escola – O demo me leve http://odemo.blogaliza.org "Si eu fixen tal mundo, que o demo me leve" Mon, 16 Apr 2012 18:11:04 +0000 gl-ES hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.1 Kant e jamons http://odemo.blogaliza.org/2010/12/20/kant-e-jamons/ http://odemo.blogaliza.org/2010/12/20/kant-e-jamons/#comments Mon, 20 Dec 2010 15:07:19 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1982

Eis a minha reflexom sobre a criança muçulmana que nom queria que falaram de jamons na sua aula. Para mim nom é umha questom de migraçom, choque de culturas ou adaptaçom dos migrantes; como muitos opinantes querem fazer ver. Ante esses fatos eu só vejo a defesa da racionalidade face os caprichos da religiom de plantom. Hoje é o  muçulmano que nom quer que se fale de jamons, amanhá a testemunha de Jeová que aborrece a campanha pro-doaçom de sangue feita na universidade, e depois -bom, realmente já levam tempo- os católicos que nom querem que os seus filhos aprendam que homens e mulheres tenhem os mesmos direitos, independentemente de com quem se deitarem.

As proibiçons, obsessons, filias e fobias das religions som totalmente arbitrárias. Só obedecem a abstrusas fontes “iluminadas” que só tiveram algo de senso nas comunidades de pastores analfabetos nas beiras do Crescente Fértil há 4.000 anos. E as normas que derivam delas só têm um sentido, sempre subjetivo, para quem acredita na existência da sua miriada de pantasmas. Qualquer concessom para elas no âmbito público, qualquer retrocesso da raçom fronte delas, qualquer “aceptaçom pola convivência”  remata no encrequenamento ante todos os seus delírios de lóbulos frontais sobressaltados e pre-epilépticos. Desde o momento que cedemos nalgo para eles nom existe nenhum critério de demarcaçom que nos diga qual doutrina dumha religiom -e que religiom- tem que ser negada se antes concedemos ante outra, E as conseqüências som piores quando falamos da educaçom das crianças, inocentes ferramentas políticas das agendas dos seus progenitores.

Se aceitamos nom falar de jamons ou porcos polos muçulmanos, de igualdade de sexos e orientaçons sexuais polos cristians… entom nom falaremos de séries de números naturais para nom incomodar a um possível pitagórico que considere que esse conhecimento é mistérico e só reservado para os iniciados, queimaremos os livros de história da arte por respeito a algum ortodoxo iconoclasta, e assim at infinitum. E amanhá surgirá um novo culto que considere que a arquitetura post-románica é herética, ou que a lei de gravitaçom é insultante. E se o que queremos é demonstrar coerência -que os peticionários nom tenhem- calaremos e aceitaremos…

A única maneira racional de afrontar estas questons é ter sempre presente que o único lugar para as crenças religiosas é, como muito, o âmbito pessoal. Qualquer manifestaçom religiosa no mundo público remata numha perda de direitos -que lembremos temos graças as lutas humanistas que fugiam da obscuridade do mundo dominado pola religiom- e num emprobrecemento moral.  Os sacrifícios, ódios e dietas que alguém queira aceitar por aderir umha crença devem ser satisfeitos só por ele, e só com o seu esforço. Se alguém nom “pode” comer porco, ou cogombros, ou com cuitelos, ou animais nom é o comedor escolar quem tem de se preocupar: leva um tapper da casa com os manjares que satisfagam as paranoias do teu deus de eleiçom. O pessoal de cozinha já está suficientemente ocupado cozinhando e desenhando umha ementa saudável com um orçamento paupérrimo, ou satisfazendo necessidades baseadas em feitos reais -como as dum celíaco ou um diabético-. E isso vale também para o pessoal médico, do ensino ou público. Eu para qualquer de nós quando se confrontar com algumha destas è petiçons. Só quem acredita nas fantasias das religions estám obrigados a brigar com esses medos.

E para rematar, se algo do que eu digo, fago ou levo che resulta ofensivo cuido que a meirande parte dos teus deuses concordam em que és ti quem tem que arrincar um olho, e nom eu quem tem de se cobrir.

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