Category: Ciência

”Psicose”

Hoje abro as orelhas entre da névoa do sono e escuito o telejornal. É mui cedo para que os meus neurónios tenham plena capacidade, mas podo captar como o apresentador -dalgumha televisom espanhola privada- fai um resumo dos cabeçalhos do dia, entre elas fai umha compilaçom de quatro ou cinco novas ligadas coa tragédia do aeroporto de Barajas. No epígrafe inclui o intento de seqüestro dum aviom nalgumha parte de Europa, acidentes de vária magnitude, umha saída de pista e outras parecidas. Ainda tenho que aguardar que a maioria das partes do meu cérebro reiniciem para o novo dia, mas já tenho algo algo no que pensar mentres esquezo os sabores do último sono da noite.

Durante estes dias comentei em diferentes círculos -digitais e do Mundo Real- como o sistema de reconhecimento de padrons do nosso cérebro propícia a criaçom de falsas ligaçons entre acontecimentos. Lembramos de forma mais vivas as cousas que saem da norma habitual, as que ajudam para reforçar as estruturas lógicas que criamos para entender o mundo. Desde o ponto de vista evolutivo é umha ferramenta mui poderosa, a mente humana tem a capacidade quase única na vida terrestre de ligar acontecimentos separados no tempo e no espaço e supor que existe umha relaçom. Essa capacidade permitiu-nos criar a cultura humana, e deduzir propriedades do mundo físico. Claro que essa ferramenta é muito primária e co passo dos século e o aumento da complexidade do nosso ambiente e dos fenómenos que éramos quem de observar perdeu efectividade. Por sorte inventamos o método científico, um jeito sistemático que nos permite dilucidar se essas relaçons que notamos na fronteira da percepçom som reais. Mas ficou no nosso dia a dia esse mecanismo primário, responsável entre outras cousas de que deitados sobre a erva podamos topar formas conhecidas na amorfa humidade das nuvens. E também é a causante de que tendamos a lembrar esses fenómenos que reforçam experiências, medos e padrons de utilidade.

Imaginades que cada dia deixades o carro num estacionamento público. Por acaso dous ou três dias seguidos o coche que tendes diante é amarelo. Ainda que nom o notedes o vosso cérebro já activou uns circuitos neuronais que fixárom esse fenómeno casual . Se o dia seguinte, e alguns mais, o coche é vermelho esses circuitos que unem os neurónios adormeceram. Mas se umha semana depois topades outro veiculo amarelo nesse sítio teredes umha sensaçom de lembrança “oh! Outra vez um carro amarelo”. Dous dias depois tendes a mesma experiência e pouco a pouco, segundo aparecem mais carros amarelos no processo, teredes a sensaçom nom-racional de que acostumades topar mais desse tipo que de qualquer outra cor no vosso aparcadoiro. Ao final formaredes umha afirmaçom na cabeça do tipo: “Quase sempre que estaciono o carro nesse estacionamento tenho diante um carro amarelo”. Mas se fazemos um estudo ao longo do tempo de seguro que observaremos que a distribuiçom das cores nom é tam acusada. Há tantos carros que estacionam diante vossa com outras pinturas como os amarelos, mas esse mecanismo da memória fai que lembremos melhor esses acontecimentos que reforçam o que cuidamos que é um patrom na natureza.

Sabendo isso, comentei com alguns amigos e também em chuza que esse processo explica alguns comentários que escuitamos nos dias posteriores ao acidente em Barajas. A gente dixo que lembrava dalgumhas desgraças similares, seguidas de três ou quatro acidentes em pouco tempo. A cousa é que de seguro a distribuiçom dos acidentes de aviaçom no tempo é bastante uniforme, e é fácil supor que é o fenómeno de procura de padrons o que cria essa sensaçom de que estám mais concentrados no tempo. Mas depois de escuitar o pseudo-telejornal desta manhá cuido que há um erro nas premissas desta suposiçom: A distribuiçom dos acidentes pode ser uniforme, mas a atençom dos media nom o é. Depois da desgraça em Barajas os boitres com microfone levam para as capas dos telejornais os pequenos acidentes, problemas coa névoa, seqüestros de rotina… todo com música de filmes de terror e locuçons afectadas. Sem indicarem que esses problemas existem todo o ano, mas que co sangue morno das vítimas ainda nas cámaras eles cuidam que é “mais nova”.

E depois fam outras novas, e dedicam os seus fedorentos programas do serám, para analisarem a “psicose nos aeroportos”… manda caralho.

A escuitar: D’où viens-tu ?… C’est le Dieu  (Lakmé) de Delibes

E os frikis somos os físicos…

Há alguem que depois de ver esta imagem, tenha santa vontade para dizer que os frikis somos os físicos?

Via: meneame.net

A escuitar: Paradigm Shift– Liquid Tension Experiment

Teorias conspiranoicas e um problema de Fermi

Depois de ler esta chuzada irrelevante pensei na pouca capacidade do público para trabalhar nos problemas de Fermi, tam útiles na física e na rua. O objectivo é conhecer é a magnitude dos problemas, antes de ter os dados exacto e os métodos de cálculo mais ajeitados.

A pergunta é, que possivilidades há de que algum dado da documentaçom vital dumha personagem -o número do passaporte, a caducidade do mesmo, ou do carto de identidade, a licença do carro- saida num filme de Hollywood calhe com umha data histórica em concreto – o 11 de septembro de 2001- ?

Imos fazer o primeiro cálculo e depois entrarei polo miudo no problema a priori dessas conspiranoias:

Quantos filmes cria Hollywood cada ano? O amigo google diz que entre 600 e 800. Imos ficar co dado intermédio: 700 filmes.

Quantos personagens principais saem em cada filme? Como em todo problema de Fermi é impossível saber, sem fazermos umha recolhida de dados muito complexa, o número real. Mas imos ficar com umha quantidade que nos dea umha ideia da grandeza do dado: 10 personagens está bem? Sabemos que nom todos tenhem 10, mas sabemos que ningúm tem 100 e mui poucos tenhem 50 ou só um. Esse dez dai umha ideia da magnitude.

Quantos documentos com datas tem umha pessoa? Nos filmes americanos nom hai cartom de identidade, mas sim dous documentos mui comuns: A licença do carro e o passaporte. Isso som 2 documentos. Imos supor que todos os documentos deste tipo caducam coa mesma periodicidade, isso nom influe muito na magnitude do resultado.

Quantas vezes saie um documento dum personagem deste tipo num filme? Que pensades? Está claro que nom sai sempre, é comun que saia mais dumha vez -mas nom é raro que nom saia ningum dalgum dos personagens. Imos supor que só um quarto dos personagens ensina algúm documento.

Isto em total dai umha magnitude total dumhas 3.500 datas que saem anualmente nos filmes de Hollywood. Repito, como este é um cálculo de Fermi isto é umha ideia da magnitude: Sabemos que nom seram 10, 100 ou incluso mil datas, más também sabemos que nom serám 10.000 ou um milhom. Se o ano tem 365 dias  sabemos que é muito provável, e quase seguro, que exista um filme de Hollywood no que algum dos personagens ensine um documento  no que saia umha data qualquera do ano.  Nom sabemos quanto vale exactamenve a probabilidade, mas a qualidade aproximada desta sim. Nom é nada estranho que coincida, nom é nada inusual ou misterioso.

(Nota: Reparade que este problema de Fermi tem um suposiçom mui forte: Todos os filmes criados em Hollywood sucedem “in real time”, assim que os documentos nesses filmes caducam todos no mesmo ano. Mas se pensades um pouco a natureza dos problemas de Fermi veredes que isso nom influe: Se fazemos o cálculo mais extenso -considerando que umha porcentagem dos filmes nom narram histórias contemporáneas- teremos que considerar no cálculo outros anos, nom só o quatro ou cinco anos anterior à cita. Algúns filmes velhos falaram do futuro desde o seu ponto de vista e alguns posteriores falaram de anos atrás. É totalmente incalculável e se fazemos umha pequena aproximaçom de probabilidades vemos que nom influe demasiado na magnitude do resultado.)

Alguem pode dizer que o cálculo nom tem em conta que o filme indicado é umha referência  cultural, que falamos de su personagem principal ou que o filme é umha produçom judea. O problema é, e cá remata o problema de Fermie e começa a minha pequena nota sobre as conspiranoias,  que esses argumentos som post hoc, nom proper hoc. As teorias conspiranoicas primeiro topam un feito que julgam “especial” ou bema acaido, e depois engadem parafernália.  A cousa nom é: “Olha, neste filme criado por judeus, cheio de conspiranoias e de grande sucesso mundial  calham as datas”, aliás “Olha neste filme calham as datas, e repara em que está criado por judeus, cheio de conspiranoias e foi de grande sucesso mundial”. A orde neste caso importa muito, porque também criariam um a mesma conspiranoia seguindo esta orde: “Olha, neste filme calham as datas, foi filmado em Baviera -Os Illuminati!- fala dos problemas económicos dumha família americana -crítica às guerras por petróleo!- e um dos actores é da mesma vila na que adestrarou um dos pilotos suicídas” ou tembém “Olha, […] o director tem um apelido em comum com alguem que salvou a vida, […] o actor vivia num bairro perto das Torres […] o irmam do montador morreu nos atentados”  Ou até “Olha, […] se moves as letras dos títulos/fas numerologia/reparas neste fotograma no minuto 11 podes ver o nome do aviom/o terrorista/a data do atentado também/algumha advertência”. Ou se calhar todas à vez.

Na conspiranoia a orde lógica de pensamento para criar umha relaçom causal nom te validez. Primeiro topam umha relaçom, que por sub-estimaçom da probabilidade cuidam “especial” quando é totalmente normal dado o volume da produçom de Hollywood, e depois procuramas curiosidades para convertirem essa pseudo-ocorrência num feito importante. Evidentemente, é um insulto à inteligência, e por isso o cálculo de Fermi anterior subestima também as probabilidades. Qualquer feito nom-causal mas ocorrente pode ser mudado em causal e profundo, sim importar os feitos reais. Assim nom tenhem porque procurar só em Hollywood, também no cinema índio (mil filmes cada ano) e em todas as produçons cinematográficas, e televisivas, e literárias. Nom existe um límite real para essa procura -ou búsqueda, que já sabem o que querem topar- pois qualquer feito pode ser adornador até chegar a conspiranoia…

E é por isso porque essas teorias som tam divertidas, e à vez tam insultantes para a inteligência, até quando nom as tomamos à série e só falamos delas para fazer piada, por continuar coa brincadeira, por ter algum tema de conversa. Som um perversom da processo lógico normal, já nom formal, e empregam a ignoráncia matemática e crítica tam espalhada. O seu sucesso como “contos populares” é umha marca terrível da situaçom intelectual da sociedade, e dai muito medo.

A escuitar: M. Devil in The Bussines Class – No Smoking Orchesta

Psicofonias libegggales nos meus altofalantes!

Imaginem o que é sentar diante do computador mentras aguardas polo teu turno na ducha e, quando este ainda está iniciando, escuitar umha voz que che comina a lutar contra o “adoctrinamiento socialista” e sacar os teus filhos das aulas de Educaçom para a Cidadania. Nessas circunstáncias intelectuais, coa mente sem espertar ainda do sono da noite, a reaçom normal e encrequenar-se ou caer de joelhos e mudar o estilo de vida, deixar de ser um separatista rompeEjpiñas, falar bom castelam e mudar o materialismo histórico pola adoraçom sem dúvidas da mao milagreira do mercado. Mas como eu sou  um ceptista e um ateu que nom reconhece os sinais os deuses até que nom bate  a cabeça neles procurei umha justificaçom mais cómoda que nom implicasse umha mudança completa no meu sistema de valores…o meu nom tem perdom.

Seguro que todos tedes experimentado este fenómeno electromagnético algumha vez. Um altofalante que está ligado na rede electrica, mas que nom o está com um aparelho (ou sim, e este nom esta reproduzindo nada) capta o sinal dumha rádio Durante muitos anos cos do meu velho computador podia escuitar a emisora da vigia marítima do porto da Corunha. A grandes traços podemos explicar o fenómeno entendendo que o circuito dum altofalente que converte o sinal eléctrico que vem polo cabo até ele nom é mui distinto do dumha rádio normal. Quando o aparelho nom tem ningumha entrada o circuito eléctrico como um todo capta as ondas electromagnéticas polas que se transmite a informaçom da rádio.  Numha rádio podemos modificar a frequência (Hz) di sinal escuitado, mas nos altofalantes nom. A frequência dumha onda electromagnética está ligada coa sua velocidade e longitude de onda (a distáncia entre os cúmios das ondas) e ao sintonizar umha rádio estamos modificando a “longitude” do circuito que pode captar a onda. Nos altofalantes é a longitude dos cabos mais grandes no seu interior o que determina qual é o único sinal co que podem interagir. Seica os altofalantes novos (que antes estavam em Ferrol, no computador do meur irmao) tenhem a longitude de circuito ajeitada para captarem a Cope de Corunha e as suas admoniçons apocalípticas.

Mas também podem pensar, os friker e os roucos,  que isto nom é mais que a Ciência desprestigiando um fenómeno de “misterio” genuino. Eu já vou engarrafando a auga da torneira como auga bendita, 5 € os 100 ml.   10 € o tour da entrada.

Arthur C. Clarke dead tomorrow

– I’m afraid. I’m afraid, Arthur…

P.D.: O titular nom é umha piada, e tampouco é original, mas as circunstáncias “horarias” (Finou em Colombo) da sua morte permitem que poidamos jogar coas palavras e fazer umha última homenagem a quem achegou o futuro até os nosso dias.

[Entrada  re-publicada após a caida de blogaliza]

Revista Portugaliza publicita pseudo-ciências? Por desgraça sim

Isso parece, depois desta entrevista no seu número do primeiro semestre deste ano. A entrevistada chama-se Shirley Martins e tem um curriculum cheio de ”titulaçons” em pseudo-ciências. Analisemos polo miudo as disciplinas que profissa a entrevistada:

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Maternidade revolucionária ou irresponsável? Umha reposta para Noelia Fernández Marqués

Na nota final da entrada de onde falava da sistemática deriva corrupta da crítica filosófica contra a deriva tecno-científica sob o auspício do Estado. Toda casta de movimentos obscurantistas aproveitam os louváveis esforços de crítica -fora do “todo vale” de Feyerabend- e melhora do processo científico para tentar recuperar um terreno que o mundo racional cuidava iluminado para sempre: Cosmologia, cosmogonia, origem da vida, prevalência do pensamento empírico, evoluçom, natureza da enfermidade, princípios básicos do ordenamento físico do universo… Por baixo das mesmas escusas rançosas de “luta contra o hegemonia e monopólio dumha ciência oficial” religiosos , curandeiros, newageiros e frikis vários minam as bases intelectuais que rematárom coa Idade Obscura.

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Um pouco de filosofia e os congressos científicos

Se o outro dia lembrava que as linhas pouco rectas que seguem as conversas de salom saltaram dos clatrato para os tassalógenos e destes para o pouco interesse lingüístico na fixaçom de termos técnicos e o enxebrismo suicida da ILG-RAG, hoje quero dar um salto mais pequeno. Departíamos eu e o senhor Sheamais de Filosofia da Ciência -em cadeiras de coiro no clube de cavaleiros, iluminados pola chaminé e desfrutando do cognac servido por Bautista- concretamente da crítica marxista de Lévi Leblond da praxe científica (Nota: Neste ponto a metade dos visitantes do blog já fugírom, assim que amigo leitor estamos quase sós) e de se a chamada deriva “proletária” da Ciência é inevitável. Melhor recomendar a leitura do artigo e os trabalhos de Leblond que fazer umha exposiçom completa do tema. Só dizer que pessoalmente eu nom tenho claro que o nível de desenvolvimento do conhecimento científico e a adopçom dos procedimentos de equipas científicas obrigue para a estruturaçom “industrial” moderna. Penso que provoca o demérito da actividade individual de técnicos de laboratório e investigadores com “menos nome” e o nascimento de dinámicas nocivas influídas polos interesses económico-técnicos privados. A sua encarnaçom é a emersom de indivíduos afastados da actividade científica real como coordenadores dos grupos de investigaçom. A força epistemológica das comunidades científicas nasce do processo de reconhecimento mútuos dos méritos, e perde qualidade quando está dominada -como agora- por interesses nada científicos. A importáncia capital do processo de confirmaçom por estranhos e a sistematizaçom do processo científico -sempre positivos- nom justifica a conversom da actividade científica em “trabalho” científico.*

[Após o parágrafo anterior ,que nom dim aligeirado, foge o último leitor]

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Tassalógenos e dicionários

Nom lembro mui bem porque, fai uns dias falava com um amigo sobre os clatratos. Estes som formaçons mineiras dos fundos marinhos que acumulam grandes quantidades de CO2 na sua estrutura, em franjas mui concretas de pressom e temperatura, isto é: Baixo determinadas combinaçons de pressom atmosférica -criada pola profundidade no mar- e temperatura estas formaçons cálcicas som coma “esponjas” de gases de efeito invernadoiro. Um dos muitos perigos do aquecimento global é que a muda nas condiçons tanto gerais como locais do clima podam diminuir as propriedades absorventes dos clatratos, vem polo aumento do nível do mar -que deriva num aumento da pressom- bem polo aumento da temperatura nas correntes do oceano. Isto é umha das possíveis causas dumha futura aceleraçom do processo que tanto preocupa ultimamente.

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Vitoria sobre o obscurantismo

Numha facultade de Física nom organizarias umha palestra para defender o geocentrismo ou as teorias da Terra Plana.

Numha observatório astronómico nom permitiriam  um curso de astrologia.

Numha facultade de Medicina nom dariam aulas sobre “medicina psíquica”.

Numha facultade de História nom decorreria umha cimeira de ufólogos que defendessem que os marcianos contruirom as pirámides.

Numha facultade de Matemáticas ninguem aceitaria umha dissertaçom de teologos a berrar que pi=3 (como di a Biblia).

Entom? Que caste de problema mental tenhem na universidade de Vigo para  aceitar umha conferência sobre “desenho inteligente”? Por sorte o sentidinho triunfou.