e a velocidade com que este passa polo dissipador.

Que passa normalmente em caso de acidente?

Pois o normal, o desejável, é que se apaguem os reactores. Isto fai-se introducindo totalmente os hastes de controle no núcleo, de maneira que a meirande parte dos neutrons deixam de circular entre as barras de combustível e a reacçom nuclear vai-se apagando. Isto leva um tempo, e a temperatura do núcleo segue a ser elevada, porque a auga ainda tem que se evaporar e aquecer o núcleo. Tampouco é possível deter de todo a reacçom, porque os materiais seguem o seu decaimento natural, ainda que nom existam neutrons engadidos das outras barras. Os sistemas de refrigeraçom ponhem-se a trabalhar e a temperatura e pressom do sistema fica estável.

Os engenheiros e físicos nucleares decidem em cada caso a quantidade de hastes e a velocidade de refrigeraçom mais adequadas para levar o núcleo a umha situaçom de seguridade. Se todo vai bem o núcleo sai da zona de perigo numhas horas. O principal problema neste caso é econômico porque se todos os hastes som introducidos e o reactor parado -o que se chama «assassinar o núcleo»- quando o perigo passe é necessário reiniciar a reacçom nuclear desde o começo, o que chamamos «fazer crítico o núcleo», um processo que consome muito combustível nuclear e que leva bastante tempo -no qual nom se produz energia-. Por isso normalmente rebaixa-se a actividade no núcleo até níveis mínimos, que podam ser contidos com os sistemas de refrigeraçom, mas sem desligar de todo a reacçom nuclear. Depois podem-se ir retirando os hastes e a reacçom continuará com um menor custo. Como vemos esta é umha decissom económica e nom técnica… por desgraça.

Que causou a situaçom de perigo em Fukushima?

O tremor de terra, um dos mais grandes da história e de magnitude 8,9 -outro dia escreverei um artigo sobre o que significa isso- afectou a muitas estruturas industriais. O núcleo, a vasilha e o edifício do reactor e da turbina nom se virom afectados. Essa parte das centrais som as estruturas melhor desenhadas do planeta terra, capaces de resistir quase todo. Metros e metros de cimento desenhado com vistas a tremores até 5 vezes mais potentes… isso nos paises «normais», em Japom as condiçons som ainda mais seguras. O problema é que o sistema depende doutras estaçons exteriores para alimentar os sistemas de controle, e sobretodo, duns motores diesel que mantenhem o fluxo de refrigerante externo cara o dissipador.

Segundo a NEI (Nuclear Engineering International) o 11 de Março  os três primeiros reactores forom apagados automáticamente durante o tremor, isto é: Os seus hastes de controle começaram a se meter no nucleo até o fundo. E os outros reactores entraram em «fasse de controle», com a reacçom nuclear mantida no mínimo, confiando nos sistemas de refrigeraçom para baixar a temperatura e a pressom a níveis seguros.

Mas segundo dados da Agência Internacional de Energia Nuclear o tsunami danou os geradores diesel. No começo pareciam funcionar bem, mas depois dumha hora desligarom. O refrigerante nom está a entrar no disipador todo o rápido que este precisa para voltar líquido a auga branda do reactor, e esta entra nele com altas temperaturas e pressom. Ativarom-se as baterias de emergência e declarou-se o estado de idem. Estas baterias tenhem umha capacidade de 8 horas e permitem manter os controis e as valvulas em funcionamento.

A media noite TEPCO informou que a pressom dentro do reactor era demasiado alta. Podedes ver porquê: A auga volta para o núcleo mui quente e cada vez há mais vapor e mais quente na vasilha. A pressom aumenta, e isso pode fazer que as paredes rachem. Segundo dados de TEPCO a pressom na vasilha do reactor 1 era 2,1 vezes a máxima aceitável por seguridade. TEPCO comunicou que ia deixar escapar umha pequena quantidade de vapor de auga num segundo espaço redundante para aliviar a pressom e deixar que se escape à atmosfera, onde os ventos levaram cara o mar e onde os subprodutos residuais que absorve a auga da piscina do núcleo se dissipariam. O gas liberou-se umhas horas depois, mas há dados contraditórios sobre a quantidade e a radioactividade do mesmo.

Por desgraça a temperatura no reactor 1 segue subindo pola falta de refrigeraçom -ou se calhar porque o apagado no foi completo- e o reactor 2 também emite dados de problemas de refrigeraçom.

Que passa com a explosom?

Segundo informam agências de notícias e gente na zona, e um vídeo, umha grande explosom sucedeu nestas horas. Parece que algum dos geradores auxiliares estourou, prendendo o hidrógeno que se emprega nos sistemas de refrigeraçom secundários. Segundo gente da Associaçom Nuclear Internaciona parte da estrutura contedora exterior ficou derrubada.

As informaçons nos arredores da planta falam de que a radiaçom chega aos 1,015 mSv por hora. Para fazer umha ideia, num ano umha pessoa que viva num ambiente normal urbano receve uns 2 mSv. A configuraçom granítica da Galiza e o radon fai que nós levemos de média uns 2,3 mSv anuais. As daninas mortais para a saude começam com um 1Sv (1000 mSv) -que causa nausea-, com mais de 2 Sv numha hora aparece a perda de cabelo e as hemorragias internas. Mais de 5 Sv som mortais num 50% dos casos em menos dum mês. 6 Sv ou mais matam num praço de horas.

Qual é o pior cenário?

Sendo mui pessimistas, e se a refrigeraçom nom consegue arrefecer o núcleo a pressom subirá e rematará por estourar as paredes exteriores. Isto liverará umha grande massa de vapor de auga radiactivo que poderia contaminar grandes zonas. O nível de radiaçom neste caso nom seria nem de longe tam alto como Chernobyl, mais seguramente danará a saúde de muitas pessoas em Japom. Porém nom será pior que os efeitos de Hiroshima e Nagasaki durante estes 70 anos. Depois disto o núcleo seguirá arrefriando com o ar e o chao, e emitindo radiaçom, os níveis dependeram do desenho e do que fagam as autoridades. Se acreditamos na palavra de TEPCO e do governo japonês os hastes estám já dentro do nucleo, assim que nom é possível umha «fusom do núcleo». O pior cenário está contido.
Se isto chega a passar imagino que o protocolo a seguir será botar grandes quantidades de auga de mar sobre o edifício com helicópteros e avions cisterna -o sódio da auga é um bom «assassino de neutrons»- e engadir também ácido bórico, outro bom elemento para estes casos. A evaporaçom destes elementos aumentará a contaminaçom radiactiva da atmosfera mas evitará que o núcleo emita a prazer durante muito tempo até o seu apagado «natural».

Se resulta que os hastes nom estám bem dentro, que houvo danos no sistema hidráulico e que a reacçom segue retroalimentándo-se… pois entom teremos mais problemas: A temperatura do núcleo subirá sem controle a falta de refrigeraçom eficaz, chegando ao ponto em que o combustível, os hastes de controle e até o formigom do núcleo se fundam como se fossem lava. Umha lava radiactiva que produz o seu próprio calor e funde o material co que topa, engadindo mais massa e complicando a contençom da radiaçom.

Isto só poderá ser contido polo chamado «bioescudo», capas e capas de formigom sob o núcleo que tentaram reter e evitar o progresso da lava.  No pior dos casos o cório ultrapassará estas barreiras e tocará o chao da terra, onde se afundirá umha dezenas de metros -nom, umha Sindrome de China nom é possível-. Todo este processo ceivará muitíssima mais radiactividade que todo o anterior, em forma de gases de combustom, e particulas puras. A massa de cório já nom será controlável porque a sua amorfa e a sua enorme temperatura faram impossível umha refrigeraçom eficaz, ou que se engadam assassinos de neutrons para deter a reacçom. Na última instância a opçom será soterra todo isto baixo mais formigom, construir um sartego como o de Chernobyl que contenha a radiaçom, selar umha área duns 50 km à redonda onde a vida humana estará banida, e aguardar uns quantos milheiros de anos a que o combustível se consoma.

Os efeitos a nível mundial seriam, sempre, menores que os de Chernobyl. Principalmente porque o reactor de Fukushima nom tém um núcleo de grafita que poida arder em caso de fusom, ceivando gases de combustom fortemente radiactivos. Essa é umha das principais vantagens do desenho.

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10²³ There’s nothing on it: O meu «suicídio» homeopático.

Cá tedes o vídeo do meu «suicídio» homeopático para o evento «10²³: There’s nothing on it». Este evento tenta criar consciência do calote que representa a homeopatia, ao nom estar baseada em nenhum princípio real. É umha perda de tempo e dinheiro para todos aqueles pouco informados que acreditam nela.
O evento deste ano pretende difundir também a idéia de que «sem efeito» nom significa «inócuo»: A homeopatia faz muitíssimo dano, evitando cada vez mais que pessoas com enfermidades reais empreguem tratamentos da verdadeira Medicina que os poderiam salvar a tempo.

Actualizaçom: Se lhes prestou podem chuzar esta entrada. :D

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Kant e jamons

Eis a minha reflexom sobre a criança muçulmana que nom queria que falaram de jamons na sua aula. Para mim nom é umha questom de migraçom, choque de culturas ou adaptaçom dos migrantes; como muitos opinantes querem fazer ver. Ante esses fatos eu só vejo a defesa da racionalidade face os caprichos da religiom de plantom. Hoje é o  muçulmano que nom quer que se fale de jamons, amanhá a testemunha de Jeová que aborrece a campanha pro-doaçom de sangue feita na universidade, e depois -bom, realmente já levam tempo- os católicos que nom querem que os seus filhos aprendam que homens e mulheres tenhem os mesmos direitos, independentemente de com quem se deitarem.

As proibiçons, obsessons, filias e fobias das religions som totalmente arbitrárias. Só obedecem a abstrusas fontes «iluminadas» que só tiveram algo de senso nas comunidades de pastores analfabetos nas beiras do Crescente Fértil há 4.000 anos. E as normas que derivam delas só têm um sentido, sempre subjetivo, para quem acredita na existência da sua miriada de pantasmas. Qualquer concessom para elas no âmbito público, qualquer retrocesso da raçom fronte delas, qualquer «aceptaçom pola convivência»  remata no encrequenamento ante todos os seus delírios de lóbulos frontais sobressaltados e pre-epilépticos. Desde o momento que cedemos nalgo para eles nom existe nenhum critério de demarcaçom que nos diga qual doutrina dumha religiom -e que religiom- tem que ser negada se antes concedemos ante outra, E as conseqüências som piores quando falamos da educaçom das crianças, inocentes ferramentas políticas das agendas dos seus progenitores.

Se aceitamos nom falar de jamons ou porcos polos muçulmanos, de igualdade de sexos e orientaçons sexuais polos cristians… entom nom falaremos de séries de números naturais para nom incomodar a um possível pitagórico que considere que esse conhecimento é mistérico e só reservado para os iniciados, queimaremos os livros de história da arte por respeito a algum ortodoxo iconoclasta, e assim at infinitum. E amanhá surgirá um novo culto que considere que a arquitetura post-románica é herética, ou que a lei de gravitaçom é insultante. E se o que queremos é demonstrar coerência -que os peticionários nom tenhem- calaremos e aceitaremos…

A única maneira racional de afrontar estas questons é ter sempre presente que o único lugar para as crenças religiosas é, como muito, o âmbito pessoal. Qualquer manifestaçom religiosa no mundo público remata numha perda de direitos -que lembremos temos graças as lutas humanistas que fugiam da obscuridade do mundo dominado pola religiom- e num emprobrecemento moral.  Os sacrifícios, ódios e dietas que alguém queira aceitar por aderir umha crença devem ser satisfeitos só por ele, e só com o seu esforço. Se alguém nom «pode» comer porco, ou cogombros, ou com cuitelos, ou animais nom é o comedor escolar quem tem de se preocupar: leva um tapper da casa com os manjares que satisfagam as paranoias do teu deus de eleiçom. O pessoal de cozinha já está suficientemente ocupado cozinhando e desenhando umha ementa saudável com um orçamento paupérrimo, ou satisfazendo necessidades baseadas em feitos reais -como as dum celíaco ou um diabético-. E isso vale também para o pessoal médico, do ensino ou público. Eu para qualquer de nós quando se confrontar com algumha destas è petiçons. Só quem acredita nas fantasias das religions estám obrigados a brigar com esses medos.

E para rematar, se algo do que eu digo, fago ou levo che resulta ofensivo cuido que a meirande parte dos teus deuses concordam em que és ti quem tem que arrincar um olho, e nom eu quem tem de se cobrir.

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