Achádego familiar!


Se o meu pai tem umha virtude é a que na casa chamamos “do funcionário”. Meu pai guarda cada papel que entra na casa e que tenha a mais mínima utilidade, cada factura, documento, registro… todo ordenado e classificado numha infinidade de cartafoles de cores no armário do corredor. Todo está na sua data e no seu tema correspondente, e assim podes pedir-lhe a factura do gas de junho de 1975 da casa da minha avó em Fernando Macias… que o meu pai tarde um minuto. Nom só tem os documento de todas as pessoas da familia que durante as últimas décadas confiarom em ele para gestionar herdanças, negócios, testamentos e todo tipo de cousas, também tem todos os documentos históricos com um mínimo de utilidade. Claro que nom tem muitos dos originais -som papeis de registro público- mas tem umha copia compulsada de todos. E eu, quando nom tenho outra cousa que fazer, ponho-me a procurar cousas interesantes entre esses papeis.

Hoje passei a tarde a mirar o cartafol da familia materma do meu pai (que inclue até registros de matrimónio do século XIX) entre outras cousas achei que estava trabucado no da emigraçom da minha família desde a França, por um erro nas clássicas histórias familiares. Nom forom os meus bisavôs quenes emigraram, mas os seus avós -60 anos antes, que nom é pouco para um “erro”- e mirando o certificado de falecemento do meu bisavô topei com um dado surpreendente… um tio novo para meu pai! Na versom “oficial” da história os meus bisavós tiverom quatro filhos: Fernando e Ángela que emigrarom para a Argentina, Gerónimo que marchou para Inglaterra e nunca mais chegaron novas deles, e Avelina/Abelina (sempre alternou as duas grafias) a minha avó. Mas… no certificado de falecemento falam de cinco filhos, aparece um novo chamado “Avelino”. A cousa é que no livro de família da minha bisavó nom estam marcados os filhos que tivo assim que nom podemos confirmar, e como toda a gente dessa época está um pouco descomposta, agás a minha tia-avó Ángela que está em Buenos Aires…

A cousa é que meu pai lembra de escuitar falar o seu tio Fernando dum tal Avelino da família, porém o tio Fernando falava muito e denso -foi criado na Argentina desde os 8 anos, e nom quero botar tópicos- e a meirande parte da gente desligava quando tirava mais de dez minutos de monólogo. Por outra banda na minha família temos umha (outra!) enfermidade genética que provocava muitas mortes de crianças depois dum mês -um de cada cinco nascemos co píloro atrofiado, assim que a comida nom passa. A mim operarom-me disso o nascer, e meu pai perdeu um irmam maior por algo com síntomas parecidos- assim que perfeitamente pode ser um morto de neno. Com todo no certificado pom “Deja 5 hijos” o que indicaria que estavam vivos quando o meu avô morreu (mui cedo, os 38 de tuberculose). Poucos dados mais podemos sacar… Suponho que isto ficará como um mistério familiar.

  • By paideleo, Setembro 29, 2007 @ 12:33 a.m.

    Misterios de familia.
    Eu tiven un tío que morreu de neno e un curmán un ano maior ca min que morreu con cinco aniños.
    Sempre penso nesas vidas perdidas que sería deles se seguisen adiante.

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