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Outras épocas, e tam perto…

Passarom já uns meses desde a morte do me avô, e uns poucos mais desde a da minha avó, mas na minha casa seguimos coa labor de classificar e ordenador os centos de livros que os dous, grandes leitores, acumularom durante umha longa vida. Estes dias de agosto, contando coa ajuda da minha tia, centramos nos livros de cozinha e receitas e as notas pessoais da minha avó. Entre eles estava um destes “clássicos” que durante muito tempo regirom as cozinhas espanholas: “ABC de la cocina cotidiana” de Leonora Ramírez, A ediçom que tinha avó era do 71, e pola nota na contraportada mercara-o uns meses depois em Lima. É umha parvada, mas passarom já quase 40 anos desde a sua publicaçom, e surpreende ao leitor moderno as primeiras linhas do prólogo:

“Este libro que tienes ante ti, está exclusivamente planificado para tu consulta curiosa y urgente; ha sido escrito pensando en la recién casada, en la joven y primeriza ama de casa, tan llena de proyectos y esperanzas.

[…] creado y pensado par ala joven inexperta que, bien por sus estudios, ocupaciones o deberes laborales o tal vez, ¿por qué no decirlo?, a causa de una cierta pereza, apenas si se ha asomado a la cocina de su madre.

Pero la gentil mujer de nuestros días, la muchacha convertida en señora ama, sabe aprender y asimlar rápidamente cuanto se propone.

Os seguintes capítulos som umha exposiçom das técnicas de cozinha e das ferramentas. Som menos chocantes, mas nom deixam de surpreender as recomendaçons sobre as cámaras frigoríficas ou  as panelas/potas de pressom, sob o epígrafe de “Modernidad y variedad en la cocida”.  Ou os obrigados parágrafos sobre “la cocina regional”, cheios desses tópicos “de sempre”. Mas se calhar as frases mais angraçadas e bizarras sejam as do começo do capítulo sobre o lume:

El fuego

Llama viva del hogar, el fuego ha estado, dsede siglos, alimentado y dominado por la mujer. A la mujer le han sido destinados las más delicadas y peligrosas tareas, y se ha compenetrdo con ellas; armas; como tijeras, agujas, cuchillos; fuego: fuego del hojar, rescoldo o llama. Sacerdotisa, reina, artesana, el ama de casa es valerosa por instinto y cocación.

Há também outra cita, que agora mesmo no dou topado, na que se indica que a mulher tem que supeditar os seus gostos culinarios aos do marido. Mas agora mesmo nom sei por que parte do livro está. Com todo, estas duas chegam para dar umha ideia do muito que mudarom, alomenos na estética -por desgraça nom na praxe- os clichés do fogar. Ninguem fixaria em palavras essas ideias hoje, mas essa ideia de que “a mulher, por tanto trabalhar e tanto estudar, perdeu a sua parte feminina no fogar” está mui presente, por própria experiência pessoal som as próprias mulheres e os amis novos os que tenhem essa ideia de tempos passados -ou de transiçom- na cabeça.

A escuitar: Quero ser o Malo da Película -Ataque Escampe Quero ser o malo da película