Cineuropa: The Children

Primeiro filme de Cineuropa deste ano: The Children

Primeiro, dizer que é um filme que precisa dumhas horinhas de distância para o considerar completamente. Saim do cinema pensando que vira um produçom de terror um pouco diferente, com algumhas concessons fora do mainstream comercial, mas quando escrevo isto reparo em que tem mais pontos positivos dos que percebera logo de sair da projecçom.

Sinopse rápida: Família “reunida” com três nenos de outros matrimonios vai passar Natal na casa de campo da irmá da nai, com marido e dous filhos de seu. Todo muda em catástrofe e terror quando algo estranho passa com os nenos…

O tema dos nenos “maus” ou demoniacos é um clássico das listagens do terror (junto com os palhaços e os recepcionistas com complexo de Edipo) e como em todos os clássicos inovar é algo mui difícil. Tom Shankland consegue-o fugindo a maior parte do tempo dos convencionalismos. Os nenos do filme dam medo porque som nenos fazendo algo que nom deveriam, nom nenos transformados em algo terrível (mutantes, nenos albinos poderes, aliens, zombies…). O guiom está mui bem construído e progride, acumulando tensom a modo. É ademais umha história de personagens reais, sem herois que salvem o dia, com reacçons humanas ante a tragédia: Os pais paralisam ante a morte, nom aceitam a desgraça, entram em shock e lutam com a ideia de que os culpáveis sejam os nenos. Nom é evidentemente umha horror movie do estilo de Hollywood.

Digo isto porque Shankland desbota muitos desses tópicos eternos do terror americano: Nom há escuridade, todo acontece num marco pristino, de dia invernal reflexado na neve. Os cenários do horror construem-se diante dos teus olhos -essa tenda de campanha, esse claro do bosque- polos acontecimentos em câmara. O teenager parvo e carne de assassino é substituído por o personagem mais forte, a filha adolescente, que na sua impotência consegue lutar. Nom há “grupo de sobreviventes” que ir dizimando, desde o primeiro horror os personagens evitam-se, culpam-se, evadem-se da realidade e comportam-se como humanos. Claro que há cliches -o cinema é o seu mundo- mas só estám insinuados, sem exagerar e sem facilitar as cousas. Tampouco presenciamos o processo culpa(ainda que seja pequena) e castigo de tantos filmes – isto é especialmente evidente na relaçom de Casey com o seu tio: Num filme mais convencional seria evidente umha tensom sexual e até um assalto, que justificaria o sofrimento na segunda parte-.

Tampouco é a revoluçom, conste: Nom pode evitar os jogos com o volume da música -método que ódio profundamente- ou as cenas de tensom enganosa -o que parece um ataque é umha aperta inesperada…-, rápida sucessom de imagens confusas etc… Com todo é um bom filme de terror, com personagens fortes e que nom concede um final nem medianamente apaciguador. É mais: é um filme onde a morte dum neno -ainda que seja um neno assassino- nunca é libertador para os personagens. É um filme fantástico com personagens reais que nunca gozam da licença do “exterminador de monstros”.