Espanha me mata – O demo me leve http://odemo.blogaliza.org "Si eu fixen tal mundo, que o demo me leve" Mon, 16 Apr 2012 18:11:04 +0000 gl-ES hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.1 A luta das palavras: O passo atrás de Ana Mato http://odemo.blogaliza.org/2011/12/27/a-luta-das-palavras-o-passo-atras-de-ana-mato/ http://odemo.blogaliza.org/2011/12/27/a-luta-das-palavras-o-passo-atras-de-ana-mato/#comments Tue, 27 Dec 2011 18:33:41 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=2098 Só queria fixar umhas reflexons sobre o deslize intencionado da nova Ministra Ana Mato onde qualificava o último -mas por desgraça nom derradeiro- assassinato dumha mulher pola sua parelha como “violência na esfera doméstica” (violencia en el ámbito doméstico no castelhano original) em troques da expressom empregada até o de agora polas autoridades: violência de gênero, violência machista, violência sexista.

Ainda que para alguns os matizes importantes entre ambas denominaçons som bem conhecidos -assim como a teórica de género feminista que denunciou desde o começo a cística origem social dessa violência- umha boa parte da sociedade ignora-os e trata como sinónimo. E depois está a minoria com poder da senhora Mato e os adlateres na ultradireita e no Opus Dei que, sendo conscientes da semántica, empregam umha denominaçom sobre a outra com terríveis intereses últimos. Nós sabemos que a violência machista é exercida sobre as mulheres polo feito de elas serem mulheres. Polo lugar desigual -inferior- que a organizaçom social patriarcal tem asignado para elas: inferior poder, inferior capacidade económica, inferiores direitos, inferiores possibilidades para acadar autonomia pessoal sem dependerem doutras pessoas. As mulheres som sitas num plano de poder inferior ergo som vítimas preferidas para a violência. E como ninguém, por mui machucado que esteja quer ficar em desigualdade a violência que procura “lembrar à mulher o seu lugar” é preceptiva para a supervivência dessa organizaçom social. Mas todo isto já o sabemos, nom?

O que fica claro é que os termos “violência machista” e similares marcam a origem, a causa injustificável da violência. Informam à sociedade de que nom há desculpa possíbel em cada assassinato, e que estes crimes nom som isolados pois partilham umha mesma origem nessa semente de desigualdade. Por isso a declaraçom de Pequim de 1995 consagrau essa denominaçom num senso amplo que cingue toda violência que sofre a mulher por ser mulher (isso inclui, p.e. as violaçons sexuais de todo tipo). Desta denominaçom abrangente esqueceu no seu momento a Lei Integral contra a Violência de Género de 2004, que ficou na violência no contexto “afectivo” -umha definiçom de de afectividade retorta, como mínimo-.

Estas som liçons que nom ensina ainda a nossa sociedade com normalidade, e assim muitos tivemos que aprender que -ainda que condenáveis e perseguíveis- as violências entre pessoas cercanas ou com relaçons afectivas nom têm a mesma origem estrutural e nom podem ser classificadas igual que a violência contra as mulheres. Fazer isso leva a empregarmos ferramentas de luta contra estes fenômenos que nom estám otimizadas. A violência – e a violência sexual- contra as crianças está engendrada por outra supeditaçom -a da semente sob o paterfamilias- e ainda que se pode cruzar com a sexista tem umhas motivaçons diferentes. A violência entre parelhas do mesmo sexo pode estar alimentada por uns roles de desigualdade entre os indivíduos, mas nom estam refrendados por umha desigualdade sistémica.

Os termos “violência na esfera familiar” ou “conjugal” ou “doméstica” nom som termos abrangentes como querem vender alguns think-tank conservadores (e sim, acreditem: há quem diz que som melhores porque incluim a “homens maltratados” e “parelhas do mesmo sexo”) realmente som termos que procuram ocultar a origem última do problema. Ademais, convertem em absolutas umhas circunstâncias que nom sempre acontecem no cenário da violência: nem sempre é umha família -esse étimo tam amado pola direita como peça imaculada e articuladora da sua ficçom social- nem som conjugues nem há um fogar para que seja doméstica.

Podemos agradecer que polo de agora a ministra nom decidiu empregar o velho idioma de “violência passional”. Ainda está no estadio nominal da ocultaçom, da reduçom, pronto chegará esse o da justificaçom e o de “algo faria”, “cada parelha é um mundo”, “ela sempre o fazia saltar”. É por isso, polo conhecimento prévio dos difíciles passos que levarom até o reconhecimento -polo que vemos frágil- da teoria de género polo que essas palavras de Ana Mato saltarom todos os alarmes. Sabemos cara onda leva esse caminho, cara onde quer retraçar. Assim a escolha das palavras nom é inocente, é fundamental polas ideias que as animam e que se percebem trás delas. Com essas palavras nomeamos a realidade e explicar a problemática às pessoas que ainda nom estam formadas. Trás da denominaçom de violência de género há toda umha liçom para ensinarmos e aprendermos. Trás das denominaçons de Ana Mato, se calhar está a liçom doutra Ana -esta Botella- que a nova presidenta da câmara municipal de Madrid escrevia há uns anos no prólogo dum livro infantil:

“La Cenicienta es un ejemplo para nuestra vida por los valores que representa. Recibe los malos tratos sin rechistar, busca consuelo en el recuerdo de su madre.”

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Galego de Valladolid para o último anúncio do Ministério de Sanidade http://odemo.blogaliza.org/2011/11/17/galego-de-valladolid-para-o-ultimo-anuncio-do-ministerio-de-sanidade/ http://odemo.blogaliza.org/2011/11/17/galego-de-valladolid-para-o-ultimo-anuncio-do-ministerio-de-sanidade/#comments Wed, 16 Nov 2011 22:34:05 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=2088 Eu como neofalante tive que aprender boa parte da ortofonia  da nossa língua. Muitos som os vícios que o espanhol fixa na nossa fala e que temos que eliminar com esforço: uso de cinco vogais em troques das sete da variante galega da nossa língua, problemas com o fonema nasal-velar em “unha” e no final das palavras, acentuaçm diferente em sílabas diferentes em palavras homógrafas com o espanhol, etc. Alguns desses castelhanismos incluso estám fixados no padrom galego-espanhol oficialista que nos isola das variedades internacionais da língua. Porém há muitos traços desse “galego falado à maneira do espanhol” que todos podemos reconhecer sem importar a nossa escolha ortográfica e de paradigma: “míssil/misil” leva a força no primeiro i. Assim resulta engraçado escutar um espanho-falante ler um texto galego, em quaquer normativa. E o risível aumenta quando eles pronunciam “Coelo/Coel’o” por “Coelho”.

Por todo o anterior, qualquer pessoa fluente em galego que escute este anúncio do Ministério de Sanidade espanhol só pode rir, e depois perguntar quanto deve ser o respeito do Governo de Espanha cara a nossa língua (Que segundo a sua Constituiçom também devem eles defender) quando deixam que algo assim suceda:

Topou o anúncio o senhor Modesto.

Coda: Pergunto-me se as versons em catalam ou euscara teram fonética incorrecta. Ou como reagiria a populaçom ante umha impossível locutagem do texto em espanhol como se o lesse um falante de francês.

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Rajoy o e mapa da Galiza http://odemo.blogaliza.org/2011/09/22/rajoy-o-e-mapa-da-galiza/ http://odemo.blogaliza.org/2011/09/22/rajoy-o-e-mapa-da-galiza/#comments Thu, 22 Sep 2011 15:19:53 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=2065 Já é notícia no time line do twitter em galego, e expande-se com rapidez. Juvman reparou no curioso mapa que escolheram os publicistas de Mariano Rajoy -candidato do Partido Popular à presidência do Estado Espanhol, nado circunstancialmente em Compostela- para ilustrar um vídeo promocional [min 0:42]:

Por se nom reparam bem, olhem a captura de ecram tirada por zezinho:

E comparem agora com o mapa da Galiza criado desde os movimentos soberanistas, e que inclui os terrotórios irredentos do país, fora da divissom arbitrária da administraçom espanhola:

E agora comecem a rir.

Actualizaçom: Nós-UP já tirou comunicado de a “agradecimento”.

Actualizaçom 23-09-2011: Os responsáveis da conta em youtube do PP eliminaram o vídeo. Como se algo pudesse ser eliminado de internet, coitados. Cá têm umha das múltiples opçons para o visualizar.
Diversos jornais espanhóis falam do tema: Público El Pais

Actualizaçom: Os encarregados da conta de Youtube do pape, após eliminar ontem o vídeo, subiram umha nova versom com um mapa menos “polémico”. Também mais mudo, notam-se as presas.

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Nom os votes, bota-os http://odemo.blogaliza.org/2011/04/15/nom-os-votes-bota-os/ Fri, 15 Apr 2011 20:41:34 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=2055

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Estudos dos políticos espanhóis e galegos http://odemo.blogaliza.org/2011/01/22/estudos-dos-politicos-espanhois-e-galegos/ http://odemo.blogaliza.org/2011/01/22/estudos-dos-politicos-espanhois-e-galegos/#comments Sat, 22 Jan 2011 19:50:07 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=2009 Lia hoje pola manhá um artigo que opinava sobre as diferentes distribuiçons de estudos entre os governantes de China e os EUA (e outros mais). O autor quer tirar disto conclusons  mui fisgadas, como que o perfil inclinado cara o direito dos governantes americanos influi na “sua defesa dos direitos humanos” mentres que o perfil “técnico e cientista” dos chineses fai que se importem menos destes. O facto de que os direitos humanos som violentados em igual ou superior medida polos EUA que na China nom se tem em conta. Porem a informaçom sobre os estudos dos políticos das duas super-potências pareceu-me muito interessante, e levou-me a umha pequena investigaçom sobre a formaçom dos nossos políticos e dos do estado espanhol.

Presidente del Gobierno y Jefe del Consejo de Ministros Jose Luís Rodríguez Zapatero Licenciado en Derecho
Vicepresidente Primero, Ministro del Interior y Portavoz del Gobierno Alfredo Pérez Rubalcava Doctor en Ciencias Químicas
Vicepresidenta Segunda y Ministra de Economia Elena Salgado Méndez Doctora en Económicas e Ingeniera industrial
Ministra de Asuntos Exteriores y Cooperación Trinidad Jiménez Garcia-Herrera Licenciada en Derecho
Ministro de Justicia Francisco Caamaño Domínguez Doctor en Derecho
Ministra de Defensa Carme Maria Chacon Piqueras Doctora en Derecho
Ministro de Fomento José Blanco López Estudios de Derecho sin terminar
Ministro de Educación Ángel Gabilondo Pujol Catedrático de Metafísica
Ministro de Trabajo Valeriano Gómez Licenciado en Ciencias económicas y Empresariales
Ministro de Industria y Comercio Miguel Sebastian Gascon Doctor en Economia
Ministra de Medio Ambiente, Rural y Marino Rosa Aguilar Rivero Licenciada en Derecho
Ministro de la Presidencia Ramón Jáuregui Atondo Licenciado en Derecho y Perito industrial
Ministra de Cultura Ángeles González-Sinde Reig Licenciada en Filologia Clásica y estudios de Cinematografia
Ministra de Sanidad Leire Pajín Iraola Licenciada en Sociologia
Ministra de Ciencia e Innovación Cristina Garmendia Mendizábal Doctora de Biologia Molecular

Tabela em Googledocs

No caso da Xunta de Galiza que nos tocou sofrer:

Presidente da Xunta Alberto Núñez Feijoo Licenciado em Direito
Conselheiro de Presidência, Administraçons Públicas e Justiza Alfonso Rueda Valenzuela Licenciado em Direito
Conselheira de Fazenda Marta Fernández Currás Licenciada em Ciências Econômicas e Empresas
Conselheiro de Economia e Indústria Javier Guerra Licenciado em Econômicas
Conselheiro de Educaçom e Ordenaçom Universitária Jesús Vázquez Abad Doutor em Ciências Econômicas e Empresas
Conselheira de Sanidade Pilar Farjas Abadía Licenciada em Medicina
Conselheiro de Médio Ambiente, Território e Infraestruturas Agustín Hernández Fernández de Rojas Engenheiro de Caminhos
Conselheiro de Médio Rural Samuel Jesús Suárez Casado Veterinário
Conselheiro de Cultura e Turismo Roberto Varela Fariña Licenciado em Filosofia
Conselheira de Trabalho e Bem-Estar Beatriz Mato Otero Engenheira Industrial
Conselheira do Mar Rosa Maria Quintana Carballo Doutura em Biologia

Tabela em Google Docs

Poucas conclusons que tirar destes dados. Se calhar que no Estado Espanhol segue-se a tônica da política moderna da onipresença de estudos de direito. E que na Galiza cumpre-se a norma de que por mui preparados -e surprendentemente em concordância com os seus postos- que estejam, se os indivíduos som uns incompetentes o resultado nom varia.

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Editora Txalaparta difunde na rede livro censurado sobre tortura no Estado Espanhol http://odemo.blogaliza.org/2010/12/30/editora-txalaparta-difunde-na-rede-livro-censurado-sobre-a-tortura-no-estado-espanhol/ Thu, 30 Dec 2010 11:02:57 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1997 Umha das muitas mentiras insistentes do Estado Espanhol, e dos média afins do regime, é a contínua negaçom da tortura no processo policial-judicial. A pesar dos milheiros de denúncias – quase 6.o00 nos últimos 10 anos- e dos informes de entidades internacionais  que denunciam que a agressom física e psicológica é ferramenta de uso comum na estratégia de estado a muitos níveis, todos os estamentos espanhois arrenegam da evidência. Porem, por muito que mintam e ocultem o facto é que o recurso da tortura é contínuo, sistemático e orgánico, bem como “arma antiterrorista” -porque na doutrina espanhola “contra o terrorismo todo vale”- bem como procedimento habitual em detençons e processos “menos extremos”. E quando alguém eleva a voz e denúncia, o estado e os média recorrem a um bem ensaiado manual de difamaçom e calúnia para ocultar a sua ignomínia: falam sem pudor dum “manual do terrorista” que converteria a denúncia da tortura numha ferramenta de “desprestígio”, e nom na desesperada chamada por ajuda que é.

A sociedade espanhola -e com isto falo desse estrato de gente baixo o governo do Estado espanhol que acredita estar numha democracia real,  sob um estado de direito e  garante dos direitos humanos. E que ademais acredita em que o maior perigo para eles é “la lacra de ETA”- é plenamente consciente da existência da tortura, porém nom existe nenhum remorso, e de existir é mínimo e matizado. Falsamente acreditam em que eles nom tenhem nada que temer, que as agressons, as violaçons, os “interrogatórios duros” som poucos, espalhados e só concentrados sobre os malvados etarras. A cortina de fume é tam eficaz, a mentira tam densa e aceitada que nom é preciso para eles o esforço de construírem um duplo-pensar orwelliano: podem aceitar a tortura porque nom conhecem o verdadeiro significado da palavra, nem a sua verdadeira magnitude em número de casos reais, porque é algo alheio. E sobretodo porque é algo que em última instância é útil para eles, para os proteger do coco do perigo terrorista construído polo aparelho do estado.  Essa é a terrível verdade: a tortura é tolerada porque é útil.

Todo isto e muito mais é o que o Xabier Makazaga denúncia na sua obra de referência Manual del torturador español. Um livro enchido dos dados da vergonha para Espanha, um volume que retrata polo miudo a estrategia do terror e da dor à que se adscrevem sem pestanejar as forças do estado. Caso por caso Makazaga desmonta o construto de falsidades que protegem, ocultam e justificam a tortura policial, sem que lhe trema o pulso no processo. Por isso, como qualquer livro bom, é umha ameaça para o estado das cousas. E por isso o binomio PSOE-PP procura desde há meses a sua destruçom. Já conseguiram banir, com um plam coordenado a todos os estratos do governo (estatal, autónimo e dos concelhos) que retirou o livro das prateleiras das bibliotecas, e pouco depois da das librarias. Um processo de censura feito à vista do público, sabendo que a sociedade está tam adurminhada e aparvada que nom reagirá, sequer com curiosidade ante “esse livro tam terrível”. Se os fieis à democracia espanhol se reuniram na praça para queimarem o livro fisicamente o resultado nom seria mui diferente.

Com todo nom se podem parabenizar tam aginha: Internet mudou todo, e fixo muito mais difícil a censura. A editora Txalaparta deu um passo valente, e com o prace do autor, publicou na aranheira umha versom descarregável da obra. Para que todo o mundo poda mergulhar nas suas páginas e horrorizar-se com a terrível verdade.  Assim que só podo recomendar a sua descarga e difussom máxima, contra todos os esforços de ocultaçom, contra todas as mentiras e contra todo o terror espanhol. Dous centos de páginas inegáveis e imprescindíveis. Fagam o esforço, acordem.

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Essa mirada obrigava… http://odemo.blogaliza.org/2010/12/21/essa-mirada-obrigava/ http://odemo.blogaliza.org/2010/12/21/essa-mirada-obrigava/#comments Tue, 21 Dec 2010 20:28:14 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1990

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Kant e jamons http://odemo.blogaliza.org/2010/12/20/kant-e-jamons/ http://odemo.blogaliza.org/2010/12/20/kant-e-jamons/#comments Mon, 20 Dec 2010 15:07:19 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1982

Eis a minha reflexom sobre a criança muçulmana que nom queria que falaram de jamons na sua aula. Para mim nom é umha questom de migraçom, choque de culturas ou adaptaçom dos migrantes; como muitos opinantes querem fazer ver. Ante esses fatos eu só vejo a defesa da racionalidade face os caprichos da religiom de plantom. Hoje é o  muçulmano que nom quer que se fale de jamons, amanhá a testemunha de Jeová que aborrece a campanha pro-doaçom de sangue feita na universidade, e depois -bom, realmente já levam tempo- os católicos que nom querem que os seus filhos aprendam que homens e mulheres tenhem os mesmos direitos, independentemente de com quem se deitarem.

As proibiçons, obsessons, filias e fobias das religions som totalmente arbitrárias. Só obedecem a abstrusas fontes “iluminadas” que só tiveram algo de senso nas comunidades de pastores analfabetos nas beiras do Crescente Fértil há 4.000 anos. E as normas que derivam delas só têm um sentido, sempre subjetivo, para quem acredita na existência da sua miriada de pantasmas. Qualquer concessom para elas no âmbito público, qualquer retrocesso da raçom fronte delas, qualquer “aceptaçom pola convivência”  remata no encrequenamento ante todos os seus delírios de lóbulos frontais sobressaltados e pre-epilépticos. Desde o momento que cedemos nalgo para eles nom existe nenhum critério de demarcaçom que nos diga qual doutrina dumha religiom -e que religiom- tem que ser negada se antes concedemos ante outra, E as conseqüências som piores quando falamos da educaçom das crianças, inocentes ferramentas políticas das agendas dos seus progenitores.

Se aceitamos nom falar de jamons ou porcos polos muçulmanos, de igualdade de sexos e orientaçons sexuais polos cristians… entom nom falaremos de séries de números naturais para nom incomodar a um possível pitagórico que considere que esse conhecimento é mistérico e só reservado para os iniciados, queimaremos os livros de história da arte por respeito a algum ortodoxo iconoclasta, e assim at infinitum. E amanhá surgirá um novo culto que considere que a arquitetura post-románica é herética, ou que a lei de gravitaçom é insultante. E se o que queremos é demonstrar coerência -que os peticionários nom tenhem- calaremos e aceitaremos…

A única maneira racional de afrontar estas questons é ter sempre presente que o único lugar para as crenças religiosas é, como muito, o âmbito pessoal. Qualquer manifestaçom religiosa no mundo público remata numha perda de direitos -que lembremos temos graças as lutas humanistas que fugiam da obscuridade do mundo dominado pola religiom- e num emprobrecemento moral.  Os sacrifícios, ódios e dietas que alguém queira aceitar por aderir umha crença devem ser satisfeitos só por ele, e só com o seu esforço. Se alguém nom “pode” comer porco, ou cogombros, ou com cuitelos, ou animais nom é o comedor escolar quem tem de se preocupar: leva um tapper da casa com os manjares que satisfagam as paranoias do teu deus de eleiçom. O pessoal de cozinha já está suficientemente ocupado cozinhando e desenhando umha ementa saudável com um orçamento paupérrimo, ou satisfazendo necessidades baseadas em feitos reais -como as dum celíaco ou um diabético-. E isso vale também para o pessoal médico, do ensino ou público. Eu para qualquer de nós quando se confrontar com algumha destas è petiçons. Só quem acredita nas fantasias das religions estám obrigados a brigar com esses medos.

E para rematar, se algo do que eu digo, fago ou levo che resulta ofensivo cuido que a meirande parte dos teus deuses concordam em que és ti quem tem que arrincar um olho, e nom eu quem tem de se cobrir.

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O homem que envelenou os Jogos Olímpicos http://odemo.blogaliza.org/2010/04/24/o-homem-que-envelenou-os-jogos-olimpicos/ Sat, 24 Apr 2010 15:53:24 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1897

Após a morte de Juan Antonio Samaranch, ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional, as TV e media espanhois encherom-se de panegíricos à sua fígura. Todas as denúncias do seu passado de servilismo fascista e adulaçom à figura do ditador Franco forom contestadas com acussaçons de “honra dos mortos” e argumentos que tomavam a sua base na “magnífica labor desportiva dos últimos 30 anos”.  O reino dessas fantasias remata onde remata o próprio Reino de Espanha. Os jornais do resto do planeta referirom a sua morte no contexto real:  O do homem que corrompeu para sempre o espírito das Olimpíadas. O homem que permitiu que a África do Sul boer continuasse com o Apartheid até na seleiçom dos seus atletas. O homem que fixo do nepostimo umha arte. Acho que  este artigo de The Times é um bom resumo da verdadeira dimensom da sua figura, por isso deixo o resto desta entrada para umha traduçom.

O Homem que roubou a inocência dos Jogos Olímpicos

Juan Antonio Samaranch presidiu a criaçom das fortunas ligadas com las Olimpíadas e a morte dos seus ideais.

Matthew Syed.

[Copyright 2010 Times Newspapers Ltd. Traduzido com licença do serviço de sindicaçom de The Times]

Se você quiger entender a evoluçom da corrupçom institucionalizada, um bom lugar para começar nom é o Palácio de Westminster ou a City de Londres, mas num edifício palaciano na cidade suíça de Lausanne. Foi aqui que Juan Antonio Samaranch, que morreu ontem, arquitetou o movimento olímpico moderno há mais de duas décadas, transformando uma organizaçom desportiva amadora em um colosso empresarial.

Em 1980, quando Samaranch se tornou presidente do Comitê Olímpico Internacional, a organizaçom recebia uns ingresos por retransmisons televisivas e patrocínios que eram mensuráveis em dezenas de milhons de dólares.  No momento da sua partida em 2001, tinha bilhons nos seus cofres. Os anéis olímpicos, umha vez  um símbolo das esperanças e aspiraçons dos atletas dos cinco continentes, estavam agora entre os símbolos das  empresas mais lucrativas do planeta, protegidos por copyright e explorada por um exército de vendedores.

Nada dessa comercializaçom poderia ter importado, e poderia mesmo ter sido umha força para obem, exceto por um simples – e fatal – fato.  Mentras se derramava o dinheiro no IOC e o mundo maravilhava-se com a transformaçom dos Jogos, a organizaçom em si continuava a definhar nas idades escuras. Nom había nengumha analise das contas, nengumha auditoria, nengum controlo. E,  em pouco tempo, com inevitabilidade poética, desapareceu toda inibiçom entre os membros do COI,  que começaram a aceitar subornos em umha escala que faz que o escândalo das despesas do MPs  pareça pintoresco.
Samaranch alterou as regras para que os membros do COI nom tivessem que pagar os custos das  suas viagens, insistindo em vôos de primeira classe, hotéis cinco estrelas e um luxo dumha escala que deixava os atletas sem palavras. O espanhol reservou a maior extravagância para si mesmo, exigindo a suíte presidencial do melhor hotel em  todas as cidades que visitava,  uma limousine com chofer e que empregassem com ele o título de  “Vossa Excelência”. Ele também faturava ao COI a utilizaçom de umha suíte no Hotel Palace, em Lausanne, sempre que ele estava visitando a sede olímpica.

Com o tempo, e na forma de cancro da vulgaridade consagrado polo tempo,  a noçom do que lhes estava permitido os membros do COI atingiu proporçons grotescas. Já em 1991, sete anos antes do escândalo de Salt Lake City, os membros foram dispensados com tantos presentes de cidades candidatas para os Jogos Olímpicos do Inverno de 1998 que o COI teve que montar uma estaçom de encomendas postais no hotel Hyatt Regency para ajudar a delegados enviarem os regalos às suas residências.

“Tratava-nos como realeza, com limusines, serviço completo, suítes nos melhores  hoteis,” declararia depois  Robert Helmick, ex-Presidente do Comité Olímpico dos E.U. “A minha esposa estava com medo de sair de compras. Descobriu que se dizia que gostava de algo, o dia seguinte esse algo iria aparecer no nosso quarto. Broches de pérolas, brincos caríssimos.  E nom se fazia nada para o evitar. Começavas a pensar que mereciamos isso. O que você tem é um grupo de boas pessoas capturadas num sistema que se tornou corrupto. ”

Os jornalistas começaram fazer soar as campainhas de alarme e os denunciantes começaram emergir no seio das organizaçons implicadas, mas Samaranch continuou a fazer vista grossa. Os membros do COI eram umha elite auto-eleita, com muitos membros devendo a sua designaçom ao mecenato do presidente, e o espanhol nom tinha intençom de alterar a sua base de poder removendo as regalias. Como Andrew Jennings, co-autor de “Lords of the Rings”, escreveu:  “A corrupçom tornou-se a lubrificaçom da indústria Olímpica”

Somente após o escândalo de Salt Lake City  em 1998 – com acusaçons de milhons de dólares a serem pagos aos membros do COI corruptos –  Samaranch agiu. Uma investigaçom levou à expulsom de seis membros e a renúncia de outros quatro, embora declarou inocente ao presidente.  Novas regras, incluindo a proibiçom de presentes ou a visitas às cidades candidatas, foram postas em prática. Se  som suficientes para assegurar que umha organizaçom, cuja riqueza continua a crescer,  permaneça no caminho reto.

O poder desenfreado de Samaranch sobre a organizaçom que governou por 21 anos, ilustrase melhor nos seus últimos dias como presidente. No verao de 2001, como o movimento olímpico preparado para ungir o seu sucessor, Samaranch nomeou seu próprio filho, Juan Antonio Junior, um empresário de Madri e vice-presidente da Federaçom Internacional de Pentatlo Moderno, para se juntar nod postos mais elevados do COI . A votaçom foi ganha por umha maioria esmagadora de 71-27.

Samaranch, que continuaria a se mover por muitos anos de forma proeminente nos círculos olímpicos  como presidente vitalíciodo COI, beijou seu filho em ambas as faces e apertou seu braço durante a formal cerimônia de posse, em Moscova. Acusado de nepotismo, o presidente cessante demonstrou indiferença serena. “Eu propus o meu filho com o acordo do conselho executivo do COI, porque eu acho que o meu filho pode ser um bom membro do COI”, disse ele. “Isso nom é tam importante.”

Os jovens de todo o mundo sonham com o Ouro Olímpico. Das planícies da África às ruas empoeiradas do Rio de Janeiro, de Manchester a Manila, as novas geraçons de atletas aspiram subir ao pódio para habitarem por sempre na imaginaçom do planeta. O mandato de Samaranch nom foi apenas umha traiçom dos valores que representa o movimento olímpico, foi uma traiçom aos sonhos. Era como se o esforço colectivo dos atletas do mundo – os homens e mulheres que teriam que ser os protagonistas dos Jogos – fossem apenas água para o moinho da corrupçom executiva

No início do século passado, o Barom Pierre de Coubertin, aristócrata fundador do movimento olímpico moderno, ofereceu a seguinte reflexome: “O dia em que um atleta deixar de pensar na felicidade fruto do seu próprio esforço e na embriaguez da força e equilíbrio físico derivada dele, o dia em que ele deixar as consideraçons de vaidade ou interesse assumir o mando, neste dia o seu ideal vai morrer. ”

Mal sabia o francês perceber que a suas palavras se revelariam proféticas, descrevendo com precioim arrepiante o caminho ruinoso tomado pola organizaçom que se esforçou tanto para criar.

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Algo mais de informaçom:

+ The Olimpics, a History of the modern games, Allen Guttmann

+ Why Juan Antonio’s right arm is more muscular than his left, Andrew Jennins

+” Juan Antonio Samaranch valora la figura de Franco con motivo de su muerte”, arquivo de RTVE

+ Democràcia i Dignitat a l’Esport

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Ela, no senso mais pejorativo http://odemo.blogaliza.org/2010/02/25/ela-no-senso-mas-pejorativo/ http://odemo.blogaliza.org/2010/02/25/ela-no-senso-mas-pejorativo/#comments Thu, 25 Feb 2010 18:43:03 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1816

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