Estas TdN fum…

Escrevo isto desde o aeroporto de Barajas, na capital do Imperio Pequeno, apos um dia de descanso e relax em Elx graças a hospitalidade de Dietrivch. Tere que publicar manha, porque nom topei umha soa wi-fi aberta em todo o aeroporto. Na zona marcada como wi-fi perto das portas de embarque a única rede aberta que existia era realmente umha rede de pago prévio com cartom de crédito que “parece aberta”, mas sempre redirige a página procurada para a sua própria onde podes pagar a conexom. Acho que é umha boa monstra do espírito dos tempos que as duas únicas opçons de conectividade num dos principais centros de tránsito de pessoas na península sejam computadores de moedinhas -e de infame teclado- ou umha rede privada com pago prévio. Igual que a inexistência de espaços públicos com asentos fora das zonas inmediatas às portas, bem afastadas dos ecrans coa informaçom dos vôos, de jeito que se quigeres descansar umhas horas mentras nom sabes qual é a tua porta só tés a opçom dos bares ou restaurantes da zonas comerciais.

Bom, mas nom quero escrever umha reflexom apostólica sobre a eliminaçom dos espaços públicos de balde, assim como do acceso às redes de comunicaçom, como ferramenta de eliminaçom da própria sociedade pública. Venho de (cá bem-dito) frikeiar durante quatro dias nas bem chamadas Jornadas Tierra de Nadie. Cada pessoa tem os seus divertimentos e os leitores deste blog sabem que os meus -ou uns dos meus- som os chamados “jogos de rol”, “jogos interpretativos” e também toda a aura constituida por “jogos de mesa divergentes”, jogos de estrategia, literatura e outras produçons audovisuais no eido fantástico, especulativo ou de terror e para ser sintéticos: frikismo no significado estrito -mas variado em conteudo- da palavra. E estas juntanças som o melhor lugar para “practicar” os meus hobbys num ambiente especialmente preparado, trocar ideias, estilos e experiências com mais de 500 pessoas coas que comparto muitas dessas afecçons e sobretodo desfrutar.

Este já é o segundo ano no que participo, e seguro que nom será o derradeiro. Gosto de jogar nestas jornadas a maior quantidade possível de partidas do chamado “rol em vivo” -no que se prioriza mais a interpretaçom directa da personagem mais que as acçons particulares, caminhando polo bordo do chamado teatro de improvisaçom- porque é umha actividade que nos meus círculos frikis em Compostela nom podo realizar amiudo. É entom quando tenho a oportunidade de tomar a pessoalidade e a vida de homens -e algumha mulher, com surpreendente sucesso segundo os companheiros de actividade- mui afastados do meu eu cotiam.

Este ano fum um escritor alemam, filho dum empresário fabricante de armas, que tentava desprestigiar o seu rival literário, devaluar o carregamento de armas dum adversário profissional do pai e converter no amante da arquiduquesa do Império Austro-Húngaro numha reuniom social de dito império no que outros tramavam o futuro assassinato do A.D. Fernando. Um homem que conseguiu numhas poucas horas todos os seus desejos -inclusive um tempo privado, aliás privadíssimo coa archiduquesa- só para ser envelenado polo seu rival minutos antes de rematar a festa.

Fum um alcoolico sacerdote jesuita, conhecido polas suas publicaçons sobre criminologia e os seus relatos policias nos EUA, a colaborar coa lei numha Compostela ligeiramente alternativa para resolver o peorcupante caso da morte de duas mulheres novas na cidade. Um peixe fora da auga acompanhado as suas colaboradoras na policia num mega-local gótico -imaginariamente sito na Praça do Pam- ateigado de criaturas cuja natureza nom suspeitamos nunca. E que morreu -ele também!- lodo de descubrir que os vampiros eram reais nesse mundo, mas que o assassinato das rapaças nom estava ligado com eles.

Fum um arrepiante émulo do doutor Mengele nas horas anteriores a liberaçom dum campo de contraçom e extermínio polas tropas soviéticas. Um homem pragmático com umha vissom para o Reich implicado numha trama clássica de conspiranoia nazi. Num castelo-campo de concentraçom onde comandantes do exercito alemam dirigem divisons de trabalho nas que experimentam cos pressos judeus para topar um virus que remate coa populaçom nom-ária, tentam falsificar o dolar para afundirem a economia americana e procuram nos sotos ocultos do castelo a Lança de Longinus mentras todos temtam ocultar dos seus companheiros a natureza dos seus trabalhos. Puidem interpretar a um ser sem alma que ameaçou sem piedade coas mais terríveis torturas disfarçadas de experimentos científicos para conseguir -sem éxito- mostras do sangue do suposto filho de deus na arma supostamente topada polo outro grupo de investigaçom, para o clonar e poder presentar o novo Jesus como um seguir do III Reich. Para rematar com umha emulaçom dos mais clássicos da conspiranoia e fugir coa documentaçom para Argentina, mentras o castelo ardia minutos antes da chegada dos russos….

Fum um pobre desgraçado, namorado da mulher equivocada e implicado num triángulo amoroso-sexual no que participa o seu melhor amigo -contra o que nom pode competir em afouteça, postura e capacidade económica- que remata atrapado com os seus flagelantes companheiros numha vila perdida a meio caminho entre Tucsa e Fenix chamada “Stix Lake”. Sem saber que o lugar nom é o que parece, e que esse accidente coa furgalha coa que cruzavam os EUA tivo mais consequências que a de ter que viagar num cheirento autocarro com umha colecçom de pessoas curiosas, suspeitosas ou simplesmente extranhas. Um homem que tem a oportunidade de redimir a sua enveja polo seu amigo numha sorte de purgatório sob o sol de Arizona mentras luta polo amor dumha mulher que nom o merece. E que pode fugir dum inferno nada metafórico graças a consideraçom dumha Perséfone disfarçada de co-proprietária do único motel da vila, e que passa seis meses cuidando da sua nai em Fenix…

E fum um androide corporativo num futuro distópico na Verona do ano 2020. Onte as mega-corporaçons, dirigidas por émulos de personagens de Shakespeare lutam entre elas num bailes de tramas, velenos, assassinatos e drogas. Um ser artificial encarregado do cuidado do filho deserdado do anterior presidente, que continha quatro pessoalidades ignoradas entre elas: Umha ama-seca e mentor do rapaz -agora já com trinta primaveras-, um bufom festeiro desenhado para dar alegria nas festas, a memória do pai morto -a pantasma do pai de Hamlet- deformada e mal copia como método de seguridade e um espia da outra corporaçom rival. Um personagem complexo co que gocei e puidem força os límites da minha capacidade interpretativa…

Embora também fum eu, a desfrutar da companha de muitas pessoas, conversas e brincadeiras “especializadas”. A conhecer muita gente e a desfrutar das suas interpretaçons em muitos contextos. Se calhar isso é o melhor destas “jornadas frikis”: A oportunidade que temos de conhecermos outras pessoas coas que partilhamos afeiçons e intereses e que noutros contextos consideramos únicos ou escepcionais. Claro que depois de quatro ou cinco dias de contexto firki é extranho constatar que ti és o unico ques escaralha se comentas: “Ouch! Cuido que isso foi um crítico!”. Marcho das TdN 2008 com mui boas lembranças, e com ganas dumhas TdN 2009… 😀