Os apocalipses quotidianos

apocalipses

No ano 2012 remata a chamada “Contagem Longa” do calendário vigesimal mesoamericano.  Este calendário foi utilizado polas culturas nativas do continente a partir da chamada época pre-clássica (s. II E.C.) para registrar acontecimentos importantes na vida das cidades e dos estados. Para a vida do dia a dia os maias e astecas empregavam umha combinaçom de dous calendários: Um solar de 365 dias conhecido como Haab¡ em língua Nauhatl, e que se dividia em 18 meses de 29 dias, e outro  religioso -que alguns arqueólogos cuidam baseado nos movimentos de Venús, e outros da combinaçom dos números 13 e 20, mui importantes para a religiosidade asteca- de 260 chamado de Tonalpohualli dividido em 20 periodos de 13 dias. Os mesoamericanos nom nomeavam os anos dos calendários ao jeito das culturas de Europa e Ásia com sistemas equivalentes, empregavam um sistema um tanto diferente: Cada dia podia ser identificado com a sua posiçom no calendário Haab’ (ex. 12º dia do mês de Yax) e a sua posiçom equivalente no Tonalpohualli nesse momento (ex. 3ºdo mês do Ocelote); como duas seqüências numéricas de 365 e 260 itens só se repetem cada 52 anos -que é mais a esperança de vida daquela- a data podia ser referida sem erro na meirande parte dos casos.

Claro está, para contagens de tempo mais grandes, como organizar eventos históricos ou datar monumentos comemorativos,  tinham o outro calendário. Este é chamado de vigesimal,  quando realmente nom o é de jeito estrito. Umha data em “Contagem Longa” tem este formato: b’ak’tun.k’atun.tun.winal.k’in   cada umha das letras representa um número asteca em umha base um pouco diferente, o que fai complexa a leitura. Por ponhem um exemplo: O 11 de agosto do ano 3114 antes da Era Comum é o primeiro dia do calendário, e dia da criaçom do mundo para a sua cosmogonia, assim,  0.0.0.0.01, o 12 de agosto seria o 0.0.0.0.02. Vinte dias depois, o 31 de agosto, o primeiro termo reinia-se e passa a ser 0.0.0.1.0 . Quando se acumulam 18 “winal” (Isto é 18×20=360 k’in ou dias) soma-se um tun: 0.0.1.0.0; 20 tuns (20x18x20= 7200 dias) fam um k’atun e ponhem o calendário em 0.2.0.0.0.  Outros 20 k’atuns (20x20x18x20=144000 dias , uns 400 anos) e já temos um b’ak’tun e o calendário fica em 1.0.0.0.0 e volta a engadir k’ins…

Complexo?  Bom, o calendário gregoriano emprega umha combinaçom de antigos calendários solares e lunares (herdados de romanos, fenícios, gregos e babilónios) que cada 28-30-31 dias soma umha unidade de “mês” e cada 12 meses engade umha unidade de ano. Dado que o nosso nível de astronomia ultrapassou a da cultura mesoamericana nalgum momento do século XI temos um sistema bastante sistemático para que o nosso calendário quadre exactamente com o movimento real da Terra arredor do seu sol, que é algo mais de 365 dias e quatro horas. Cada quatro anos engadimos um dia mais a um mês, agás quando esse ano é múltiplo de 100. Com esses cálculos só temos um erro de 0.0003, isto é, um dia de correcçom cada 3.000. Umha complexa relaçom entre o ano trópico e o ano sidérico fam que realmente essa correcçom nom seja necessária atá dentro muitos milheiros de anos mais.

A onde quero chegar com todo isto? Pois a que percevam o ridículo das profecias modernas sobre a fatalidade do ano 2012 e a sua ligaçom com o mal chamado calendário maia. Este sistema de contagem nom é mais trascendente que o que empregamos actualmente, ou as outras dúzias empregadas por outras culturas. Se procuramos “relaçons siderais” até o “nosso” é muitíssimo mais exacto e “ligado”  com as estrelas que a Contagem Longa. E ninguém acreditaria em que no ano 2000, por exemplo, o mundo ia rematar, nom?

Temos que aturar a pseudo-historiadores que afirmam que os maias acreditavam em que quando se completa-se o b’akt’um  número treze começaria umha nova idade do universo. Nom importa que os verdadeiros espertos, como Susan Milbrath, conservadora de arte latino no museu de Florida – isto é: umha pessoa que adica a sua vida a estudar e conservar as expressons culturais mesoamericanas- lembre que os maias nom acreditavam nesse “reinicio” ou que há estelas monumentais que nom tenhem “problema” em lembrar que miles de anos depois do 2012 seria o aniversário número 80 (no ciclo combinado de 52) no nascimento dalgum rei. Com todo, ainda há gente que prefire acreditar na palavra dalgum magufo cujo achegamento até a arqueologia pre-colombina nom passa dalgum livro do infumável recepcionista de histal von Daninken.

Por isso o gráfico que começa o post: Representa algumhas das “apocalipses” preditas -na órbita ocidental- baseando-se nalgum cálculo astronómico, religioso ou temporal. E dizer: com a mesma fiabilidade que a “profecia maia”,e que só tenhem como argumento algo tam relativo como o nosso jeito de dividir o tempo de forma arbitrária.

P.S.:  Notaram que nom está assinalado o começo do primeiro milénio. O mito do milenarsmo e do terror que criou nas gentes de Europa é isso… um mito. E já o tratarei noutro post.

Other Links to this Post