A luta de Marta

tangallegos.jpg

-Ilustraçom por Maceirax

Tem que ser duro, mui duro. Ser Marta Rivera de la Cruz tem que ser duro de caralho.

A meirande parte da gente com um mínimo de sensibilidade sabe o sofrimento sem límites que umha pessoa que nasce co sexo genético discordado do psicológico -empregade os termos dos que gostedes- tem que passar. O processo longo, difícil, espinhento que tem percorrer para reconciliar a sua identidade e ser o que o seu coraçom quere. O fenómeno da transexualidade é bem conhecido,, e para as pessoas abertas de mente é umha obriga garantirmos os direitos e o respeito para aqueles nessa situaçom. Ora, quantos de nós aceitamos e comprendemos a dor e o sofremento dos tangallegoscomo? Deixade-me explicar esta injustiça.

Se passamos um tempo pesquisando nos foros, páginas e blogs dos tangallegoscomo remataremos enchoupados dum odio gordurendo, cheio de nódoas de desprezo contra todo o galego: língua, cultura, gentes… Como pode alguem odiar tanto? Também topamos outra cousa, um amor, umha ánsia, umha afeiçom por todo o espanhol. Gorentam por verem os nenos falar em castelam, coas portas abertas dum mundo de ledícia e mel -isso dim eles-, guardam cada palavra que chega de Madrid, cada artigo escrito desde a Capital que ilumina a situaçom galega é motivo de festa. Quando algum pensador espanhol nalgum dos seus jornais de referência adica umhas linhas a solucionar o “problema del gallego” os seus coraçons e os seu teclados fervem polo deleite e bulem para adoptar cada palavra como sua.

Dim viver na Galiza, mas só olham para ela quando reflexar no espelho da miragem na chaira de Castela. Vivem numha Galiza de nenos que choram baixo a molida do “nazi-onanismo”, numha Galiza que é Galicia e fala em castelhano no 90%. Numha Galiza, agora Galicia, que falou castelám após a analise económica-sociológica das suas gentes, e nom de centos de anos de governo colonial. Nom vivem na Galiza dos galegos, vivem na Galicia dos espanhois. Umha Galicia inexistente, tam irreal como as portas do inferno que para eles é Euskal Herria (as suas Vascongadas) ou Catalunya (Cataluña, idem). E o modelo da boa Galicia é a do cartaz da promotora de segundas residências, e nom a brava realidade sob ele.

Como é entom que estes galegos -os que há entre os quatro que jogam a ser 20.000 criando umha marca após outra- vem o nosso país como estrangeiros? Como som tam impermeáveis à realidade? Nom será que nom som galegos, mas espanhois? Nom seria terrível que, nascendo galegosm o seu coraçom, a sua gorja, os seus olhos, a sua boca, as suas maos e todos eles em conjunto, gorentem por serem madrilenhos? Um espanhol no corpo dum galego. Escuitando cada dia a sua fonética galega, essas malvadas vogais que nom escuitas nos telejornais das canles boas, mirando pola fiestra do seus quartos umha Galiza que, horror… nom é Madrid! Cuns pais ou uns avos đpque nom som de Ávila ou de Valladolid, que nom falam um castelhano-de-castilha universal e cosmopolita, mas um galego paleto e regional! As seus beiços querem golpear o ar cos sons regios da gente de bem, os seus olhos querem ver nos seus cartons de identidade umha Salamanca ou Chamberí no lugar de nascemento, e fitar cartazes nas estradas que ponham “Alcorcón 50” ou “Villajollosa del Secano 2” sem diptóngos bárbaros e locais. Mas o azar encarnou-nos em galegos, numha Galiza cuja língua é o galego-português, com lugares como “Ourense” ou “Carbalhinho”, e com gentes que nom querem mudar a sua terra por um reflexo do Madrid universal.

Cada vez que alguns galegos resistem os seus esforços por imitar os modos da Espanha estes outros galegos com alma de madrilenho sofrem. A nena madrilenha interior da que inspirou esta entrada no blogue quer que na Galiza a sua literatura castelá sexa literatura galega, quer que os galegos aceitem que os seus livros do gosto de Madrid som obras galegas. E quando os galeguinhos, sem visom universal, retrucam que a literatura da Galiza é a galega… ela sofre. Como nom pode mudar, polo de agora, a realidade horrível da Galiza escapa desse mundo e bule para a cosmopaleta Madrid para estar com gente do seu nível. Porém… percebe que ainda nom a aceitam nessa terra de prometida. Falam dela como “escritora galega”, e a Martita pequena do seu coraçom chora porque os galegos nom molam e nom querem mudar para madrilenhos. E polas manhas escuita o seu sotaque e tem que practicar uns minutos diante do espelho para mimetizar a fonética da gente boa. E como isso nom abonda, como ainda é suspeitosa de má galega, bebe e come cada palavra e cada letra dos jornais que marcam o espirito da Espanha e copia no seu diário as cousas que topa nessas páginas. E depois de todo esse esforço tem recompensa! Já é umha deles! Os seus autores de referência, os seus jornais idolatrados, falam dela e da sua tragédia como escritora espanhola nessa Galiza bárbara que nom quer ser Galicia vacacional. Marta já espanhola por dentro e quase por fora e pode durmir sem medo a espertar sendo galega outra vez. Até já tem essa aura de admiraçom que para ela tenhem todos os espanhois que escrevem! E os bárbaros querem que fale nas suas festas! Foi duro, mas já está todo bem.

Porém, um dia um amigo de Marta manda-lhe um correio. Marta a visita um “blog” galego e olha com bágoas como essa gente -esses que nom passam a auga polo pelo mais dumha vez por mês- nom compreendem o seu esforço, a sua luta. Porquê? Tanto custa aceitar a sua transformaçom? Porque nom criticam assim a qualquer outro escritor e opinador de Madrid? Essas gentes de coraçom escuro nom dim palavras tam feias dos artigos dos seus admirados.E Martita sofre… nom tanto, porque agora tem amigos que molam, mas um pouquinho sim.

Eu desde aquí quero dizer a Martita que conta com toda a minha compreensom. Eu admito a sua transformaçom e nom a miro como umha pessoa diferente. Para mim nom é umha galega que odia Galiza, só umha madrilenha que nom sabe o que é Galiza. Ánimo Marta! Cari!

Postscriptum: Se alguem tinha dúvidas da verdade da história desta entrada, aquí tedes umha entrevista a Martita no que já ispe o seu coraçom e fala dos seus anceios de ser “castellana“. (Olho, do 98, dez anos de luta contra a realidade)

  • By xo, Setembro 13, 2007 @ 10:25 p.m.

    Vaites, vaites…
    Que palavras para a refleão. Vaia dramão o da Martita… Sou um insensível.

  • By Uz, Setembro 13, 2007 @ 10:32 p.m.

    Fer, és o puto amo! Vamos-te fichar para o Pasquim 😀

  • By one2, Setembro 14, 2007 @ 10:45 a.m.

    garantizarmos->garantirmos
    perceve->percebe

    e «parabienes» polo artigo

  • By odemo, Setembro 14, 2007 @ 10:54 a.m.

    Obrigado one2. “Me parabienizo”! Só duas gralhas em tanto texto XD

  • By Uz, Setembro 14, 2007 @ 11:02 a.m.

    Oi, gosto muito deste desenho para o teu blogue! É mui… mui HS :-D!

  • By odemo, Setembro 14, 2007 @ 11:05 a.m.

    Estou em provas 😀

  • By Manu, Setembro 14, 2007 @ 1:33 p.m.

    Atajo de fascistas !!!

  • By odemo, Setembro 14, 2007 @ 1:44 p.m.

    Martita says “fascio enxebre” Manu. 😀 😀 Mola muito mais.
    Nota: Normalmente apago os comentários trolleiros no meu blog -ora espanholistas ora anti-reintegracionistas- pois nom achegam conteudo, mas nesta entrada todos os seareiros de Martita estam invitados 😉

  • By Antonio, Setembro 16, 2007 @ 5:46 p.m.

    Marta os tienen bien calados, sois unos talibanes de mierda. Ni me he parado a leer tus insultos, porque están en portugués VETE A LA MIERDA PORTUGUÉS DE MIERDA

  • By Anonimo, como haceis vosotros, Setembro 16, 2007 @ 6:33 p.m.

    Sois uns fascistas, y unos cobardes de mierda. Insultais de forma anónima, así que yo también, COBARDES DE MIERDA! NAZIS!

  • By maceirax, Setembro 16, 2007 @ 7:04 p.m.

    Oooooh, si, encántame ler como bouran os caniches raibosos, arf arf 😉

  • By Uz, Setembro 18, 2007 @ 1:06 a.m.

    #11 Uf, só nos falta dizer(-lhes): “sigue, sigue, más, más… ooooohh síiiiii… me c*rr*, me c*rr*ooooorgggghhgs” 😀

  • By anonimo, Setembro 18, 2007 @ 2:56 p.m.

    Mira que sois estúpidos. ya es triste que no sepais escribir en español, como se ve en vuestros comentarios estúpidos en el blog de Marta (porque es de maleducados y de fascistas emplear una lengua que no todo el mundo entiende en un blog que está escrito en una lengua universal), que por encima no sabeis escribir en gallego. marta es una escritora gallega, mucho más gallega que todos vosotros, talibanes que adorais a Portugal. si tanto os gusta Portugal marchaos par allí, a cobrar sueldos de mierda y a casaros con chicas con bigote. pero ni allí podreis hablar vuestro idioma inventado, porque los portugueses se mueren por aprender el español. y aquí vosotros pretendeis que los niños hablen vuestro idioma inventado y que canten vuestro himno de fascistas, todos detrás del facha mayor quintana. sois una minoria de fascistas que no representan nada en españa y en el mundo y que no saben nada de ese mundo. me dais asco y mucha pena

  • By signatus, Setembro 18, 2007 @ 3:33 p.m.

    SP- ¿Por eso el protagonista es argentino?

    MR- Sí. Pero también me interesaba incluir en esta sociedad a una persona absolutamente ajena a ella. En una ciudad española lo mejor era alguien de Latinoamérica, por la facilidad del idioma que le permite integrarse rápidamente. Admiro muchísimo la cultura latinoamericana, y creo que nos queda mucho que aprender de ella a los castellanos.

    SP- Has dicho “nosotros los castellanos”, ¿no eres independentista? ¿No escribes en gallego?

    MR- No soy independentista. Escribo algo en gallego, sobre todo para una revista en la que hago las páginas en gallego. He hecho artículos, he trabajado en la televisión gallega… Pero literatura en gallego no hago, es mi segunda lengua materna. Desconfío de la idea del bilingüismo total a la hora de escribir, a mí escribir en gallego no me sale, aunque no tengo que traducir. De todas formas, creo que de todas las “comunidades históricas” somos los que mejor nos hemos sabido integrar en todas partes sin hacer de nuestra tierra un estandarte para imponerlo a nadie.

    :-O :-O xD xD xD

    Escrever em galego é cousa de independentistas?

    :-O :-O :-O

  • By beinha, Setembro 24, 2007 @ 6:15 p.m.

    puuuuuuuuuu¡¡¡
    quantas parvadas din estes espanholitos¡¡¡
    o milhor é esse sentimento de superioridade contra Portugal¡¡¡

  • By hYs0, Xaneiro 16, 2008 @ 9:11 p.m.

    Muito bom o artigo, si senhor.

    Saudaçons.

  • By xabre, Abril 20, 2008 @ 5:27 p.m.

    I love meneame trackbacks

  • By Odemo, Abril 20, 2008 @ 8:21 p.m.

    Sim 😀 😀 😀

  • By Pobreciño, Abril 21, 2008 @ 10:30 a.m.

    Muy duro, tienes que ser muy duro… ser tan imbecil como lo es el autor de este post.

  • By odemo, Abril 21, 2008 @ 2:14 p.m.

    Vou deixar este comentário insultante de exemplo dos que tenho que borrar cada dia.
    Escolho este porque, curiosamente nom chega desde umha fonte espanhola, como o trackback de meneame, se nom desde chuza…..

  • By Uz, Abril 21, 2008 @ 2:46 p.m.

    Waw, Fer, vaia sucesso deste artigo! Por certo, que o quadrinho figura reproduzido (em b/n) na capa do último número d’O Pasquim, suplemento do humor do Novas da Galiza (http://www.novasgz.com).

    Seguro que a maior parte dos comentários ofensivos são de alguém que te ama de jeito platónico.

    * * * * spanish translation * * *

    Waw, Fer, ¡vaya éxito de este artículo! Por cierto, que la viñeta figura reproducida (en b/n) en la portada del último número de O Pasquim, suplemento de humor del Novas da Galiza (http://www.novasgz.com).

    Seguro que la mayor parte de los comentarios ofensivos son de alguien que te ama de forma platónica.

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  1. A loita de Marta « Ceibe — Setembro 25, 2007 @ 7:47 p.m.

  2. Marta Rivera de la Cruz premio Puro Cora de Periodismo — Febreiro 4, 2008 @ 9:32 p.m.

  3. meneame.net — Abril 20, 2008 @ 12:26 p.m.