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O mal sob o bigode

Pode ser simplesmente umha alucinaçom minha, mas depois de  ler esta entrada no Blog Ausente sobre as obsessons pilosas da CIA nom podo deixar de comentar o estarrecedor parecido entre o Hitler sem bigode e H.P. Lovecraft:

Há algo mui inquietante nesses beiços superiores, nesses lábios apertados nesse olhar perdido. Com todo, estamos acostumados a ver a cara de Lovecraft e tentar entrever os retalhos da sua loucura. Mais impenetrável era o rostro dum Hitler, capitalizado por um bigode icónico. Dalgum jeito o bigode hitleriano converteu-se no símbolo do próprio mal nazista -chega com engadir com caneta esse adorno facial para “malignizar” um retrato-  e a sua força estética ocultou essa mirada estranha, perdida, esse gesto triste do genocida. Se calhar com essa pequena franja de sobra na sua cara Hitler é a imagem do mal, mas a sua ausência nom fai perder força ao terror da imagem.

Os fungos de Yuggoth na nossa língua

O lugar era escuro e poeirento, meio perdido
Num labirinto de vielas junto aos molhes,
Cheirando a coisas raras trazidas de outros mares,
Envolto em estranhas névoas agitadas p’lo vento.

Uns vidros em losango, que a geada e o fumo velavam
Deixavam entrever pilhas de livros, como torcidas árvores
Desde o sobrado ao tecto – putrefacto amontoado
De sapiência antiga a baixo preço. Enfeitiçado

Entrei, e dum montão cheio de teias
Um cartapácio tirei e ao acaso o folheei,
Estremecendo ao ler palavras raras que pareciam
Esconder de olhares humanos um prodigioso segredo.

E então, quando o vendedor astuto em volta quis achar
Apenas um eco de gargalhadas pude encontrar.

Primeiro soneto de Os Fungos de Yuggoth H.P. Lovecraft

Nom conhecia esta traduçom à nossa lìngua dos sonetos de horror cósmico The Fungi from Yuggoth

Sirva como recomendaçom de hoje.

E de passo, coma sempre, recomendar o trabalho que estám a fazer os amigos de Urco Editora que já tenhem traducido algumha obra de Lovecraft e que na sua nova etapa prometem títulos magníficos. Ainda rematei o outro dia A Praga Escarlata, umha novela curta excelente, editada com as ilustraçons originais. Mui recomendável!

Cidade estranha

Quando tomas caminhos estranhos entre dous pontos que conheces bem podes topar árvores dum jardim de Ryel’h e esse ouvido longe pode ser dum cam de Tyndalos olhando desde os ángulos da rua.

E nunca levas cámara boa avondo para os fotografar.