Tassalógenos e dicionários

Nom lembro mui bem porque, fai uns dias falava com um amigo sobre os clatratos. Estes som formaçons mineiras dos fundos marinhos que acumulam grandes quantidades de CO2 na sua estrutura, em franjas mui concretas de pressom e temperatura, isto é: Baixo determinadas combinaçons de pressom atmosférica -criada pola profundidade no mar- e temperatura estas formaçons cálcicas som coma “esponjas” de gases de efeito invernadoiro. Um dos muitos perigos do aquecimento global é que a muda nas condiçons tanto gerais como locais do clima podam diminuir as propriedades absorventes dos clatratos, vem polo aumento do nível do mar -que deriva num aumento da pressom- bem polo aumento da temperatura nas correntes do oceano. Isto é umha das possíveis causas dumha futura aceleraçom do processo que tanto preocupa ultimamente.


Conquanto nunca sobram as advertências sobre o perigo real que o aquecimento global representa para a Humanidade, este nom é o tema que quero tratar nesta entrada no blog. Por pura associaçom de ideias quando falávamos das propriedades variantes dos clatratos lembrei-me dum artigo e dum neologismo criados por Isaac Asimov: Os Talassogenos. Numha serie de artigos divulgativos de finais dos anos sessenta (“Os Talassógenos”, “A Auga Quente” e “A Auga fria”) cavilava sobre as propriedades vitais da auga para a existência vida e das surpreendentes qualidades que a convertem num composto único no universo. O químico e divulgador russo nacionalizado americano imprimiu esse termo para definir os compostos químicos que podem formar oceanos a nível planetário, com propriedades físicas análogas as dos mares da Terra. Embora as conclusons de Asimov determinam que o único composto quam de criar oceanos (Do grego “Talasso-” oceano e “genos”, criar ). O termo nos artigos do grande divulgador fai referência só a os compostos quem de gerar oceanos tal é como o entendemos na Terra: Grandes quantidades de massa líquida, gelos polares, gás atmosférico, chuva, neve e outros fenómenos produzidos polas interacçons próprias da dinámica planetária), o termo tivo muito sucesso no campo da Astro-Física. Há alguns compostos e elementos que tenhem propriedades químicas e físicas que lhes permitiriam formar oceanos funcionais, mas os seus componentes som tam escassos que é mui pouco provável a acumulaçom de suficiente produto para formar mares num planeta. Porém agora os cientistas empregam o termo com umha definiçom mais laxa que a de Asimov -que tinha sentido no contexto dum “excusa” para escrever três artigos sobre o tema- para falar de compostos que podem formar apenas massas líquidas.

O termo tivo muito sucesso nos círculos especializados e na literatura divulgativa graças a excelente labor divulgativa do mestre Asimov e já vam mais de trinta anos disso, com todo se registrou de forma sistemática nos dicionários. Na nossa língua nem o Priveram nem o Estraviz tenhem esta palavra referenciada, e no padrom misto o Xerais -que acumula páginas e páginas com neologismos médicos- tampouco. Como em isolo nom tenhem dicionário “oficial” consulto na obra de referência da Academia galega, o dicionário da RAE e no VOLGA e o resultado é o mesmo. O “desapariçom” deste neologismo tam velho e de tanta importáncia num campo científico pode servir de exemplo da pouca preocupaçom pola fixaçom académica dos termos especializados fora das “ciências sociais” e a Medicina. Cuido que a supressom dos termos super-especializados em dicionários de uso comum* por razons de pura utilidade nom justifica obviar a sua presença nas compilaçons de referência. A dúvida que eu tenho nasce dos criteria que consideram o que é “léxico comum” e “léxico especializado”. No caso da língua galega os dicionários da corrente minimizadora da língua atesouram quase com vício os termos labregos – baixo a óptica limitada de o galego-galego é a versom castelhanizada falada só na Galiza durante todos estes séculos de colonizaçom- e amplos registros de decalques castelhanos na Medicina. O paupérrimo vocabulário técnico no de perse limitado VOGAL é a melhor prova.

O parágrafo anterior nom é de todo justo, pois bem é certo que existem algumhas publicaçons de léxico científico, normalmente editadas por universidades e grupos especializados. Porém em muitos casos, como o vocabulário científico digital da USC, a sua consulta está limitada para o pessoal da própria universidade. E o que muitas vezes indexam como “dicionários especializados” som vocabulários língua-língua como aquele (excelente) Vocabulário de Matemáticas publicado em 1995. Apertando o fole do veneno para falar do último tema do artigo podo concretar que na minha opiniom a causa última é que a construçom dum código culto nunca foi e nunca será a intençom das posiçons “oficiais”, e isso explica porque umha obra fundamental como o Manual de Galego Científico de Garrido e Riera surdiu desde as posturas de continuidade histórica da língua. Mas assim topamos coa desgraça eterna do português da Galiza: Quem tem os quartos – o isolacionismo- nom tem intençom de dignificar o galego fora do ritae e quem tem visom e comunicaçom com as outras variantes do idioma verdadeiramente normalizadas sobrevive coas finanças próprias.

Textos referidos:

ASIMOV, ISAAC (1966). ‘Os Tassalógenos’, ‘A auga fria e ‘A auga quente’ in The Solar System and Back.The Mercury Press, 1970.

SANJUAN LÓPEZ, A. (et alli) . Vocabulario das Ciencias Naturais. Xunta de Galicia. Santiago de Compostela, 1984.

GARRIDO, Carlos e RIERA, Carles. Manual de galego científico. AGAL, Corunha, 2000.

FARINHA DOS SANTOS TAVARES, J. (1994). Dicionário Verbo de inglês técnico e científico. Inglês-português. Português-inglês. Verbo. Lisboa, São Paulo.

MASA VÁZQUEZ, Xose M. (coordenador). Vocabulário de Matemáticas (galego-españo-inglés-portugués). Universidade de Santiago de Compostela, Compostela, 1995.

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