ceptismo – O demo me leve http://odemo.blogaliza.org "Si eu fixen tal mundo, que o demo me leve" Mon, 16 Apr 2012 18:11:04 +0000 gl-ES hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.1 Homeopatia: Umha compilaçom de argumentos contra o calote http://odemo.blogaliza.org/2011/06/28/homeopatia-umha-compilacom-de-argumentos-contra-o-calote/ http://odemo.blogaliza.org/2011/06/28/homeopatia-umha-compilacom-de-argumentos-contra-o-calote/#comments Tue, 28 Jun 2011 20:55:16 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=2059 Já som muitas as ocasions nas que tenho de argumentar contra a propagaçom do calote pseudocientífico da homeopatia. Com o tempo tenho delinhado uns idéias e respostas básicas para informar à gente sobre ela, assim que decidim fixar num documento simples (duas páginas a duas colunas) que recolhe os detalhes mais singelos de perceber. É a combinaçom dalguns FAQs, argumentos ceptístas clássicos e algo da minha própria colheita. Podedes descarregar aquí se queres. Colo aquí o texto para consulta rápida:

A homeopatia é uma pseudociência de medicina alternativa usada como tratamento para uma série de doenças e enfermidades, incluindo, e não só, artrite, asma, depressão, eczema, diarréia, dores de cabeça, insônia e dor de dentes.

A enorme indústria homeopática e grupos alternativos críticos coa industria farmacêutica defendem os seus produtos como seguros, naturais e holísticos, mas a evidência científica mostra que a homeopatia age apenas como um placebo e não há nenhuma explicação científica de como poderia trabalhar de outra maneira.

Os princípios homeopáticos

A homeopatia baseia-se em duas crenças: (1)Semelhante cura semelhante, e (2)A menor dose, cura mais potente. Primeiro, os homeopatas escolhem uma substância que provoca os mesmos sintomas que a doença que pretendem tratar. Por exemplo: O nariz pingado e olhos lacrimejantes de um resfriado podem ser recriados por inalação de vapores de cebola, então o suco de cebola pode ser a base duma preparação homeopática.

Segundo, a substância escolhida é repetidamente diluída e abalada (também chamada sucussão). Isto é suposto para reduzir o potencial de causar danos, e também torná-la mais eficaz.

Os princípios sob a luz da Ciência

Semelhante cura semelhante

É um princípio que não tem explicação possível. O princípio “Semelhante cura semelhante” afirma que só têm de coincidir os sintomas da enfermidade e o tratamento, sem importar a condição ou patógeno subjacente que os cria. Alguns homeopatas dizem que age como um vacina, mas isto não é certo pois as vacinas agem preparando o sistema imunológico para reconhecer umh doença em particular com uma versão segura do patógeno (um vírus debilitado, por exemplo). A teoria da homeopatia não coincide com como o corpo funciona e todo o que já sabemos sobre o metabolismo, as bactérias e vírus e a origem das enfermidades. Ademais, resulta contraditória, p.e., uma dor de cabeça pode ser sintoma de stress ou dum cancro cerebral, e evidentemente os tratamentos requeridos som mui diferentes.

Dose mínima

As preparações homeopáticas têm sido diluídas até o extremo de que a maior parte não contem uma soa molécula do ingrediente activo. Por exemplo, uma dissolução normal 30C significa que uma pinga do princípio activo foi diluída em 100 pingas de água, depois uma pinga da dissolução resultante foi diluída em outras 100 pingas de água, tomada outra pinga desta nova dissolução e repetido o processo 30 vezes. A possibilidade de que um preparado homeopático 30C contenha uma molécula do ingrediente activo original é menor que a de ganhar a lotaria… todos os dias… cinco semanas seguidas.

A homeopatia e a sua época

Os princípios básicos da homeopatia som pois contrários a todo o que hoje sabemos sobre a origem das enfermidades (bactérias, vírus, metabolismo…) e a constituição da matéria (átomos, moléculas…). No momento da criação desta prática no século XIX o seu fundador Samuel Hahnemann (1755 – 1843) não conhecia nenhum desses descobrimentos científicos e a sua intenção era obter uma alternativa à prática médica da época -sangraduras para “equilibrar” os humores- que não fosse invasiva.

Embora as suas intenções foram boas o progresso do conhecimento científico desbotou as suas teorias, igual que fixo com muitas outras no processo de configurar o que hoje conhecemos como Medicina Científica. As afirmações que constituem a base da homeopatia -e que não mudaram em 200 anos- som erradas agora que conhecemos muito melhor o comportamento do nosso corpo e das enfermidades.

Porém os homeopatas que ainda seguem as ideias de Hahnemann acreditam que a água “lembra” o ingrediente activo na sua estrutura. Basta dizer que se isso fosse certo a água lembraria também as propriedades das substâncias que foram diluídas nelas no longo do tempo, como os desperdícios orgânicos de animais e pessoas, as plantas e bactérias ou peixes mortos nela ou até qualquer substância tóxica que alguma vez fora vertida numa massa de água. Até lembraria o tubo de ensaio -e todas as suas impurezas- nas que o preparado homeopático foi feito!

As evidências

Ao longo destes anos cerca de 150 testes clínicos* têm falido ao tentarem demonstrar que a homeopatia funciona dalgum jeito. Alguns estudos de pequena escala têm indicado pequenas resultados positivos, mas foram realizados com metodologia pobre ou sem contar com efeitos aleatórios. Quando pomos todas as evidências juntas e em contexto demonstra-se que a homeopatia não é mais que um placebo.

Que é um Teste clínico?

Um estudo recentemente publicado na revista The Lancet comparou 110 testes homeopáticos com 110 da chamada “medicina convencional”. Os autores descobriram que quanto mais estritas e rigorosas era a prática científica da investigação maior era a evidência de que a medicina convencional funcionava e a homeopática não funcionava em absoluto. Em resumo: quanto melhor é a investigação menos efectiva parece a homeopatia.

Realmente poderíamos dizer que todas as pílulas som efectivas: até as pílulas de açúcar podem fazer que gente enferma sinta uma melhoria. Mas que se sintam melhor não quer dizer que a enfermidade desaparecesse realmente, e os doutores precisam então um método para distinguirem entre placebos e verdadeiros medicamentos.

O procedimento aceitado por todos os cientistas é o chamado “estudo aleatório de duplo cego”: Voluntários que sofram da mesma doença som separados em vários grupos (quanto maior seja o número de pessoas menos relevantes som as suas peculiaridades). Um deles é tratado com o medicamento a provar, outro com um produto inócuo e o terceiro é mantido como referência e não é tratado. O estudo chama-se de duplo cego porque nem os enfermos nem os doutores que os tratam sabem em que grupo está cada indivíduo.

Todas as medicinas reais têm de passar este tipo de testes para demonstrarem que som seguras, e que produzem mais efeito que um placebo.

Porque a Homeopatia parece funcionar?

As pessoas empregam homeopatia porque acreditam em que funciona. Ainda que a homeopatia como outros placebos não funciona no sentido clínico, pode induzir melhoras psicológicas e algumas fisiológicas. E as vezes simplesmente a sua administração como “recurso alternativo” coincide com a toma dum medicamento que realmente funciona, ou com o processo natural de melhora.

O efeito placebo

A consciência de que um está a receber um tratamento para a sua doença acostuma tranquilizar os enfermos. É conhecido que a redução do nível de stress psicológico acelera a recuperação de feridas e enfermidades víricas (potenciando a resposta imune) e reduz a pressão sanguínea. Assim que até se o tratamento é inerte, pode ter efeitos reais no corpo.

Nessa redução do stress também influi o “procedimento diagnóstico” dos homeopatas: não têm que investigar realmente que enfermidade provoca os sintomas -só determinar estes- e assim podem dedicar mais tempo a um “tratamento pessoal com o paciente” que fica mais tranquilo.

As respostas condicionadas também som importantes. Experiências passadas de tratamento podem estimular o sistema imune para que actue mais rápido quando se administra um novo tratamento (incluso um placebo). Com todo, fora da redução do stress do paciente o efeito placebo é mui débil em termos de:

  • Reprodutibilidade:
    Ao depender da sensação psicológica do paciente de respostas imunes secundárias o efeito placebo acontece só as vezes, ainda nas mesmas condições. Estudos com enfermos de dor crónica amossam que um placebo pode substituir a morfina habitual, sempre que antes se começara com o tratamento de morfina, e que a eficácia do placebo diminui com o tempo se não se reforça com analgésicos reais.

  • Potência:

    O efeito placebo só é efectivo com doenças menores.Pode ajudar com a dor, fatiga, enjoamento e cousas assim, mas não pode combater ossos rotos, enfermidades infecciosas ou cancros. Noutras palavras, pode atenuar os sintomas da enfermidade, mas não a enfermidade em si.

Existe um “poderoso efeito placebo”?

Alguns informes sobre tratamentos homeopáticos que curam doenças relativamente sérias som às vezes atribuídos a um “poderoso efeito placebo”. Mas existem muitas outras explicações mais plausíveis e lógicas que teriam que ser desbotadas antes de considerar isso uma recuperação homeopática.

As vezes a administração dum tratamento homeopático coincide com a recuperação do/a paciente, mas não quer dizer que esteja ligada: é uma falácia supor que dois eventos que ocorram em sequência cronológica estão necessariamente interligados através de uma relação de causa e efeito. Muitos outros factores podem ser os causantes:

  • Progresso natural de recuperação:

    Menos em doenças fatais a capacidade de recuperação do corpo humano é fascinante e muitas vezes é quem de se sobrepor os males se se lhe permite tempo e um estado de repouso (como andaços de gripe).

  • Sintomas flutuantes:

    Muitas enfermidades crónicas -como a artrite ou a fatiga crónica- variam a intensidade dos sintomas com o tempo, as pessoas doentes procuram ajuda e tratamento –e alternativas como a homeopatia- quando a dor é maior, e quando esta diminui de forma natural isto é percebido como uma melhora e ligado com a “medicina” administrada.

  • Doenças que remetem:

    Algumas condições consideradas como enfermidades e habitualmente tratadas com medicamentos homeopáticos – acne, depressão ligeira, problemas respiratórios nocturnos, icterícia infantil- som situações temporais dependentes de factores cronológicos (como o nível hormonal do acne ou a função do fígado nas crianças) que desapareceram independentemente do tratamento seguido. Como as pessoas doentes acostumam empregar as alternativas homeopáticas depois de provarem tratamentos mais “tradicionais” o consumo de remédios homeopáticos coincide com a retirada natural da enfermidade.

Homeopatia em animais e crianças

Homeopatas afirmam que a homeopatia funciona para animais e crianças, que não poderia ser explicado. Embora muitas dessas supostas melhoras nessas criaturas sem psicologia complexa podem ser explicadas pelos fenómenos do ponto ponto anterior, também podemos indicar que as provas homeopáticas publicadas sob esses indivíduos não som supervisionadas por pessoal veterinário ou pediatra especialistas, e têm então um forte enviesado. Aliás as provas que sim foram supervisionadas por pessoal qualificado demonstraram ser tão falidas como as da homeopatia em pessoas adultas.

E lícito receitar placebos?

A única eficácia da homeopatia é como placebo. Há quem argui que os placebos fazem“sentir melhor” a gente, e que isso poderia ser uma razão para os administrar. Mas som muitas mais os argumentos na sua contra (menos poucos casos): A ética médica obriga a uma relação de confiança e honestidade entre o pessoa tratada e o pessoal médico. Para administrar o placebo é necessário mentir ou não informar à pessoa enferma sobre o tratamento, o que não é ético. Também administrar placebos homeopáticos, que só atenuam alguns sintomas, pode instruir à população em que estes som efectivos, e que fiquem sem tratar as enfermidades reais que os causam. Por último os tratamentos médicos eficazes já som reforçados pelo efeito placebo, mais a sua própria função terapêutica, assim que não existe razão para administrar tratamento sem eficácia real.

Alternativa à indústria farmacêutica?

Por último, muitas pessoas afirmam que o consumo de homeopatia é uma maneira de lutarem contra o predomínio do sistema farmacêutico mundial. Porem os próprios tratamentos homeopáticos som fabricados por um gigante industrial quase monopolístico: A Farmacêutica Homeopática Boiron.

Esta empresa fundada em 1932 não só fabrica os medicamentos, aliás é a responsável da maioria das campanhas de publicidade pro-homeopatia, dirige ou patrocina quase todos os “centros de estudos” que titulam os homeopatas e actua como um poderoso lobby. Tem vantagens estratégicas sobre outras farmacêutica “tradicionais” pois não tem que inverter absolutamente nada em investigação científica real, na procura de substâncias que realmente curem. E tampouco na síntese de caros princípios activos, pois os seus preparados som constituídos na sua totalidade por água, açúcar e alguns agregantes.

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Venderias a tua alma ao Dianho? http://odemo.blogaliza.org/2010/02/08/venderias-a-tua-alma-ao-dianho/ http://odemo.blogaliza.org/2010/02/08/venderias-a-tua-alma-ao-dianho/#comments Mon, 08 Feb 2010 10:00:39 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1758 Essa é a pergunta que fai Richard Wiseman na última entrada do seu blog. A pergunta é muito simples e tem como intençom final estudar até que ponto o contexto religioso e mitológico no que vivemos afeita em temas que racionalmente som claros. Assim que ante esta frase:

Eu ___________________ concordo com que após o meu passamento o dianho fique com a minha alma para a sua condena eterna.

Eu evidentemente concordo. Segundo o 99,9% das religions que acreditam numha condenaçom depois da morte eu já estou perdido, assim que… . E por cada deus que podam imaginar que condenaria a minha alma eu podo imaginar outro que, nalgumha lógica divina incomprensível, considerará isso passo fundamental para a salvaçom. E vocês? Assinariam? De ser sim a resposta, que sentimentos tenhem depois de fazê-lo? E de ser nom, porquê?

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