Isto só o amanhamos coma sempre, nom pensem noutra soluçom

Estám intrigados pola campanha “estosololoarreglamosentretodos.com” que desde há umha semana aparece em televisom, nas paradas de autocarros, nas grandes faixas publicitárias na rua?  Se tenhem um pouco de tempo- e se som desse 30% da populaçom activa que nom tenhem trabalho, desses 4,5 milhons de parado, cuido que terám muito tempo- quero que fagam um pequeno experimento mental que pode ajudar a que compreendam melhor essa campanha. É como segue.

Imaginem umha folha branca de papel. Com a sua mente, divida-na em dous com umha linha de arriba até abaixo. O lado esquerdo da folha está intitulado “culpáveis da crise”, o outro “vítimas da crise”. Bem, agora vou-lhes dar umha lista de empresas e entidades e quero que , sob a sua própria vontade e juízo, coloquem num lado ou no outro da sua folha de papel imaginária. Se acham que algum tem que estar nos dous, fagam-no. Eis a lista:

Telefónica, Iberia, El Corte Inglés, BBVA, Santander, La Caixa, Caja Madrid, Repsol, Cepsa, Endesa, Iberdrola, Mapfre, Abertis, Mercadona, Indra, Renfe, Red Eléctrica, a Federación de Cámaras de Comercio, Seopan (A patronal das grandes empresas  de construçom), e por último você caro leitor.

Remataram já? Tenhem a sua lista  bem feitinha? Deixem adivinhar, a coluna da esquerda e bem mais longa que a direita, nom sim? Aliás você está sozinho na da direita. Bem, agora o bom: Agás o último elemento todos os anteriores som os promotores dessa campanha de “bom rolho anti-crise” que falávamos no começo.  Eles criaram a “Fundación Esperanza”  responsável dessa campanha que aparece em todas partes. Tenhem quartos de sobra, só Telefónica aumentou o seu benefício um 2,4% em 2009.

A campanha, segundo os seus próprios promotores, quer incentivar o consumo da populaçom. Desde o 2007 o consumo privado no Estado espanhol nom fai mais que baixar. A gente simplesmente confia menos nas possibilidades económicas no futuro, tem mais medo, perde confiança na economia, gasta menos, consume menos, aforra o que pode. E isso nom é assumptível polas grandes empresas. De facto nom o é para a economia capitalista. Quase dous terços do produto interior bruto do estado depende directamente desse consumo. Aliás, se agente quer poupar, nom se pedem hipotecas e empréstimos nos bancos, como o que o jogo bancário de compra e venda desses activos reduze-se… etc.  A própria página web celebra na sua secçom de “notícias optimistas” que cada vez se pedem mais hipotecas. Se calhar tenhem razom, se ganhamos “confiança” no mercado, começamos a gastar -primeiro o que temos aforrado e depois o que lhe pediremos ao banco- injectemos suficiente dinheiro como para que todo volte estar como antes da crise. Exactamente igual que antes da crise.  E antes estávamos bem, nom? Ou se calhar nom queremos.

Se calhar a cidadania, nom os consumidores, percebem que realmente nada mudou. Que nom existem essas garantias no mercado, por muita confiança, e vontade, e sorrisos de famosos que saiam na TV. Que os mesmos directivos, gestores e empresas que nos levaram à crise seguem nos seus postos. Que a legislaçom e os organismos que se prometeram para “refundar no capitalismo” nom existem mais que nas hemerotecas. Ou que entrementres os governos de todo o mundo gastaram o dinheiro público, a fundo completamente perdido, em salvar aos responsáveis. Pode que a gente some umha mais umha e repare em que as crises económicas, seguidas dos processos de incentivaçom do consumo e endivido privado, seguidos de grandes épocas de euforia especulativa… seguida de crises, som umha constante na economia capitalista desde a saída da Idade Media. Se calhar, desta vez, nom queiramos consumir mais, se nom menos. Procurar a maneira de reduzir o nosso gasto externo, subsistir com menos, aforrar ou gastar… nos médios que nos permitam  umha pouca mais autonomia pessoal. Pode que nas próximas eleiçons nom votemos nos partidos que gestionam esta e outras crises, e que concordam com a mensagem da campanha. Só por provar. Por curiosidade. Por saber se realmente isto só o podemos amanhar nós.