Luzes ambáricas e bolinhas de cores

Vai umhas semanas fum ver “A Bússola dourada”, o filme descafeinado baseado nas mais que recomendáveis novelas da trilogia “Fronteiras do Universo”/A matéria Escura (His Dark Materials) de Philip Pullman.

A novela na que se basea é “Luzes do Norte” que eu lera lá polo 1997, em inglês coido. Nom vou falar dos ridículos e patéticos intentos da Igreja Católica por censurar o filme, isso nom fai mais que demostrar o acerto de Pullman em retratar o inmovilismo e a áncora mental que representa qualquer religiom, quero falar dum curioso erro de interpretaçom e de conhecimento científico que se manifestou no filme.

O mundo primo no que vivem os personagens a história do primeiro livro -e deste primeiro filme- é um reflexo evoluido da sociedade vitoriana . Umha sorte de “steam-future”, umha forma de retrofuturo mui comúm na literatura do género. O ponto de divergência -outro recurso literário muito comum também, que sinala o intre que causa tanta diferença co nosso mundo- é a nom existência da Reforma protestande, convertindo-o num cisma do estilo de Avigno e co temgo a Calvino em Papa. Nesse mundo vapor e a fonte principal de energia, impulsado por gas natural -“o espírito do carvom”- e outros sistemas da época. Diverge da época vitoriana do nosso mundo em que os filósofos -cientistas- tenhem um conhecimento das partículas elementais comparável aos nossos físicos de partículas -teólogos experimentais no mundo do livro- e também no domínio da electricidade como fonte de energia. A cousa é que como recurso estilístico Pullman emprega o adjectivo “anbaric” (ambárico) como equivalente para “eléctrico”, cousa mui lógica pois o nome “electrón” vem da palavra grega ήλεκτρον para essa resina. Foi o físico irlandês Johnstone Stoney quem escolheu esse nome para a partícula elemental, pois as propriedades eléctricas do mesmo ajudarom muito na história da investigaçom sobre a electricidade.

A palávra “ámbar” vem do árabe عنبر(ʻámbar), literalmente “o que aboia na agua”. E originalmente era a palavra para o ámbar cinza -a secreçom biliar dos intestinos do cachalote- que aparece flutuando no mar e que se emprega para perfumaria co nóme de “cárabe”. Nom sei mui bem como mudou o significado, mais agora é o mais empregado. Essa substáncia que os latinos denominava succinum é a resina fossilizada dalgumhas árvores de mais de fai quase 50 milhons de anos. Em resumo, que quando Pullman escreve “aparelhos ambáricos”, “luzes ambáricas”, “circuitos ambáricos”, “energia ambárica” e “partícula ambárica” fala de aparelhos eléctricos, lámpadas, circuitos eléctricos, electricidade e o electron. Para mim é um recurso estético excelende, e de feito durante boa parte do século XIX os cientistas empregavam o adjectivo ambárico como sinónimo perfeito de eléctrico.

Ora o problema é falta de cultura científica dos desenhadores da estética do filme… quando eles lerom “ambárico” pensarom no material da cor do mel e nom nas suas propriedades eléctricas, assim que suponherom que o mundo da novela estava cheio de aparelhos compostos de enormes esferas azuis (!!) com efeitos visuais que imitavam o ámbar, dos que as pessoas tiravam energia dum jeito direito. Lembro que na novela insistiam em que a “luz ambárica” estava presente em alguns lugares, mas que preferiam as luzes de pavio -com alcol ou “espírito do carvom”- e o que nom existiam eram enormes carros arrastrados por bolas azuladas. Assim o que era pouco mais que umha referência ambiental mudou em elemento definitório da estética do filme…

  • By Modesto, Decembro 26, 2007 @ 3:16 p.m.

    Vostede vai ao cine a sufrir, está visto. 😀

  • By odemo, Decembro 26, 2007 @ 4:51 p.m.

    Para isso nascemos XD XD XD

  • By Uz, Xaneiro 12, 2008 @ 8:27 p.m.

    Gosto muito deste tipo de posts. Lembram-me à secção (posteriormente editada como livro) O FIO DA LÍNGUA, que tinha Henrique Harguindey há uns anos n’A Nosa Terra.

    Desejo-che que conserves por muitos anos a tua boa prosa 😉

  • By odemo, Xaneiro 13, 2008 @ 2:57 p.m.

    Nom me digas essas cousas Uz… 😀

  • By CP, Xaneiro 16, 2008 @ 11:38 a.m.

    Es una pena que no toquen todo el tema de la Reforma Protestante en la pelicula, con un toque historico más grande. Muy bueno lo del ambar. Quiza leyendo el libro valga más la pena ver la pelicula, por que sin leerlo, el film es un desastre.

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