Mundo mundial – O demo me leve http://odemo.blogaliza.org "Si eu fixen tal mundo, que o demo me leve" Mon, 16 Apr 2012 18:11:04 +0000 gl-ES hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.1 Apontamentos de Fukushima http://odemo.blogaliza.org/2011/03/12/apontamentos-de-fukushima/ http://odemo.blogaliza.org/2011/03/12/apontamentos-de-fukushima/#comments Sat, 12 Mar 2011 16:30:35 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=2033 Levo desde ontem comentando e seguindo em twitter o acidente nuclear nas planta de Fukushima, após o tremor de terra em Japom. Também estou tentando responder, na medida que a minha formaçom de físico permite, as perguntas doutros twitteiros sobre o tema. Cuido que podo formalizar as dúvidas e a informaçom num artigo no blogue, como segue.

Que é a central de Fukushima e TEPCO?

Bem, a usina afeitada realmente é um complexo de produçom formado por várias instalaçons. A mais afeitada polo tremor e a que vemos nas notícias é Fukushima-INPP ou Fukushima Da-ichi. Está sita na cidade Okuma, no distrito de Futaba, na prefeitura de Fukushima, uns 200 km ao norte de Toquio. É umha das dez usinas nuclares mais grandes do mundo, formada por 6 reactores que geram um total de 4.7 GW de potência. Fukushima Da-ichi é um dos grandes orgulhos da engenharia japonesa, pois foi a primeira usina construida integramente pola Tōkyō Denryoku Kabushiki-kaisha ou TEPCO, a mais grande companhia eléctrica do Japom e a quarta do mundo.

TEPCO produz aproximadamente a terceira parte da electricidade que Japom consome, ou o que é o mesmo, a que precisam num ano estados como Itália ou Espanha. Para que fagam umha ideia do tamanho descomunal da empresa. A história de TEPCO nom está livre de grandes escándalos a nível japonês, sendo o mais grande o e 2002 no que se demostrou que durante décadas a empresa ocultara e obstaculizara os informes sobre as suas centrais nucleares. O presidente da empresa daquela, Nobuya Minami, foi obrigado a demitir e todas as suas usinas nucleares forom fechadas para mantemento e revisom. Cinco anos depois a nova direiçom de TEPCO informou de centos de dados falsos que os responsáveis da fraude passaram às autoridades, mas nunca se indentificarom os culpáveis.

Volvendo ao desenho de Fukushima: Três reactores forom construidos com General Electric, outros dous por Toshiba e um Hitachi. Os reactores mais afeitados, o 1 e 2 som de General Electric e nom som os mais potentes da central, mas sim os mais velhos, construidos em 1970 pola construtora Kajima. O resto datam de finais dos 70. Existe um plano para engadir dous novos reactores avançados para 2013.

Como funciona a central de Fukushima Dai-Chi?

Todos os reactores em funcionamento na central som do modelo BWR, siglas em inglês para: Reactor de Auga Fervendo. É um tipo de reactor desenhado originalmente por General Electric e o Laboratório de Energia Nuclear de Idaho na década dos 50 e que tem o seu irmao no RBMK soviético, tristemente conhecido por Chernobyl.

O núcleo do reactor está formada por barras de combustível radiactivo, como a da esquerda. O material nelas desintegra-se de forma natural, mas cada barra por separado nom produz neutrons abondo para começar uma reacçom em cadea, que fai que os neutrons emitidos batam contra os átomos do combustivel, produzindo novas fisions nucleares e mais neutrons, e calor, no processo. No núcleo do reactor, umha enorme estrutura de cemento, introducem-se estas barras.

Para moderar a quantidade de neutrons que intercambiam estas barras de combustível entre elas insertamos os chamados hastes de controle (control roods) mui parecidos às de combustível. Estam formados por diversos materiais que tenhem a capacidade de absorver neutrons da reacçom, impedindo que novos átomos de combustível sejam alcançados. Retirando parcialmente ou variando a distância entre os hastes e o combustível os técnicos podem controlar a velocidade da reacçom, e a quantidade de energia que libera. Nos BWR os hastes som introduzidos desde abaixo por máquinas hidráulicas de enorme precissom. Veremos mais adiante o porquê dessa disposiçom.

Bem, dizemos que os BWR chamam-se assim porque trabalham com vapor de auga. O núcleo, a enorme estrutura que contem o combustível e os hastes de controle está afundido numha piscina de auga ligeira -isto é, destilada, sem a menor traça de minerais, para evitar a corrossom- e que s asemelha a algo assim:

Essa auga tem duas missons, umha secundária de absorçom dos neutrons que poidam escapar aos hastes de controle, e outra primária que é retirar o calor gerado pola reacçom nuclear.  A auga é excelente nesse trabalho polas suas propriedades térmicas, e com esse aporte de energia transforma-se em vapor. A vasilha do núcleo -o espaço da piscina- está a mui alta pressom, umhas 75 atm -75 vezes a pressom que nós experimentamos a nível do mar-  e só evapora a uns 300º graus centígrados. O vapor está mui quente e leva muita pressom, isto é muita energia, esse vapor é retirado da vasilha por umhas conducçons e levado a outro compartimento onde move umhas turbinas de alta pressom, gerando electricidade -como nas centrais térmicas, hidroeléctricas ou eólicas-. O vapor vai depois a um dissipador onde se enfria por um refrigerante externo -normalmente auga- volta a ser líquido e entra de novo na vasilha do reactor.

Cada umha das secçons está ilhada, de forma que a agua que entra e sai do reactor nunca entra em contacto com o refrigerante do dissipador.

Um reactor BWR tem vários sistemas de controle, entre os que estam a quantidade e forma dos hastes de controle -podem ser introduzidos uns poucos, muitos, até certa altura, etc- a velocidade à que se fai fluir a auga da vasilha e o vapor,  a temperatura do refrigerante exterior e a velocidade com que este passa polo dissipador.

Que passa normalmente em caso de acidente?

Pois o normal, o desejável, é que se apaguem os reactores. Isto fai-se introducindo totalmente os hastes de controle no núcleo, de maneira que a meirande parte dos neutrons deixam de circular entre as barras de combustível e a reacçom nuclear vai-se apagando. Isto leva um tempo, e a temperatura do núcleo segue a ser elevada, porque a auga ainda tem que se evaporar e aquecer o núcleo. Tampouco é possível deter de todo a reacçom, porque os materiais seguem o seu decaimento natural, ainda que nom existam neutrons engadidos das outras barras. Os sistemas de refrigeraçom ponhem-se a trabalhar e a temperatura e pressom do sistema fica estável.

Os engenheiros e físicos nucleares decidem em cada caso a quantidade de hastes e a velocidade de refrigeraçom mais adequadas para levar o núcleo a umha situaçom de seguridade. Se todo vai bem o núcleo sai da zona de perigo numhas horas. O principal problema neste caso é econômico porque se todos os hastes som introducidos e o reactor parado -o que se chama “assassinar o núcleo”- quando o perigo passe é necessário reiniciar a reacçom nuclear desde o começo, o que chamamos “fazer crítico o núcleo”, um processo que consome muito combustível nuclear e que leva bastante tempo -no qual nom se produz energia-. Por isso normalmente rebaixa-se a actividade no núcleo até níveis mínimos, que podam ser contidos com os sistemas de refrigeraçom, mas sem desligar de todo a reacçom nuclear. Depois podem-se ir retirando os hastes e a reacçom continuará com um menor custo. Como vemos esta é umha decissom económica e nom técnica… por desgraça.

Que causou a situaçom de perigo em Fukushima?

O tremor de terra, um dos mais grandes da história e de magnitude 8,9 -outro dia escreverei um artigo sobre o que significa isso- afectou a muitas estruturas industriais. O núcleo, a vasilha e o edifício do reactor e da turbina nom se virom afectados. Essa parte das centrais som as estruturas melhor desenhadas do planeta terra, capaces de resistir quase todo. Metros e metros de cimento desenhado com vistas a tremores até 5 vezes mais potentes… isso nos paises “normais”, em Japom as condiçons som ainda mais seguras. O problema é que o sistema depende doutras estaçons exteriores para alimentar os sistemas de controle, e sobretodo, duns motores diesel que mantenhem o fluxo de refrigerante externo cara o dissipador.

Segundo a NEI (Nuclear Engineering International) o 11 de Março  os três primeiros reactores forom apagados automáticamente durante o tremor, isto é: Os seus hastes de controle começaram a se meter no nucleo até o fundo. E os outros reactores entraram em “fasse de controle”, com a reacçom nuclear mantida no mínimo, confiando nos sistemas de refrigeraçom para baixar a temperatura e a pressom a níveis seguros.

Mas segundo dados da Agência Internacional de Energia Nuclear o tsunami danou os geradores diesel. No começo pareciam funcionar bem, mas depois dumha hora desligarom. O refrigerante nom está a entrar no disipador todo o rápido que este precisa para voltar líquido a auga branda do reactor, e esta entra nele com altas temperaturas e pressom. Ativarom-se as baterias de emergência e declarou-se o estado de idem. Estas baterias tenhem umha capacidade de 8 horas e permitem manter os controis e as valvulas em funcionamento.

A media noite TEPCO informou que a pressom dentro do reactor era demasiado alta. Podedes ver porquê: A auga volta para o núcleo mui quente e cada vez há mais vapor e mais quente na vasilha. A pressom aumenta, e isso pode fazer que as paredes rachem. Segundo dados de TEPCO a pressom na vasilha do reactor 1 era 2,1 vezes a máxima aceitável por seguridade. TEPCO comunicou que ia deixar escapar umha pequena quantidade de vapor de auga num segundo espaço redundante para aliviar a pressom e deixar que se escape à atmosfera, onde os ventos levaram cara o mar e onde os subprodutos residuais que absorve a auga da piscina do núcleo se dissipariam. O gas liberou-se umhas horas depois, mas há dados contraditórios sobre a quantidade e a radioactividade do mesmo.

Por desgraça a temperatura no reactor 1 segue subindo pola falta de refrigeraçom -ou se calhar porque o apagado no foi completo- e o reactor 2 também emite dados de problemas de refrigeraçom.

Que passa com a explosom?

Segundo informam agências de notícias e gente na zona, e um vídeo, umha grande explosom sucedeu nestas horas. Parece que algum dos geradores auxiliares estourou, prendendo o hidrógeno que se emprega nos sistemas de refrigeraçom secundários. Segundo gente da Associaçom Nuclear Internaciona parte da estrutura contedora exterior ficou derrubada.

As informaçons nos arredores da planta falam de que a radiaçom chega aos 1,015 mSv por hora. Para fazer umha ideia, num ano umha pessoa que viva num ambiente normal urbano receve uns 2 mSv. A configuraçom granítica da Galiza e o radon fai que nós levemos de média uns 2,3 mSv anuais. As daninas mortais para a saude começam com um 1Sv (1000 mSv) -que causa nausea-, com mais de 2 Sv numha hora aparece a perda de cabelo e as hemorragias internas. Mais de 5 Sv som mortais num 50% dos casos em menos dum mês. 6 Sv ou mais matam num praço de horas.

Qual é o pior cenário?

Sendo mui pessimistas, e se a refrigeraçom nom consegue arrefecer o núcleo a pressom subirá e rematará por estourar as paredes exteriores. Isto liverará umha grande massa de vapor de auga radiactivo que poderia contaminar grandes zonas. O nível de radiaçom neste caso nom seria nem de longe tam alto como Chernobyl, mais seguramente danará a saúde de muitas pessoas em Japom. Porém nom será pior que os efeitos de Hiroshima e Nagasaki durante estes 70 anos. Depois disto o núcleo seguirá arrefriando com o ar e o chao, e emitindo radiaçom, os níveis dependeram do desenho e do que fagam as autoridades. Se acreditamos na palavra de TEPCO e do governo japonês os hastes estám já dentro do nucleo, assim que nom é possível umha “fusom do núcleo”. O pior cenário está contido.
Se isto chega a passar imagino que o protocolo a seguir será botar grandes quantidades de auga de mar sobre o edifício com helicópteros e avions cisterna -o sódio da auga é um bom “assassino de neutrons”- e engadir também ácido bórico, outro bom elemento para estes casos. A evaporaçom destes elementos aumentará a contaminaçom radiactiva da atmosfera mas evitará que o núcleo emita a prazer durante muito tempo até o seu apagado “natural”.

Se resulta que os hastes nom estám bem dentro, que houvo danos no sistema hidráulico e que a reacçom segue retroalimentándo-se… pois entom teremos mais problemas: A temperatura do núcleo subirá sem controle a falta de refrigeraçom eficaz, chegando ao ponto em que o combustível, os hastes de controle e até o formigom do núcleo se fundam como se fossem lava. Umha lava radiactiva que produz o seu próprio calor e funde o material co que topa, engadindo mais massa e complicando a contençom da radiaçom.

Isto só poderá ser contido polo chamado “bioescudo”, capas e capas de formigom sob o núcleo que tentaram reter e evitar o progresso da lava.  No pior dos casos o cório ultrapassará estas barreiras e tocará o chao da terra, onde se afundirá umha dezenas de metros -nom, umha Sindrome de China nom é possível-. Todo este processo ceivará muitíssima mais radiactividade que todo o anterior, em forma de gases de combustom, e particulas puras. A massa de cório já nom será controlável porque a sua amorfa e a sua enorme temperatura faram impossível umha refrigeraçom eficaz, ou que se engadam assassinos de neutrons para deter a reacçom. Na última instância a opçom será soterra todo isto baixo mais formigom, construir um sartego como o de Chernobyl que contenha a radiaçom, selar umha área duns 50 km à redonda onde a vida humana estará banida, e aguardar uns quantos milheiros de anos a que o combustível se consoma.

Os efeitos a nível mundial seriam, sempre, menores que os de Chernobyl. Principalmente porque o reactor de Fukushima nom tém um núcleo de grafita que poida arder em caso de fusom, ceivando gases de combustom fortemente radiactivos. Essa é umha das principais vantagens do desenho.

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Estudos dos políticos espanhóis e galegos http://odemo.blogaliza.org/2011/01/22/estudos-dos-politicos-espanhois-e-galegos/ http://odemo.blogaliza.org/2011/01/22/estudos-dos-politicos-espanhois-e-galegos/#comments Sat, 22 Jan 2011 19:50:07 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=2009 Lia hoje pola manhá um artigo que opinava sobre as diferentes distribuiçons de estudos entre os governantes de China e os EUA (e outros mais). O autor quer tirar disto conclusons  mui fisgadas, como que o perfil inclinado cara o direito dos governantes americanos influi na “sua defesa dos direitos humanos” mentres que o perfil “técnico e cientista” dos chineses fai que se importem menos destes. O facto de que os direitos humanos som violentados em igual ou superior medida polos EUA que na China nom se tem em conta. Porem a informaçom sobre os estudos dos políticos das duas super-potências pareceu-me muito interessante, e levou-me a umha pequena investigaçom sobre a formaçom dos nossos políticos e dos do estado espanhol.

Presidente del Gobierno y Jefe del Consejo de Ministros Jose Luís Rodríguez Zapatero Licenciado en Derecho
Vicepresidente Primero, Ministro del Interior y Portavoz del Gobierno Alfredo Pérez Rubalcava Doctor en Ciencias Químicas
Vicepresidenta Segunda y Ministra de Economia Elena Salgado Méndez Doctora en Económicas e Ingeniera industrial
Ministra de Asuntos Exteriores y Cooperación Trinidad Jiménez Garcia-Herrera Licenciada en Derecho
Ministro de Justicia Francisco Caamaño Domínguez Doctor en Derecho
Ministra de Defensa Carme Maria Chacon Piqueras Doctora en Derecho
Ministro de Fomento José Blanco López Estudios de Derecho sin terminar
Ministro de Educación Ángel Gabilondo Pujol Catedrático de Metafísica
Ministro de Trabajo Valeriano Gómez Licenciado en Ciencias económicas y Empresariales
Ministro de Industria y Comercio Miguel Sebastian Gascon Doctor en Economia
Ministra de Medio Ambiente, Rural y Marino Rosa Aguilar Rivero Licenciada en Derecho
Ministro de la Presidencia Ramón Jáuregui Atondo Licenciado en Derecho y Perito industrial
Ministra de Cultura Ángeles González-Sinde Reig Licenciada en Filologia Clásica y estudios de Cinematografia
Ministra de Sanidad Leire Pajín Iraola Licenciada en Sociologia
Ministra de Ciencia e Innovación Cristina Garmendia Mendizábal Doctora de Biologia Molecular

Tabela em Googledocs

No caso da Xunta de Galiza que nos tocou sofrer:

Presidente da Xunta Alberto Núñez Feijoo Licenciado em Direito
Conselheiro de Presidência, Administraçons Públicas e Justiza Alfonso Rueda Valenzuela Licenciado em Direito
Conselheira de Fazenda Marta Fernández Currás Licenciada em Ciências Econômicas e Empresas
Conselheiro de Economia e Indústria Javier Guerra Licenciado em Econômicas
Conselheiro de Educaçom e Ordenaçom Universitária Jesús Vázquez Abad Doutor em Ciências Econômicas e Empresas
Conselheira de Sanidade Pilar Farjas Abadía Licenciada em Medicina
Conselheiro de Médio Ambiente, Território e Infraestruturas Agustín Hernández Fernández de Rojas Engenheiro de Caminhos
Conselheiro de Médio Rural Samuel Jesús Suárez Casado Veterinário
Conselheiro de Cultura e Turismo Roberto Varela Fariña Licenciado em Filosofia
Conselheira de Trabalho e Bem-Estar Beatriz Mato Otero Engenheira Industrial
Conselheira do Mar Rosa Maria Quintana Carballo Doutura em Biologia

Tabela em Google Docs

Poucas conclusons que tirar destes dados. Se calhar que no Estado Espanhol segue-se a tônica da política moderna da onipresença de estudos de direito. E que na Galiza cumpre-se a norma de que por mui preparados -e surprendentemente em concordância com os seus postos- que estejam, se os indivíduos som uns incompetentes o resultado nom varia.

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Temede, porque é algo que nunca vichedes antes http://odemo.blogaliza.org/2010/12/20/1978/ Mon, 20 Dec 2010 00:51:14 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1978 Sobre o tema Wikileaks quero deixar por escrito umha pequena reflexom.

Há uns dias, nos telejornais da TVE, Javier Solana – Ex Alto Representante da Uniom para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança- falava sobre a as filtraçons da página. Afirmava literalmente:

Para que o trabalho diplomático, tal é como entendemos- poda existir é necessário certo nível de discreçom,

O que nom parece entender Solana, nem os comentaristas, nem jornalistas, espertos e políticos vários que tratam o tema das cabos filtrados é o objectivo final da organizaçom representando por Julian Assange. Se se molestaram em ler ou escutar algo do material que desde anos distribuem os trabalhadores nesse projecto entenderiam a sua verdadeira razom de ser: Wikileaks nom persegue só denunciar as mentiras, os delitos e as ocultaços cometidas polos governos às costas dos seus cidadans, Wikileaks procura que fazer isso novamente seja impossível. Esse é o seu objectivo fundacional, e o que os converte em algo revolucionário e único: Nom som só as vigias dos governos, som o começo dumha revoluçom cultural e informativa que procura a destruiçom total dessa impostura mundial.

What does censorship reveal? It reveals fear.
-Julian Assangue.

P.S.: Em breves publicaremos algumhas traduçons de artigos de Assange sobre as bases intelectuais de Wikileaks.

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Save Wikileaks http://odemo.blogaliza.org/2010/12/03/save-wikileaks/ http://odemo.blogaliza.org/2010/12/03/save-wikileaks/#comments Fri, 03 Dec 2010 17:12:35 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1975

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“Nobel da Guerra para os senhores do Nobel da Paz” artigo de Domenico Losurdo http://odemo.blogaliza.org/2010/10/17/nobel-da-guerra-para-os-senhores-do-nobel-da-paz-artigo-de-domenico-losurdo/ http://odemo.blogaliza.org/2010/10/17/nobel-da-guerra-para-os-senhores-do-nobel-da-paz-artigo-de-domenico-losurdo/#comments Sun, 17 Oct 2010 12:25:01 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1968 Após ler este artigo de Domenico Losurdo em Voltairenet decidi fazer umha traduçom para português padrão.

“Nobel da Guerra” para os senhores do “Nobel da Paz

por Domenico Losurdo.

Um duro debate deflagrou na Austrália nas últimas semanas. Num artigo publicado no Quartely Essay e do que alguns traços foram avançados no The Australian, Hugh White emitiu um aviso de chamada sobre uma série de processos actualmente em execução.

Ante a ascensão da China, Washington está a responder com a tradicional política de “containment ( que pode ser traduzido como política de contenção), mediante o ameaçante fortalecimento do seu potencial e alianças militares.

Como resposta, Pequim não se deixa intimidar nem “conter”. Tudo isto pode resultar numa polarização das alianças opositoras na Ásia e dar origem a um “risco real e crescente de grande guerra e até de guerra nuclear”

O autor deste aviso está longe de ser um ninguém. Está no seu curriculum uma longa carreira como analista em questões de defesa e política externa e num certo sentido é parte do “establishment” intelectual. Não por acaso, seu artigo tem provocado um debate nacional, do que também participou a primeira-ministra, Julia Gillard, que reafirmou a necessidade duma relação privilegiada com os Estados Unidos.

Mas os setores extremistas da Austrália têm ido mais longe como dizer que o país tem de se compromete com umha Grande Aliança das democracias contra os déspotas de Pequim,. Não há dúvida alguma. A ideologia da guerra contra a China é baseada numa ideologia existente por muito tempo que justifica e até mesmo celebra as agressões militares e guerras do Ocidente em nome da “democracia e os direitos humanos”.

E é agora que é atribuído o “Prémio Nobel da Paz” para o “dissidente” chinês Liu Xiaobo. Esse movimento não poderia acontecer em melhor hora, especialmente devido à ameaça de guerra comercial contra a China, desta volta proclamada de jeito aberto e solene pelo Congresso dos EUA.

China, Irã e Palestina

Entre os primeiros a se congratular com a selecção dos senhores de Oslo foi a Sra. Shirin Ebadi, que imediatamente contribuiu acrescentou a sua parte:

“A China não é apenas um país que viola os direitos humanos. É também um país que apoia e ajuda muitos regimes que os violam, como no Sudão, Birmânia, Coreia do Norte, Ira…”

Digamo-lo novamente: a contribuição para a ideologia da guerra travada no nome da “democracia” e os “direitos humanos” não pode ser mais clara, e a declaração de guerra comercia é evidente.

Então, por que foi premiada com o “Prémio Nobel da Paz” em 2003 Shirin Ebadi? Foi dado o prémio a uma mulher cuja visão das relações internacionais é maniqueísta. Em sua lista de violações dos direitos humanos não têm lugar para Abu Ghraib ou Guantanamo, ou para o ataque e a guerra iniciada sob falsos pretextos e mentiras, ou o uránio empobrecido, ou para os embargos com características genocidas que desafiam a maioria dos membros da ONU e da comunidade internacional.

Quanto à “maior exploração dos trabalhadores” na China, é claro que Shrin Ebadi fala sem saber. O grande país asiático tem salvado centenas de milhares de homens e mulheres da fome a que foram condenadas, em primeiro lugar, pela agressão e o embargo proclamado por Ocidente.

Estes dias pode-se ler em toda imprensa que os salários dos trabalhadores estão a progredir a um rimo acelerado na China. Em qualquer caso, embora o embargo contra Cuba só afeita os habitantes daquela ilha, um possível embargo com a China poderia causar uma crise económica global, com consequências devastadoras para as massas ocidentais, e teriam que dizer adeus os direitos humanos (ou pelo menos os direitos de ordem económica e social).

Não há dúvida. A mulher que recebeu o “Prémio Nobel da Paz” em 200, é uma ideóloga da guerra, medíocre e provinciana.

Talvez quis o prémio recompensar uma activista que, não internacional, mas pelo menos dentro do Ira afirma ser uma defensora dos direitos humanos? Se for essa a intenção dos senhores de Oslo, teriam de dar o prémio Nobel a Mohamed Mosadegh, o homem que, no início dos anos 50, se comprometeu a construir um Ira democrática, mas, por se atrever a nacionalizar a indústria petrolífera foi derrubado por um golpe organizado pela Grã-Bretanha e os Estados Unidos, os mesmos países que hoje são apresentados como campeões da “democracia” e os “direitos humanos”.

Será que os senhores de Oslo tentaram recompensar algum bravo opositor da feroz ditadura do Xá, ditadura que tinha o apoio dos habituais mas improváveis campeões da causa da “democracia” e os “direitos humanos”? Por que, então deram o “Prémio Nobel da Paz” a Shirin Ebadi em 2003?

Naquele tempo, enquanto o martírio interminável do povo palestiniano estava a se agravar ainda mais, já se rascunhava claramente a cruzada contra o Irã. Atribuir o reconhecimento a um militante palestino poderia ter sido um verdadeiro contributo para a causa da distensão e da paz no Oriente Médio. No entanto, os senhores de Oslo decidiram recompensar uma militante que desde então tem continua a alimentar o lume da guerra contra o Irã, e que agora faz o mesmo contra a China.

Após a consagração e a transfiguração de Liu Xiaobo, Obama rapidamente interveio e pediu a libertação imediata do “dissidente”.Por que não liberar, entretanto, os detidos sem julgamento em Guantánamo?

Ou por que não, pelo menos, pressionar pela libertação de muitos palestinos, que às vezes mal sao adolescentes, detidos por Israel, como reconhece até a imprensa ocidental, no seu terrível sistema penitenciário?

Os senhores de Oslo, os EUA e a China

Obama é outro caso de “Prémio Nobel da Paz” que traz bastantes características únicas. Quando lhe foi entregado no ano passado, declarara que tinha intenção de reforçar a presença militar dos EUA e da Nato no Afeganistão e aumentar as operações militares.

E depois de receber o apoio mediático, pois isso é o prestigioso prémio que recebeu em Oslo, Obama foi fiel à sua palavra. Com ele som mais numerosos que na época de Bush os esquadrões da morte que desde o céu “eliminam” “terroristas, potenciais “terroristas” e suspeitos de “terrorismo”.

Helicópteros e aviões que agem como esquadrões da morte são também muitos no Paquistão, assim como som muitas as vítimas que eles causam. A indignação é tão grande e estendida que até os governantes de Cabul e Islamabad sentem-se compelidos a elevar protestos ante Washington. Mas Obama não se impressiona. E continua a exibir o seu “Prémio Nobel da Paz”!

Nos últimos dias, filtrou-se uma notícia arrepiante. Há militares dos EUA no Afeganistão que matam civis inocentes por diversão e conservam partes do corpo das suas vítimas como uma lembrança da caça.

O governos dos EUA de imediato correu para bloquear a divulgação de detalhes e, acima de tudo, as fotos.

Chocada, a opinião pública dos EUA e internacional poderia ter decidido a pressionar par ao fim da guerra no Afeganistão. Mas para poder continuar essa guerra, e tornar ela ainda mais dura, o “Prémio Nobel da Paz” preferiu atacar um golpe à liberdade de imprensa

Também podemos fazer uma observação geral. Durante o século XX, os EUA foram o país que mais tem visto os seus estadistas receber o “Prémio Nobel da Paz”.

  • Theodore Roosevelt, o mesmo que considerava que o único índio “bom” era um índio morto
  • Henry Kissinger, o protagonista do golpe do Chile e da guerra do Vietname;
  • Kames Carter, o promotor do boicote dos Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980, e da proibição de exportações de trigo para a URSS nos tempos da intervenção no Afeganistão dos “freedom fighters” muçulmanos.
  • Barack Obama, que agora actua contra esses mesmos “freedom fighters” -convertidos entretanto em terroristas- e emprega contra eles maquina de guerra monstruosa.

Vamos ver agora, por outro lado, como é a posição dos senhores de Oslo quando vem para a China. Esse país, que representa um quarto da Humanidade, não esteve envolvido em guerras nos últimos 30 anos e tem promovido o desenvolvimento económico que através da eliminação da pobreza e da fome para centenas de milhões de homens e mulher deu-lhes acesso aos direitos económicos e sociais.

Mas os senhores de Oslo só se dignaram a ter em conta este país apra três prémios a três “dissidentes”

  • em 1989, recebeu o “Prémio Nobel da Paz” o 14º Dalai lama, que deixou a china há 30 anos;
  • em 2000, recebeu o Prémio Nobel de Literatura Gao Xingjan, escritor que daquela já era cidadão francês;
  • em 2010 recebe o “Prémio Nobel da Paz” outro dissidente que, depois de ter vivido nos EUA e leccionar na Universidade de Colúmbia, retornou para china “rapidamente” para participar da revolta (certamente não pacífica) da Praça Tiananmen.

Ainda hoje, o personagem fala de seu povo como segue:

“Nós, Chineses, tão brutais”[3]. Assim para os senhores de Oslo a causa da paz é representada por um pais (Estados Unidos) que acredita em estar investido coma missão divina de liderar o mundo, que tem instalado e continua a instalar bases militares no planeta todo.

Mas na China, que não tem nenhuma base militar no estrangeiro, um pais com umha antiga civilização e que, após um século de humilhação e miséria imposta pelo capitalismo está a recuperar a sua antiga glória, os representes da causa da paz – e da cultura – são apenas três “dissidentes” que já não têm muito a ver como o povo chinês e que vêem no Ocidente o único farol que ilumina o mundo.

O que estamos a ver na política dos senhores de Oslo é o ressurgimento do velho colonialismo e da arrogância imperialista.

Enquanto vozes inquietas ressoam na Austrália sobre os riscos da Guerra, em Oslo, é dado um novo brilho numa ideologia bélica desastrosa e de terrível memória:

lembre-se que as guerras do ópio foram elogiadas na época por J.S. Mill como um contributo para causa da “liberdade” do “comprador” ademais da do vendedor (de ópio), enquanto Tocqueville apresentou-nas como uma contribuição à cauda da luta contra a “inércia” da China.

Não são hoje muito diferentes os sloganes que agita a imprensa ocidental, a imprensa, aliás, que não cansa de denunciar o eterno despotismo oriental. Por mui nobres que sejam as suas intenções, o comportamento real dos senhores do “Prémio Nobel da paz” hoje só merece o Nobel da Guerra.

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Liçons de Economia Moderna http://odemo.blogaliza.org/2010/05/28/licons-de-economia-moderna/ http://odemo.blogaliza.org/2010/05/28/licons-de-economia-moderna/#comments Fri, 28 May 2010 19:47:14 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1925

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O homem que envelenou os Jogos Olímpicos http://odemo.blogaliza.org/2010/04/24/o-homem-que-envelenou-os-jogos-olimpicos/ Sat, 24 Apr 2010 15:53:24 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1897

Após a morte de Juan Antonio Samaranch, ex-presidente do Comitê Olímpico Internacional, as TV e media espanhois encherom-se de panegíricos à sua fígura. Todas as denúncias do seu passado de servilismo fascista e adulaçom à figura do ditador Franco forom contestadas com acussaçons de “honra dos mortos” e argumentos que tomavam a sua base na “magnífica labor desportiva dos últimos 30 anos”.  O reino dessas fantasias remata onde remata o próprio Reino de Espanha. Os jornais do resto do planeta referirom a sua morte no contexto real:  O do homem que corrompeu para sempre o espírito das Olimpíadas. O homem que permitiu que a África do Sul boer continuasse com o Apartheid até na seleiçom dos seus atletas. O homem que fixo do nepostimo umha arte. Acho que  este artigo de The Times é um bom resumo da verdadeira dimensom da sua figura, por isso deixo o resto desta entrada para umha traduçom.

O Homem que roubou a inocência dos Jogos Olímpicos

Juan Antonio Samaranch presidiu a criaçom das fortunas ligadas com las Olimpíadas e a morte dos seus ideais.

Matthew Syed.

[Copyright 2010 Times Newspapers Ltd. Traduzido com licença do serviço de sindicaçom de The Times]

Se você quiger entender a evoluçom da corrupçom institucionalizada, um bom lugar para começar nom é o Palácio de Westminster ou a City de Londres, mas num edifício palaciano na cidade suíça de Lausanne. Foi aqui que Juan Antonio Samaranch, que morreu ontem, arquitetou o movimento olímpico moderno há mais de duas décadas, transformando uma organizaçom desportiva amadora em um colosso empresarial.

Em 1980, quando Samaranch se tornou presidente do Comitê Olímpico Internacional, a organizaçom recebia uns ingresos por retransmisons televisivas e patrocínios que eram mensuráveis em dezenas de milhons de dólares.  No momento da sua partida em 2001, tinha bilhons nos seus cofres. Os anéis olímpicos, umha vez  um símbolo das esperanças e aspiraçons dos atletas dos cinco continentes, estavam agora entre os símbolos das  empresas mais lucrativas do planeta, protegidos por copyright e explorada por um exército de vendedores.

Nada dessa comercializaçom poderia ter importado, e poderia mesmo ter sido umha força para obem, exceto por um simples – e fatal – fato.  Mentras se derramava o dinheiro no IOC e o mundo maravilhava-se com a transformaçom dos Jogos, a organizaçom em si continuava a definhar nas idades escuras. Nom había nengumha analise das contas, nengumha auditoria, nengum controlo. E,  em pouco tempo, com inevitabilidade poética, desapareceu toda inibiçom entre os membros do COI,  que começaram a aceitar subornos em umha escala que faz que o escândalo das despesas do MPs  pareça pintoresco.
Samaranch alterou as regras para que os membros do COI nom tivessem que pagar os custos das  suas viagens, insistindo em vôos de primeira classe, hotéis cinco estrelas e um luxo dumha escala que deixava os atletas sem palavras. O espanhol reservou a maior extravagância para si mesmo, exigindo a suíte presidencial do melhor hotel em  todas as cidades que visitava,  uma limousine com chofer e que empregassem com ele o título de  “Vossa Excelência”. Ele também faturava ao COI a utilizaçom de umha suíte no Hotel Palace, em Lausanne, sempre que ele estava visitando a sede olímpica.

Com o tempo, e na forma de cancro da vulgaridade consagrado polo tempo,  a noçom do que lhes estava permitido os membros do COI atingiu proporçons grotescas. Já em 1991, sete anos antes do escândalo de Salt Lake City, os membros foram dispensados com tantos presentes de cidades candidatas para os Jogos Olímpicos do Inverno de 1998 que o COI teve que montar uma estaçom de encomendas postais no hotel Hyatt Regency para ajudar a delegados enviarem os regalos às suas residências.

“Tratava-nos como realeza, com limusines, serviço completo, suítes nos melhores  hoteis,” declararia depois  Robert Helmick, ex-Presidente do Comité Olímpico dos E.U. “A minha esposa estava com medo de sair de compras. Descobriu que se dizia que gostava de algo, o dia seguinte esse algo iria aparecer no nosso quarto. Broches de pérolas, brincos caríssimos.  E nom se fazia nada para o evitar. Começavas a pensar que mereciamos isso. O que você tem é um grupo de boas pessoas capturadas num sistema que se tornou corrupto. ”

Os jornalistas começaram fazer soar as campainhas de alarme e os denunciantes começaram emergir no seio das organizaçons implicadas, mas Samaranch continuou a fazer vista grossa. Os membros do COI eram umha elite auto-eleita, com muitos membros devendo a sua designaçom ao mecenato do presidente, e o espanhol nom tinha intençom de alterar a sua base de poder removendo as regalias. Como Andrew Jennings, co-autor de “Lords of the Rings”, escreveu:  “A corrupçom tornou-se a lubrificaçom da indústria Olímpica”

Somente após o escândalo de Salt Lake City  em 1998 – com acusaçons de milhons de dólares a serem pagos aos membros do COI corruptos –  Samaranch agiu. Uma investigaçom levou à expulsom de seis membros e a renúncia de outros quatro, embora declarou inocente ao presidente.  Novas regras, incluindo a proibiçom de presentes ou a visitas às cidades candidatas, foram postas em prática. Se  som suficientes para assegurar que umha organizaçom, cuja riqueza continua a crescer,  permaneça no caminho reto.

O poder desenfreado de Samaranch sobre a organizaçom que governou por 21 anos, ilustrase melhor nos seus últimos dias como presidente. No verao de 2001, como o movimento olímpico preparado para ungir o seu sucessor, Samaranch nomeou seu próprio filho, Juan Antonio Junior, um empresário de Madri e vice-presidente da Federaçom Internacional de Pentatlo Moderno, para se juntar nod postos mais elevados do COI . A votaçom foi ganha por umha maioria esmagadora de 71-27.

Samaranch, que continuaria a se mover por muitos anos de forma proeminente nos círculos olímpicos  como presidente vitalíciodo COI, beijou seu filho em ambas as faces e apertou seu braço durante a formal cerimônia de posse, em Moscova. Acusado de nepotismo, o presidente cessante demonstrou indiferença serena. “Eu propus o meu filho com o acordo do conselho executivo do COI, porque eu acho que o meu filho pode ser um bom membro do COI”, disse ele. “Isso nom é tam importante.”

Os jovens de todo o mundo sonham com o Ouro Olímpico. Das planícies da África às ruas empoeiradas do Rio de Janeiro, de Manchester a Manila, as novas geraçons de atletas aspiram subir ao pódio para habitarem por sempre na imaginaçom do planeta. O mandato de Samaranch nom foi apenas umha traiçom dos valores que representa o movimento olímpico, foi uma traiçom aos sonhos. Era como se o esforço colectivo dos atletas do mundo – os homens e mulheres que teriam que ser os protagonistas dos Jogos – fossem apenas água para o moinho da corrupçom executiva

No início do século passado, o Barom Pierre de Coubertin, aristócrata fundador do movimento olímpico moderno, ofereceu a seguinte reflexome: “O dia em que um atleta deixar de pensar na felicidade fruto do seu próprio esforço e na embriaguez da força e equilíbrio físico derivada dele, o dia em que ele deixar as consideraçons de vaidade ou interesse assumir o mando, neste dia o seu ideal vai morrer. ”

Mal sabia o francês perceber que a suas palavras se revelariam proféticas, descrevendo com precioim arrepiante o caminho ruinoso tomado pola organizaçom que se esforçou tanto para criar.

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Algo mais de informaçom:

+ The Olimpics, a History of the modern games, Allen Guttmann

+ Why Juan Antonio’s right arm is more muscular than his left, Andrew Jennins

+” Juan Antonio Samaranch valora la figura de Franco con motivo de su muerte”, arquivo de RTVE

+ Democràcia i Dignitat a l’Esport

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O mal sob o bigode http://odemo.blogaliza.org/2010/03/05/1829/ http://odemo.blogaliza.org/2010/03/05/1829/#comments Fri, 05 Mar 2010 18:02:55 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1829 Pode ser simplesmente umha alucinaçom minha, mas depois de  ler esta entrada no Blog Ausente sobre as obsessons pilosas da CIA nom podo deixar de comentar o estarrecedor parecido entre o Hitler sem bigode e H.P. Lovecraft:

Há algo mui inquietante nesses beiços superiores, nesses lábios apertados nesse olhar perdido. Com todo, estamos acostumados a ver a cara de Lovecraft e tentar entrever os retalhos da sua loucura. Mais impenetrável era o rostro dum Hitler, capitalizado por um bigode icónico. Dalgum jeito o bigode hitleriano converteu-se no símbolo do próprio mal nazista -chega com engadir com caneta esse adorno facial para “malignizar” um retrato-  e a sua força estética ocultou essa mirada estranha, perdida, esse gesto triste do genocida. Se calhar com essa pequena franja de sobra na sua cara Hitler é a imagem do mal, mas a sua ausência nom fai perder força ao terror da imagem.

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Isto só o amanhamos coma sempre, nom pensem noutra soluçom http://odemo.blogaliza.org/2010/03/01/isto-so-o-amanhamos-coma-sempre-nom-pensem-noutra-solucom/ Mon, 01 Mar 2010 20:46:25 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1827 Estám intrigados pola campanha “estosololoarreglamosentretodos.com” que desde há umha semana aparece em televisom, nas paradas de autocarros, nas grandes faixas publicitárias na rua?  Se tenhem um pouco de tempo- e se som desse 30% da populaçom activa que nom tenhem trabalho, desses 4,5 milhons de parado, cuido que terám muito tempo- quero que fagam um pequeno experimento mental que pode ajudar a que compreendam melhor essa campanha. É como segue.

Imaginem umha folha branca de papel. Com a sua mente, divida-na em dous com umha linha de arriba até abaixo. O lado esquerdo da folha está intitulado “culpáveis da crise”, o outro “vítimas da crise”. Bem, agora vou-lhes dar umha lista de empresas e entidades e quero que , sob a sua própria vontade e juízo, coloquem num lado ou no outro da sua folha de papel imaginária. Se acham que algum tem que estar nos dous, fagam-no. Eis a lista:

Telefónica, Iberia, El Corte Inglés, BBVA, Santander, La Caixa, Caja Madrid, Repsol, Cepsa, Endesa, Iberdrola, Mapfre, Abertis, Mercadona, Indra, Renfe, Red Eléctrica, a Federación de Cámaras de Comercio, Seopan (A patronal das grandes empresas  de construçom), e por último você caro leitor.

Remataram já? Tenhem a sua lista  bem feitinha? Deixem adivinhar, a coluna da esquerda e bem mais longa que a direita, nom sim? Aliás você está sozinho na da direita. Bem, agora o bom: Agás o último elemento todos os anteriores som os promotores dessa campanha de “bom rolho anti-crise” que falávamos no começo.  Eles criaram a “Fundación Esperanza”  responsável dessa campanha que aparece em todas partes. Tenhem quartos de sobra, só Telefónica aumentou o seu benefício um 2,4% em 2009.

A campanha, segundo os seus próprios promotores, quer incentivar o consumo da populaçom. Desde o 2007 o consumo privado no Estado espanhol nom fai mais que baixar. A gente simplesmente confia menos nas possibilidades económicas no futuro, tem mais medo, perde confiança na economia, gasta menos, consume menos, aforra o que pode. E isso nom é assumptível polas grandes empresas. De facto nom o é para a economia capitalista. Quase dous terços do produto interior bruto do estado depende directamente desse consumo. Aliás, se agente quer poupar, nom se pedem hipotecas e empréstimos nos bancos, como o que o jogo bancário de compra e venda desses activos reduze-se… etc.  A própria página web celebra na sua secçom de “notícias optimistas” que cada vez se pedem mais hipotecas. Se calhar tenhem razom, se ganhamos “confiança” no mercado, começamos a gastar -primeiro o que temos aforrado e depois o que lhe pediremos ao banco- injectemos suficiente dinheiro como para que todo volte estar como antes da crise. Exactamente igual que antes da crise.  E antes estávamos bem, nom? Ou se calhar nom queremos.

Se calhar a cidadania, nom os consumidores, percebem que realmente nada mudou. Que nom existem essas garantias no mercado, por muita confiança, e vontade, e sorrisos de famosos que saiam na TV. Que os mesmos directivos, gestores e empresas que nos levaram à crise seguem nos seus postos. Que a legislaçom e os organismos que se prometeram para “refundar no capitalismo” nom existem mais que nas hemerotecas. Ou que entrementres os governos de todo o mundo gastaram o dinheiro público, a fundo completamente perdido, em salvar aos responsáveis. Pode que a gente some umha mais umha e repare em que as crises económicas, seguidas dos processos de incentivaçom do consumo e endivido privado, seguidos de grandes épocas de euforia especulativa… seguida de crises, som umha constante na economia capitalista desde a saída da Idade Media. Se calhar, desta vez, nom queiramos consumir mais, se nom menos. Procurar a maneira de reduzir o nosso gasto externo, subsistir com menos, aforrar ou gastar… nos médios que nos permitam  umha pouca mais autonomia pessoal. Pode que nas próximas eleiçons nom votemos nos partidos que gestionam esta e outras crises, e que concordam com a mensagem da campanha. Só por provar. Por curiosidade. Por saber se realmente isto só o podemos amanhar nós.

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