Maternidade revolucionária ou irresponsável? Umha reposta para Noelia Fernández Marqués

Na nota final da entrada de onde falava da sistemática deriva corrupta da crítica filosófica contra a deriva tecno-científica sob o auspício do Estado. Toda casta de movimentos obscurantistas aproveitam os louváveis esforços de crítica -fora do “todo vale” de Feyerabend- e melhora do processo científico para tentar recuperar um terreno que o mundo racional cuidava iluminado para sempre: Cosmologia, cosmogonia, origem da vida, prevalência do pensamento empírico, evoluçom, natureza da enfermidade, princípios básicos do ordenamento físico do universo… Por baixo das mesmas escusas rançosas de “luta contra o hegemonia e monopólio dumha ciência oficial” religiosos , curandeiros, newageiros e frikis vários minam as bases intelectuais que rematárom coa Idade Obscura.

Umha das últimas vagas cíclicas de crítica construtiva justa conversa em ouveadas pseudo-científicas é reclamaçons de partos “naturais”. Sirva de exemplo o artigo publicado no Novas da Galiza este mês por Noelia Fernández Marqués na secçom de Opiniom, intitulado ‘Maternidade revolucionária’. No jornal soberanista Noelia compila clássicas reclamaçons de “parto natural”, louvor da “sabedoria popular das mulheres”, as bondades do aleite materno e em resumo a maldade do sistema patriarcal, machista e altamente violento que se vive nos nossos hospitais. que procura despojar as mulheres do seu poder (as itálicas som texto original do artigo). Poderia criticar os dous primeiros parágrafos nos que a autora deixa bem claro que os homens nom temos direito algum sobre os nenos dos que aportamos a metade da herança genética, porém prefiro centrar-me só nos aspectos de novo obscurantismo e nom na machofobia confundida com feminismo.

Fernández Marqués cita os trabalhos do obstetra francês Michel Odent -um clássico no movimento do parto natural, e mui ligeiro e tópico nas suas consideraçons- para afirmar que o contacto coa nai no primeiro ano de vida é a causa e origem de todas as características futuras da criança, di Noelia que o obstetra afirma que essa relaçom condiciona absolutamente o seu modo de estar no mundo. Duvido muito que alguém com o mínimo conhecimento dos campos da Psicologia, a Biologia e a Sociologia faga afirmaçons tam categóricas sobre umha origem única de adiçons, doenças mentais, violência […]. Se alguém o duvidava os trabalhos de Odent som estudos estatísticos, e nom experimentais. A linha do artigo continua afirmando que o sistema patriarcal tem consciência disso -o determinismo absoluto derivado do contacto coa nai- e por isso procura interferir no processo fisiológico do parto. [Olho que chega umha falácia] O método som desculpas e argumentaçons “científicas” personificadas na praxe obstetra moderna.[Reparárom? Nom? Sim, repassem… Já? Claro, as investigaçons científicas do obstetra Michel Odent som válidas para louvar a preter-natural uniom nai-criança, mas os obstetras em geral som malignos, patriarcais e malignos].

Depois deste salto lógico que caracteriza as pseudo-ciências -empregar termos e conceitos científicos isolados e desprovidos do seu significado em contexto, unido coa imitaçom estética da Ciência real- regala umha perla na que sem licença vou reproduzir integra:

“Nom é muito complicado explicar porque a obstetrícia véu substituir a sabedoria popular das mulheres, a sua solidariedade e a sua capacidade de trazer bebés ao mundo em perfeitas condiçons sem invadir o corpo e a intimidade das mulheres, tam absolutamente fundamental para conseguir um parto feliz e respeitado ”

Neste parágrafo, que como peça estética nom tem preço, a autora afirma sem rodeios que a assistência das grávidas e as crianças com técnicas próprias da sabedoria popular garante um bom parto -em perfeitas condiçons!- e sem o “intervencionismo” maligno da prática médica clássica. Suponho que considerará que a gigantesca taxa de mortandade da nai ou da criança que se deu durante os séculos de hegemonia da “sabedoria popular” som umha mostra de “perfeitas condiçons”. Seguramente seguirá a mesma linha lógica de quem afirma que a “medicina tradicional chinesa” está cheia de mistérios e que permite a mítica longevidade e saude oriental, sem reparar em que essa longevidade e saude som de facto mitos e que dantes da chegada da patriarcal medicina ocidental as “práticas populares” garantia umha incrível esperança de vida de… 37 anos. Também pode ser que considere que todos os estudos históricos sobre a mortandade no parto -baseados nos registros eclesiásticos de séculos- som parte dumha trama maligna patrocinada polo patriarcado para ocultar que os partos tardo medievais eram umha delícia de mulheres em comunhom coa natureza, sentadas sobre ervas arrecendentes assistidas por umha sabia mulher em conhecimento de todos os segredos do processo. Quadro estático pintado com óleo que se complementa coa também clássica história da perseguiçom da sabedoria popular das mulheres nas caças de bruxas como parte doutra conspiraçom patriarcal.

O problema é que a senhora Fernández teria que procurar umha explicaçom mui boa para obviar no seu artigo que a aplicaçom sistemática da obstetrícia moderna permitiu reduzir e quase eliminar a mortandade da nai e da criança no parto, eliminando a tendência mui natural de um número considerável morrerem no processo. Duvido o muito que poda desbotar com argumentos de “ciência patriarcal” o feito de que a nossa espécie sacrificou na sua evoluçom o comprimento do conduto pélvico em troque dumha postura erguida mui funcional. E por desgraça as mulheres de homo sapiens sapiens nom desfrutam dum parto singelo, sem importar a postura escolhida para o processo.

Se seguimos co texto a autora afirma que : medicalizaçom indiscriminada dos partos, a mutilaçom genital em forma de episiotomia, a violência e o mau trato deixam-nos [as mulheres] indefesas, débeis, despojadas de todo e altamente inseguras. Considerará entom que o diagnóstico pre-natal, o controle das constantes vitais da nai e a criança, a asepsia, as provas peri-parto que detectam enfermidades e problemas motores ou a presença de especialistas em problemas médicos que podem derivar do parto umha medicalizaçom indiscriminada artelhada polo patriarcado para afastara a nai do filho? Considera a episiotomia – umha mutilaçom sim, mas um procedimento médico como pode ser a circuncidaçom por fimose- pior que o desgarro traumático para deixar passo o neno que se pode dar nos “partos naturais”? De verdade está considerando o trabalho e dedicaçom de todas as pessoas profissionais da medicina que ajudam no tránsito violência e mau trato? Que me perdoe Noelia, mas se eu fosse médico ou enfermeiro especializado em obstetrícia nom duvidaria em interpor umha denúncia polo grave insulto contra a honra do meu esforço que essas acusaçons injuriantes representam.

Em resumo, o artigo continua coa demonizaçom dumha prática médica que tem salvado a vida de milhons de mulheres e crianças, que nom viveriam de estarem nas maos da sabedoria popular. Eis onde falem muitas das dignas reclamaçons dum parto mais “natural”. Assino e compartilho qualquer projecto que procure melhorar as condiçons e comodidade das mulheres no parto, mas nom aquelas que baseiam a sua dialéctica em acusaçons obscurantistas de conspiraçom patriarcal contra o “poder feminino”. Concordo com a desejável reduçom do número de cesarianas, que por desgraça constituem umha soluçom quer mais segura quer mais “fácil” para um quadro de pessoal médico muitas vezes saturado. E quando se afirma que existe umha programaçom egoísta dos partos em funçom do horário pessoal cumpre perguntar se nom se programam todas as operaçons em funçom de algo menos negativamente emocional – o “médico egoísta”… e machista-patriarcal – como som os recursos finitos dum hospital.

Embora a senhora Noelia Fernández quer umhas melhores condiçons de seguridade no parto -e porque nom? Possibilidade do parto em cadeira- melhor seria que reclamasse mais orçamento e pessoal de profissionais da obstetrícia. E nom rematar o seu artigo criticando às mulheres que tenhem cabeça suficiente para preferir um parto médico em um ambiente que nada tem de violento, mas de seguro para elas e os seus filhos. Imitando a demagogia iluminada que estrutura o seu artigo eu poderia perguntar se as mulheres que escolhem parir em ambiente cálido sem intervençons desnecessárias querem negar os seus filhos a seguridade e a assistência médica para os seus filhos? E para rematar umha frase da que gosto muito nestas disputas: Se querem parto naturalcumpre-lhes lembrar que o natural no parto era morrer.

[Que me fuzilem em um, dous, três….]

FERNÁNDEZ MARQUÉS, Noelia. ‘Maternidade revolucionária”, in Novas da Galiza, (nº62, de 15 de Janeiro de Fevereiro de 2008), Compostela-Galiza, pág. 2.

HARRIS, Marvin. Cows, Pigs, Wars, and Witches: The Riddles of Culture. Random House, 1974.
(Este é um texto divulgativo de Harris que podedes topar facilmente. O recomendável seria algum dos seus artigos científicos. Outro dia compilo mais)

Sobre Michel Odent nom recomendo nada,com umha rápida procura em internet podedes observar que essa “reperência” é só autor de livros de “auto-ajuda”….

  • By Dietrichv, Xaneiro 31, 2008 @ 4:07 a.m.

    Mi m’a!!! metiches-te coas feministas anti-patriarcais revolucionaarias. Estas morto, se me preguntam eu nom te conhecim nunca e já me comim o carné do teu partido.

  • By odemo, Xaneiro 31, 2008 @ 1:22 p.m.

    Mexericas! 😀

  • By xorna, Xaneiro 31, 2008 @ 1:50 p.m.

    eu, se algún día teño fillos, quero parir no hospital, rodeada de médicos, com aparellos e toda a historia…

    isto lémbrame a esa xente super hippi de la muerte que non quere vacinar aos fillos…

  • By Odemo, Febreiro 4, 2008 @ 7:35 p.m.

    Emotivo relato Noelia. Nom quero ofender, mas… algum argumento nom emocional ou pseudocientífico?

  • By gelo, Maio 30, 2009 @ 10:18 p.m.

    As culturas pré-modernas têm como fundamento o ensaio / erro e o pensamento mágico (analógico, como a poesia). Isso não é rejeitável por completo, assim nos seus estudos das \vacas sagradas\ na Índia, Harris diz que a estima por elas não é simples superstição mas coerente e eficaz estratégia económica. Ele não considera que o cientista deva aceitar a explicação (\emic\) dos índios como válida mas como elas se relacioniam com a sua conduta (\etic\). Estudar, enfim, para comprender antes do que moralizar e / ou denunciar os adouradores de \vacas sagradas\. Ceticismo implica investigação.

    Assim, sobre \as bondades do leite materno\ (e os partos distanciados no tempo, assim quanto o funcionamento do coração), veja-se o estudo(1) do biólogo Goodwin a destacar a suas relações com os infartos a partir da investigação de diferentes comunidades indígenas na Índia contrastados com os hábitos alimentares e outros na Inglaterra. Numa linha de compromisso de incidir no auto-cuidado entre as camadas populares decidiu fazer experimentos desse género na Inglaterra, \trata-se de devolver à gente o que é seu\ dizia um participante. Não muitas multinacionais apostam por essa linha de investigação. Lógico.

    Analogamente, as diferentes e conhecidas (e numerosas!) tradições culturais pré-modernas em que a mulher dá a luz agachada não podem ser rejeitadas como irrelevantes por não serem científicas. Quando as multinacionais farmacêuticas procuram as beberagens realizadas por povos indígenas não é por confiança nos seus conhecimentos científicos mas sim nos empíricos. É diferente. Por que umas questões são dignas pesquisa científica e outras não merecem dinheiro para a investigação?

    Seja como for, no materialismo cultural de Harris a reprodução é tão importante como a produção (a aproximar-se de Malthus e a afastar-se de Marx). (2) No seu estudo -não muito bom- sobre a caça às bruxas poderia ter incidido mais sobre o facto de ser uma época (o Renascimento) de grande mudança social cultural, produtiva… e reprodutiva. A preferência dos caçadores de bruxas por acusarem parteiras de matar e devorar criancinhas merece mais atenção.

    Não lim o artigo de Fernández Marques mas dizer que a prática atual é \interferir no processo fisiológico do parto\ é algo óbvio e denunciado várias vezes pola OMS bem que não sei se no mesmo sentido. Que Espanha tem um índice de cesarianas elevadíssimo (e decerto a Galiza, por isso algumas galegas decidem ir parir a Astúrias) nomeadamente -é claro- nos serviços privados, não é um segredo.

    E torno a Harris, controlar uma sociedade é controlar a sua base: a produção e a reprodução humanas. Cumpre, pois, nestes tempos tecnicamente avançados, que a mistificação que justifica o controlo (\etic\, nem sempre reconhecido nem consciente) seja \científica\ antes do que religiosa e mesmo ideológica. É por isso que Harris considerava Espanha receptiva para com as suas hipóteses de trabalho, não por considerar os espanhois mui inteligentes mas por ver condições objetivas (\etic\) para uma abordagem mais desprejuízada das \ciências sociais\(3). Para o caso do controlo da reprodução podemos começar por controlar o corpo das mulheres, é simples de entender. Assim, tratar o processo como se duma doença se tratar dá uma autoridade ao médico que não anima -desativa- uma ética do auto-cuidado como a sugerida no campo da enfermaria. Simplesmente os processos espontâneos de transformação corporal (para já não falar dos psíquicos e sexuais) são moléstias para o tratamento standard que promove que não seja o corpo quem decida quando deve ser o parto, quando as contrações, quanta oxitocina (básica para a nossa socialização mamífera) deve ser segregada. Tudo isso deve ser disposto ao serviço do controlo -nada \emotivista\, mas sim duma arrogância implícita, naturalizada (4)- que nega necessidades mamíferas e humanas básicas(5). Não faz falta negar a hipótese de que uma mulher -numa situação de máxima vulnerabilidade tanto física quanto emocional e disposta à entrega para com os espasmos espontâneos do seu corpo em favor duma nova vida- precisa dum \reforço emocional positivo\ (para evitar a palavra \amor\) que pode vir duma veterana e madura parteira empática com a sua transformação corporal, simbólica, afetiva e sexual (uma bruxa?). Cuido que elas não nos vão comer por estarem juntas com as suas cousas. 😉 Ademais, deste jeito o médico bem poderia ir à máquina do café e fazer companhia ao indivíduo suspeito de contribuir geneticamente à criação da nova criatura. Solidariedade.

    Enfim, voltando às cousas de mulheres, um bebé neste caso, (observe-se o conservador do meu pensamento). Num determinismo biológico (duro ou suave, não \causa única\, quem diz isso?) não é incompatível dar importância ao primeiro ano de vida. Somos mamíferos, como os macacos e são conhecidos os experimentos de Bowlby : o macaquinho prefere passar fame antes do que prescindir dum contacto que poderiamos chamar de \afetivo\. É por isso que as crianças abandoadas e bem alimentadas mas sem cuidados afetivos chegaram a morrer, é necessida básica. Ainda sabendo isto, na rotineira medicalização do parto a impronta desse vínculo primário é desconsiderado e o corpo da mãe tratado como inferior perante a incubadora. No entanto o bebé continua a ser um mamífero neoténico cujo cérebro está sem formar no primeiro ano de vida (pode-se dizer que leva uma vida pseudo-fetal). Infelizmente a nossa condição neoténica não é um tema que tenha chamado a atenção à comunidade investigadora(6) que tem outros problemas (contribuir a patentar sementes, por exemplo) (7) e aposta mais polo controlo da natureza, controlo que é sistemático e é patriarcal como nas descrições de Harris sobre os \Grandes Homens\. Alguém duvida?

    Toda a vez que se desconsidera o protagonismo da mulher no parto (e o vínculo entre elas e a do mãe e a criança, poder) é terreno para o Método Estivill, tão \científico\ (ou, polo menos, nada de emotivo), que considera que um bebé a reclamar contacto humano (pele, suor, cheiro, vozes, latidos do coração) é um \manipulador\. Como diz uma seguidora \Eles apenas choram pq sabem que isso é uma forma de \amolecer\ os pais\ e um bebé menor de três meses não deve dormir com os pais. É deste jeito que para nós o trabalho (também o emocional) não está ao serviço da reprodução (e os seus irracionais e egoístas resultados: as crianças, talvez defendidas por alguma mãe \histérica\). Para seguir com Harris, agora que nas nossas sociedades já esta roto o vínculo entre sexualidade e reprodução, por questões produtivas, uma cultura que desafetivice as relações (também as mais intimas) concorda com a nossa dinâmica consumista mas, adverte Harris, continuamos a necessitar carinho. Aí não diz nada as valorações \científicas\ dum Kirk, descobridor da hélice ADN, que não se importa com o \comportamento absurdo do ser humano\ ao tempo que valora que mulheres e negros são inferiores aos homens brancos(7) e a, seguir a moda de Dennet, diz que a auto-consciência não demonstrada cientificamente) é \um mito\.

    Para ir acabando, reprovar a religiosidade de Odent não tem nada de racional. Newton era um alquimista paranoide e Descartes, que desconfiava mesmo de Deus, só conseguiu confiança avondo quando nos seus tempos de soldado cristão um anjo (!) lhe dixo que a chave estava na matemática. Isso não é motivo para negar as suas investigações, o amigo de Harris, Gustavo Bueno, tem falado na crença dum Deus externo e construtor da natureza como fundo cultural favorável para buscar fórmulas matemáticas como constantes do mundo natural (\Leis\). Em comparação com Newton, Descartes ou Odent não é pouco racionalista nos seus aprioris. Os critérios ontológicos não sempre se negam metodologicamente e de inferir a pouca racionalidade de Odent nas suas hipóteses de trabalho, daquela, a antropologia de Harris não se sustém (e concordo com isso).

    No seu trabalhinho contra a contra-cultura Harris relacionou os movimentos armados messiânicos com a psiquedelia californiana. Seja como for, não existe um movimento de massas de hippys na luita armada e polo amor-livre mas, vistas as cousas, talvez não fosse tão grave.

    (1) Las Manchas Del Leopardo – TusQuets Também relacionado com o \holding\ ou vínculo mãe filho do psicanalista Winicott.

    (2) Observe-se que nos animais o \trabalho\ está ao serviço da reprodução e não ao contrário: os passarinhos e os seus ninhos, os castores e as suas tocas… De feito, o \darwinismo\ centra-se na reprodução como via da \seleção natural\. Que conclusões podemos tirar para as sociedades humanas? Seja como for, é possível que em determinadas crises a incidência na reprodução e nos vículos de identidade são reforçados, num recente debate político Mayor Oreja vem de declarar: <>.

    (3) Mario Bunge, terror da pseudo-ciência, tem afirmado que só o materialismo cultural de Harris tem algo de ciência (como hipótese, nom como teoria) no grupo das \ciências sociais\ e tem denunciado pseudo-ciências como o marxismo e a psicanálise sem negar que são fascinantes e criam interessantes problemas para uma mentalidade racional, assim, por exemplo, a atual psicologia cognitiva-condutual deve muito à psicanalista Karen Horney, promotora do auto-cuidado psíquico e iniciadora dos livros de auto-ajuda, que os há, e muito bons. Visto assim, Odent expõe uma correlação de dados empíricos com estudos sobre comportamentos de primates e outros mamíferos mas sem cair na lameira como figeram os materialistas dialéticos que negavam os avanços na genética \burguesa\ devido à superioridade da \ciência proletária\. Caralhadas que custaram muitas vidas. Ademais, muita da \ciência\ dos hospitais é aplicação de saberes empíricos num fundo científico, não sejamos parvos, a vida é assim.

    (3) Lynn Margulis, militante pró-bactérias e renovadora da Teoria Sintética da Evolução não se cansa de advertir da arrogância científica. Talvez ela também é boa, mas não como Kirk.

    (4) num debate de televisão sobre este tema uma mulher reclamava parir com cesaránia para assim evitar o parto. Naturalmente teria que ser-lhe subministrada a oxitocina artificial a romper o vínculo mãe-criança. Responsabilidade?

    (5) Com alguma exceção, como Louann Brizendine.

    (6) Goodwin foi dos poucos biólogos que pediu uma moratória sobre os \transgénicos\.

    (7) Harris é inspirado no positivismo que diz que qualquer enunciado ético, do ponto de vista científico, é uma \proposta sem sentido\. Com efeito, a ciência nada tem a dizer sobre questões valorativas. Uma pesquisa científica não pode contribuir para salvar vidas ou acabar com elas, decidir sobre a vontade sobre uma ou outra cousa não é critério científico. O mesmo se passa com a decisão de que questões investigar.

  • By botánico, Xuño 1, 2009 @ 11:22 a.m.

    Sem ir às disquisiçons de Fer e Gelo, somentes quero falar do caso pessoal. Sou pai de duas crianças.
    A primeira nascida no CHUS (Compostela) um dos hospitais com mais médios técnicos de Galiza, mas com umha praxe horrível. Parto provocado (o feto nom amosava problemas no seguimento, mas “passava-se” da data “marcada”). Por suposto, rasuraçom da zona púbica e aplicaçom de enema. Ao ser provocado, desde o primeiro momento injecçom de oxitocina. Aliás, proibiçom à mai de mover-se da cama. A oxitocina, junto com a impossibilidade de se mover para poder colher melhor as contraçons provocam dor horrível, polo que nos proponhem a epidural.
    A epidural mingua a dor, mas tem a consequência de que a minha companheira perde a sensibilidade de sí mesma, polo que nom sabe quando tem as contraçons, e também perde a capacidade de empurrar acompanhando às contraçons. Resultado: tinham que dizer-lhe quando empurrar, ela esgota-se num exercício inútil e finalmente tenhem que quitar a menina com ventosa. Também figerom a episiotomia.
    Pessoal precisso para este parto: 2 matronas, 1 ginecóloga, 1 anestesista.
    O traumático deste parto, junto com o trato desagradável do pessoal deste hospital, fijo que na segunda criança optassemos por fuxir do SERGAS e parir na casa.
    Finalmente parir na casa nom foi possível e optamos por parir no hospital do Salnés (Vilagarcia de Arousa).
    O segundo parto:
    Nom provocado. Sem oxitocina. Sem rasurado. Sem enema. Permitindo que a mai estivesse de pé durante a fasse de dilataçom. Sem episiotomia. Sem epidural. Pariu por sí mesma. E era um hospital do sergas igual que o CHUS!
    Pessoal precisso para este parto: 1 matrona.

    Se calhar os argumentos empregados pola autora para justificar o tema do parto respectuoso nom som do mais correcto para o teu ponto de vista. Mas defender o parto medicalizado ao extremo, o parto tratado como umha enfermidade, penso que é inxustificável.
    Como para todo, há opinions diversas, e escolhas diversas, mas o facto de que apenas 2 ou 3 hospitais da galiza deam a possibilidade de ter um Plano de Parto, onde cada mai escolhe o procedimento (desde mui medicalizado até nada medicalizado, passando por todas as variantes possíveis) dí muito sobre o respecto que no nosso país se tem cara as mulheres.

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