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Galego de Valladolid para o último anúncio do Ministério de Sanidade

Eu como neofalante tive que aprender boa parte da ortofonia  da nossa língua. Muitos som os vícios que o espanhol fixa na nossa fala e que temos que eliminar com esforço: uso de cinco vogais em troques das sete da variante galega da nossa língua, problemas com o fonema nasal-velar em “unha” e no final das palavras, acentuaçm diferente em sílabas diferentes em palavras homógrafas com o espanhol, etc. Alguns desses castelhanismos incluso estám fixados no padrom galego-espanhol oficialista que nos isola das variedades internacionais da língua. Porém há muitos traços desse “galego falado à maneira do espanhol” que todos podemos reconhecer sem importar a nossa escolha ortográfica e de paradigma: “míssil/misil” leva a força no primeiro i. Assim resulta engraçado escutar um espanho-falante ler um texto galego, em quaquer normativa. E o risível aumenta quando eles pronunciam “Coelo/Coel’o” por “Coelho”.

Por todo o anterior, qualquer pessoa fluente em galego que escute este anúncio do Ministério de Sanidade espanhol só pode rir, e depois perguntar quanto deve ser o respeito do Governo de Espanha cara a nossa língua (Que segundo a sua Constituiçom também devem eles defender) quando deixam que algo assim suceda:

Topou o anúncio o senhor Modesto.

Coda: Pergunto-me se as versons em catalam ou euscara teram fonética incorrecta. Ou como reagiria a populaçom ante umha impossível locutagem do texto em espanhol como se o lesse um falante de francês.

“Eforrar”

Depois de ver, no blogue de Carlos Callón, a desfeita pronominal dos socialistas de Vigo lembrei que tinha esta outra imagem sem subir no blogue (ainda que já há publiquei em tumblr).

A vergonha alheia que nom cessa

Reparem neste twitt (chío) do senhor Alcalde de Lugo, do que me avisa Maria Yáñez.  Interrogativa aberta com “¿” (que nem na norma galego-espanhola da RAG existe, mas que em casos excepcionais), interrogativa acentuada (como em espanhol) e umha estranha forma verbal “venhe” que nom registra nenhum dialectólogo -e menos em Lugo-. Como bem diz ela os galegos só temos duas opçons: Ler os nossos políticos da sua própria mão com gralhas, ou ler o que escrevem os seus community manager… com gralhas também.

Já se escreveu muito  sobre o pobre galego dos nossos políticos, sobre que o único modelo oral que sai na TVG -com relativo prestígio- é um castrapo gramatical, léxico, fonético e expressivo – mirem se nom o anterior twitt do alcalde, com um “oido cociña”-. Já sabemos todos que as elites com voz na Galiza carecem de qualquer registro de galego culto, e quando há, é um decalque do mesmo registro no espanhol. Que isso seja conseqüência do analfabetismo, o desleixo ou dum plano mais claro de insultar-nos a todos, fica ao gosto do leitor.

Políticos galegos que falam como Os Tonechos, fai-te fã.

Marisol Strike Back!

Galicismos recentes…

Jogemos à RAG todos juntos!

Chimpo, pinchacarneiro, reviravolta e foge-foge!

Se miras para trás és um aportuguesado!

O único que importa é termos mais xalexo!

Nom atendas a critérios, nom sejas revirado!

Chimpo,pinchacarneiro, reviravolta e foge-foge!

Que importa o tempo que leva galicismo?

Nos dicemos “o bricolaxe” e ficamos tam contentes

E seguir o senso comum é agora um! lusismo!

Chimpo, pinchacarneiro, reviravolta e foge-foge!

Joguemos à RAG todos juntos, até podes levar quartos!

“Chantaxe”, “potaxe”, “sabotaxe”, “trucaxe”, “colaxe”

Nom! “Bricolaxe”!

Chimpo, pinchacarneiro, reviravolta e foge-foge!

Argumentos isolacionistas

Consequências reais do decreto de ensino em galego

Inspirada em esta outra gráfica.

Internet na casinha! E como mudou R!

Depois dumha instalaçom surpeendentemente rápida já tenho internet instalada na casa! Como no prédio já tinham a rede de R, e estou contente co serviço que tinha na Corunha, contratei com eles. A instalaçom foi rápida e sem obra (normal, é umha casa nova e já tem quase todo posto para o cabo da rede) e passarom menos de 24 horas entre a minha contrataçom e a instalaçom. Isto é a parte boa. A má -que sempre há, já sabem que eu sou um repelente- é que as cousas mudarom muito desde a última vez que tratei com R: Lembro que o pacote de bemvinda da minha primeira instalaçom era mui currinho, com três xícaras mui feitinhas, com aquela promoçom vintage-moderna que tinha R, e que toda a documentaçom estava em galego. O pack agora nom inclue nenhum regalo, e para a minha surpreesa está todo em castelhano! Desde o contrato, até a documentaçom. A revista de programaçóm está “tecnicamente em galego”, isto é, data e índice em galego, mas todo o conteudo da grelha -e as sinopses dos filmes, a maioria dos artigos, etc- está em castelhano. Umha mágoa.

Raivam e botam escuma

Raivam agora e mais que raivarám. Estam nervosos, individual e colectivamente. As sambessugas institucionais-oficiais calam e fugem, com o medo de quem sabe que as prebendas polas que falseou o património da língua do seu povo perigam, os opinadores profissionais escrevem -na língua de verdad ou na sua versom disfarçada de dialecto indígena-  carregados de odio, insultos e preconceitos; agasalhados com a bandeira do reino nas tribunas dos jornais. Até os que nom som nem institucionais-oficias nem opinadores-profissionais, mas querem fazer méritos para essas vagas, cuspem a sua raiva -disfarçada e justificada cada duas frases como verdadeiro amor pola língua galega e a portuguesa, bem separadinhas isso sim- em forma de sofismas e parvadas com triple pátina de populismo, argumentos ad hominem e ad hoc. E todos estám na mesma banda do caminho, alguns coas orelheiras bem colocadas, para nom repararem nos seus companheiros de viagem.

O melhor é que todo isso é velho, mas agora só é em parte ódio contra Galiza, só é em parte lusofobia, agora há medo. Assim que um dez para a Academia Galega da Língua Portuguesa, embora eles som só um passo mais no esforço de muitas pessoas que querem que a língua galega saia ao campo livre, sem complexos. Mentras os outros tenhem que fazer mais e mais esforços estéticos para manterem a farsa, e a estrutura que tam bem funcionou estes anos: Os asnos coas orelheiras minimistas auto-impostas a caminhar polo rego marcado polas binças do arado espanhol, mas cada  o sulto tem que ser mais profundo e os asnos mais asnos…

Mondariz (III): Reportagem na TVG, em castelám e cos quartinhos de todos

Hoje pola manhá, quando estava a preparar as malas para passar uns dias na Corunha, liguei o televisor e visionei uns minutos do programa de cozinha da TVG.. Já comentei -neste blogue ou na Vida Real- que o apresentador causa em mim umha profunda sensaçom de desacougo, pola sua estranha atitude diante das cámaras, mas isso nom é comparável coa raiva e o enjoamento produzido pola reportagem publicitária inserida no programa por Mondariz Balneario. Na página web da CRTVG aínda nom subirom o vídeo –vam com um mês de atrasso- mas a questom é que num momento  o cozinheiro da passo para a reporteira do programa, e durante uns cinco minutos temos umha reportagem publicitaria no laboratorio de Mondariz, na que sempre se está a falarem castelá, sobre a parte esquerda superior do ecram está umha marca de auga que di “Publicidade”,  mas no resto tem a imagem dumha reportagem do programa.

Eu nom vejo o programa todos os dias, porém conheço as secçons habituais e sei que esta publicidade nom é a norma. O programa consta da preparaçom da receita, os comentários da espertar em nutriçom e umhas reportagens -de caracter informativo e divulgativo, nom publicitário- com umha reportéira que visita mercados galegos, tendas especializadas, locais de hostaleria com algumha importáncia pontual -preparam alguns pratos com produtos da estaçom-, reportagens quase próprias de A Revista, na mesma canle. O que nunca aconteceu, até agora, é que a secçom no programa fosse substituída por publicidade que adopta a estética da reportagem habitual. Ao menos tenhem decência avondo para sobre-imprimirem umha marca de auga de “Publicidade”.

Nom defenderei cá umha ligaçom entre a campanha de boicote, e a paralela de difusom da atitude galegófoba da empresa “Aguas de Mondariz”, com essa publi-reportagem inserida de jeito anómalo num programa da televisom galega. Nom sei com quanto tempo de previsom gravam e montam o programa, assim que nom tenho jeito de saber se o emitido já estava preparado desde antes do começo da polémica. Embora a reportagem perse é umha mostra perfeita das posiçons dessa empresa contra o galego e a cultura galega: Já sabemos que defendem -cos clássicos argumentos pueris- o uso em exclusiva de castelhano e inglês para sua comunicaçom internacional, mas agora comprovamos que os seus encarregados de publicidade e criaçom de imagem consideram que empregarem a língua galega para umha reportagem na única televisom que -até a chegada do segundo canal da TVG e dos portugueses- emite em galego, para Galiza, e tendo como interlocutor que fai as perguntas nessa língua, é desnecessário.

Já doe normalmente ver como a Galega segue a aceitar anúncios publicitários em castelhano, deixando à “boa vontade” da empresa a dobragem. Mas o feito, nada novo, de que o ente ou as produtoras às que merca o programa, usem directamente a imagem de marca dum dos espaços para gravarem umha peça de publicidade em castelhano, com umha empresa que nas últimas semanas demonstrou o seu nulo compromisso, e até ódio, pola cultura e língua do nosso país… dá nojo.

A escuitar: Night Ride Across the Caucasus – Loreena MacKennit