obama – O demo me leve http://odemo.blogaliza.org "Si eu fixen tal mundo, que o demo me leve" Mon, 16 Apr 2012 18:11:04 +0000 gl-ES hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.1 “Nobel da Guerra para os senhores do Nobel da Paz” artigo de Domenico Losurdo http://odemo.blogaliza.org/2010/10/17/nobel-da-guerra-para-os-senhores-do-nobel-da-paz-artigo-de-domenico-losurdo/ http://odemo.blogaliza.org/2010/10/17/nobel-da-guerra-para-os-senhores-do-nobel-da-paz-artigo-de-domenico-losurdo/#comments Sun, 17 Oct 2010 12:25:01 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1968 Após ler este artigo de Domenico Losurdo em Voltairenet decidi fazer umha traduçom para português padrão.

“Nobel da Guerra” para os senhores do “Nobel da Paz

por Domenico Losurdo.

Um duro debate deflagrou na Austrália nas últimas semanas. Num artigo publicado no Quartely Essay e do que alguns traços foram avançados no The Australian, Hugh White emitiu um aviso de chamada sobre uma série de processos actualmente em execução.

Ante a ascensão da China, Washington está a responder com a tradicional política de “containment ( que pode ser traduzido como política de contenção), mediante o ameaçante fortalecimento do seu potencial e alianças militares.

Como resposta, Pequim não se deixa intimidar nem “conter”. Tudo isto pode resultar numa polarização das alianças opositoras na Ásia e dar origem a um “risco real e crescente de grande guerra e até de guerra nuclear”

O autor deste aviso está longe de ser um ninguém. Está no seu curriculum uma longa carreira como analista em questões de defesa e política externa e num certo sentido é parte do “establishment” intelectual. Não por acaso, seu artigo tem provocado um debate nacional, do que também participou a primeira-ministra, Julia Gillard, que reafirmou a necessidade duma relação privilegiada com os Estados Unidos.

Mas os setores extremistas da Austrália têm ido mais longe como dizer que o país tem de se compromete com umha Grande Aliança das democracias contra os déspotas de Pequim,. Não há dúvida alguma. A ideologia da guerra contra a China é baseada numa ideologia existente por muito tempo que justifica e até mesmo celebra as agressões militares e guerras do Ocidente em nome da “democracia e os direitos humanos”.

E é agora que é atribuído o “Prémio Nobel da Paz” para o “dissidente” chinês Liu Xiaobo. Esse movimento não poderia acontecer em melhor hora, especialmente devido à ameaça de guerra comercial contra a China, desta volta proclamada de jeito aberto e solene pelo Congresso dos EUA.

China, Irã e Palestina

Entre os primeiros a se congratular com a selecção dos senhores de Oslo foi a Sra. Shirin Ebadi, que imediatamente contribuiu acrescentou a sua parte:

“A China não é apenas um país que viola os direitos humanos. É também um país que apoia e ajuda muitos regimes que os violam, como no Sudão, Birmânia, Coreia do Norte, Ira…”

Digamo-lo novamente: a contribuição para a ideologia da guerra travada no nome da “democracia” e os “direitos humanos” não pode ser mais clara, e a declaração de guerra comercia é evidente.

Então, por que foi premiada com o “Prémio Nobel da Paz” em 2003 Shirin Ebadi? Foi dado o prémio a uma mulher cuja visão das relações internacionais é maniqueísta. Em sua lista de violações dos direitos humanos não têm lugar para Abu Ghraib ou Guantanamo, ou para o ataque e a guerra iniciada sob falsos pretextos e mentiras, ou o uránio empobrecido, ou para os embargos com características genocidas que desafiam a maioria dos membros da ONU e da comunidade internacional.

Quanto à “maior exploração dos trabalhadores” na China, é claro que Shrin Ebadi fala sem saber. O grande país asiático tem salvado centenas de milhares de homens e mulheres da fome a que foram condenadas, em primeiro lugar, pela agressão e o embargo proclamado por Ocidente.

Estes dias pode-se ler em toda imprensa que os salários dos trabalhadores estão a progredir a um rimo acelerado na China. Em qualquer caso, embora o embargo contra Cuba só afeita os habitantes daquela ilha, um possível embargo com a China poderia causar uma crise económica global, com consequências devastadoras para as massas ocidentais, e teriam que dizer adeus os direitos humanos (ou pelo menos os direitos de ordem económica e social).

Não há dúvida. A mulher que recebeu o “Prémio Nobel da Paz” em 200, é uma ideóloga da guerra, medíocre e provinciana.

Talvez quis o prémio recompensar uma activista que, não internacional, mas pelo menos dentro do Ira afirma ser uma defensora dos direitos humanos? Se for essa a intenção dos senhores de Oslo, teriam de dar o prémio Nobel a Mohamed Mosadegh, o homem que, no início dos anos 50, se comprometeu a construir um Ira democrática, mas, por se atrever a nacionalizar a indústria petrolífera foi derrubado por um golpe organizado pela Grã-Bretanha e os Estados Unidos, os mesmos países que hoje são apresentados como campeões da “democracia” e os “direitos humanos”.

Será que os senhores de Oslo tentaram recompensar algum bravo opositor da feroz ditadura do Xá, ditadura que tinha o apoio dos habituais mas improváveis campeões da causa da “democracia” e os “direitos humanos”? Por que, então deram o “Prémio Nobel da Paz” a Shirin Ebadi em 2003?

Naquele tempo, enquanto o martírio interminável do povo palestiniano estava a se agravar ainda mais, já se rascunhava claramente a cruzada contra o Irã. Atribuir o reconhecimento a um militante palestino poderia ter sido um verdadeiro contributo para a causa da distensão e da paz no Oriente Médio. No entanto, os senhores de Oslo decidiram recompensar uma militante que desde então tem continua a alimentar o lume da guerra contra o Irã, e que agora faz o mesmo contra a China.

Após a consagração e a transfiguração de Liu Xiaobo, Obama rapidamente interveio e pediu a libertação imediata do “dissidente”.Por que não liberar, entretanto, os detidos sem julgamento em Guantánamo?

Ou por que não, pelo menos, pressionar pela libertação de muitos palestinos, que às vezes mal sao adolescentes, detidos por Israel, como reconhece até a imprensa ocidental, no seu terrível sistema penitenciário?

Os senhores de Oslo, os EUA e a China

Obama é outro caso de “Prémio Nobel da Paz” que traz bastantes características únicas. Quando lhe foi entregado no ano passado, declarara que tinha intenção de reforçar a presença militar dos EUA e da Nato no Afeganistão e aumentar as operações militares.

E depois de receber o apoio mediático, pois isso é o prestigioso prémio que recebeu em Oslo, Obama foi fiel à sua palavra. Com ele som mais numerosos que na época de Bush os esquadrões da morte que desde o céu “eliminam” “terroristas, potenciais “terroristas” e suspeitos de “terrorismo”.

Helicópteros e aviões que agem como esquadrões da morte são também muitos no Paquistão, assim como som muitas as vítimas que eles causam. A indignação é tão grande e estendida que até os governantes de Cabul e Islamabad sentem-se compelidos a elevar protestos ante Washington. Mas Obama não se impressiona. E continua a exibir o seu “Prémio Nobel da Paz”!

Nos últimos dias, filtrou-se uma notícia arrepiante. Há militares dos EUA no Afeganistão que matam civis inocentes por diversão e conservam partes do corpo das suas vítimas como uma lembrança da caça.

O governos dos EUA de imediato correu para bloquear a divulgação de detalhes e, acima de tudo, as fotos.

Chocada, a opinião pública dos EUA e internacional poderia ter decidido a pressionar par ao fim da guerra no Afeganistão. Mas para poder continuar essa guerra, e tornar ela ainda mais dura, o “Prémio Nobel da Paz” preferiu atacar um golpe à liberdade de imprensa

Também podemos fazer uma observação geral. Durante o século XX, os EUA foram o país que mais tem visto os seus estadistas receber o “Prémio Nobel da Paz”.

  • Theodore Roosevelt, o mesmo que considerava que o único índio “bom” era um índio morto
  • Henry Kissinger, o protagonista do golpe do Chile e da guerra do Vietname;
  • Kames Carter, o promotor do boicote dos Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980, e da proibição de exportações de trigo para a URSS nos tempos da intervenção no Afeganistão dos “freedom fighters” muçulmanos.
  • Barack Obama, que agora actua contra esses mesmos “freedom fighters” -convertidos entretanto em terroristas- e emprega contra eles maquina de guerra monstruosa.

Vamos ver agora, por outro lado, como é a posição dos senhores de Oslo quando vem para a China. Esse país, que representa um quarto da Humanidade, não esteve envolvido em guerras nos últimos 30 anos e tem promovido o desenvolvimento económico que através da eliminação da pobreza e da fome para centenas de milhões de homens e mulher deu-lhes acesso aos direitos económicos e sociais.

Mas os senhores de Oslo só se dignaram a ter em conta este país apra três prémios a três “dissidentes”

  • em 1989, recebeu o “Prémio Nobel da Paz” o 14º Dalai lama, que deixou a china há 30 anos;
  • em 2000, recebeu o Prémio Nobel de Literatura Gao Xingjan, escritor que daquela já era cidadão francês;
  • em 2010 recebe o “Prémio Nobel da Paz” outro dissidente que, depois de ter vivido nos EUA e leccionar na Universidade de Colúmbia, retornou para china “rapidamente” para participar da revolta (certamente não pacífica) da Praça Tiananmen.

Ainda hoje, o personagem fala de seu povo como segue:

“Nós, Chineses, tão brutais”[3]. Assim para os senhores de Oslo a causa da paz é representada por um pais (Estados Unidos) que acredita em estar investido coma missão divina de liderar o mundo, que tem instalado e continua a instalar bases militares no planeta todo.

Mas na China, que não tem nenhuma base militar no estrangeiro, um pais com umha antiga civilização e que, após um século de humilhação e miséria imposta pelo capitalismo está a recuperar a sua antiga glória, os representes da causa da paz – e da cultura – são apenas três “dissidentes” que já não têm muito a ver como o povo chinês e que vêem no Ocidente o único farol que ilumina o mundo.

O que estamos a ver na política dos senhores de Oslo é o ressurgimento do velho colonialismo e da arrogância imperialista.

Enquanto vozes inquietas ressoam na Austrália sobre os riscos da Guerra, em Oslo, é dado um novo brilho numa ideologia bélica desastrosa e de terrível memória:

lembre-se que as guerras do ópio foram elogiadas na época por J.S. Mill como um contributo para causa da “liberdade” do “comprador” ademais da do vendedor (de ópio), enquanto Tocqueville apresentou-nas como uma contribuição à cauda da luta contra a “inércia” da China.

Não são hoje muito diferentes os sloganes que agita a imprensa ocidental, a imprensa, aliás, que não cansa de denunciar o eterno despotismo oriental. Por mui nobres que sejam as suas intenções, o comportamento real dos senhores do “Prémio Nobel da paz” hoje só merece o Nobel da Guerra.

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O ”Zunegate”: Um produto chamado Obama http://odemo.blogaliza.org/2008/12/09/o-zunegate-um-produto-chamado-obama/ http://odemo.blogaliza.org/2008/12/09/o-zunegate-um-produto-chamado-obama/#comments Mon, 08 Dec 2008 23:05:29 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=1061 O feito: Um comentarista dum jornal de Philadelphia comenta no seu blogue que coincidiu com o presidente eleito dos EUA num ginásio. Entre os detalhes da entrada está que Obama empregada um reprodutor Zune de Microsoft [Um media player criado como competidor do iPod]. Esse pequeno comentário foi recolhido em muitos foros de seareiros do reprodutor, e também em grupos de usuários do Ipod. Com umha procura rápida no google um pode topar centos de entradas em blogs tecnológicos, foros e novas em páginas web especialidadas. A gente especulou nas horas seguintes sobre que modelo do reprodutor era, sinalando umha ediçom especial do zune para o congresso demócrata. O próprio autor do primeiro post fixo um segundo sobre o tema, intentando relativizar os seus dados anteriores (Estava escuro, só vim os cascos…). O tema foi tratado até na TV americana e nos media nom especializados.  Dous dias depois do começo da “polémica” chegou o toque irreal: Um porta-voz do próprio Obama declarou que ele era um usuário de iPod. Mas já era tarde, houvo muitas piadas sobre o pobre gosto de Obama em tecnologia (O zune é mui criticado, como um formato “perdedor” na luta com Apple, e polos problemas que causa a sua tecnologia DDR) incorporada.

E até este ponto a história. Sob a linha a minha opniom pessoal.

Nom sei se repararom, mas nestes últimos meses nom comentei quase nada sobre o presidente-eleito dos EUA, aliás só umha vez. Nom acredito nos processos eleitivos  da  Europa, e menos nos Estados Unidos. O que para uns foi a demonstaçom da grande democracia americana sob a minha óptica nom foi mais que um capítulo mais no espectáculo publicitário dum sistema carente de capacidade de cámbio real. Em resumo:estou mui afastado do espectro intelectual europeu que sucumbiu ao andaço da chamada Obamania. Porém todo isto nom quer dizer que nom olhara com interesse -repito, nom confundir com ilusom ou esperança- as eleiçons, embora vazias de importáncia política e histórica real, eram a plasmaçom de muitas estrategias de control mediático das que me interesso.

E sim, o produto mais vendido foi Obama. O processo de desenho desse candidado-presidente foi genial, umha verdadeira obra mestra. Umha demonstraçom de que a oligarquia americana é quem de controlar e processar no seu esquema todos os medios que, em teoria superficial, podem ser umha ameaça. A maior ferramenta de comunicaçom, essa internet que tanto pode mudar o mundo, foi neutralizada com eficácia programa. Para que um sistema político oligárquico tenha continuidade todo medio de informaçom tem que ser convertido numha ferramenta de propaganda, aliás todo medio nom converso é um perigo para o sistema. E aplicando, como se fossem um sistema hammiltoniano, a lei de minimizaçom e optimizaçom do esforço cumplirom com essa máxima: Desenharom um produto que a parte dos  EUA que já está do século XXI nom podia resistir. E funcionou tam bem como a versom dos últimos oito anos, preparada para os americanos do 11-S.

[Obama: e-presidente e iPresidente]

Já sei que é um tópico, mas um mui acertado, que a importáncia real do programa político no Grande Imperio é mui pequena se a comparamos com a imagem que o acompanha. Mas por mui crente que for o leitor terá que admitir que Obama é o epitome do desenho político. Os seus criadores misturarom de jeito genial as reglas básicas do presidenciável americano (Homem casado, mulher de caractar mas que sabe manter as distáncias políticas, duas nenas em idade de sairem bem nas fotografias e nom criar problemas, religiosidade manifesta mas contenida) com os pedidos da nova sociedade: Dialéctica popular -de fazer campanha sob a fronteira de Mexico seria chamado populista pola impresa europeia- e retórica forte mas simpes avondo para o seu target, factor racial obvio mas nunca manifesto, discurso de presidente do mundo de facto -assumido como um engadido nas suas prioridades americanas-, a cartas das minorias, e dentro disto último a cota tecnófila.

Reparem: A campanha de Obama emprega as plataformas digitais com habilidade, vblogs, comunicaçom dos votantes e umha cena para o discurso final que parecia desenhada por Hollywood. E ele mesmo: Um usuário de mac -com fotografias saturadas de iluminaçom com o seu portatil-, que leva o seu iphone e o seu ipod a todas partes, que nom se separa da sua Blackberry -obrigada para todo homem importante- e que centraliza a sua vida social mediante as ferramentas da rede. Nom só foi umha base para parte da sua campanha, também desde a sua eleiçom: Os jornais falarom de como umha antiga lei presidencial poderia banir as suas contas de correio-e e a sua blackberry.

[Obama e a sua Blackberry]

A tecnologia, a qualidade de moderno, de e-presidente preparado para os novos tempos é fundamental na sua imagem pública. Por isso, polémicas como as do Zunegate som óptimas para a sua imagem pública. Reparem: Nada disto vai em contra dele! O importante para o público é que Obama emprega tecnologia, está no centro de debates de páginas web e tertúlias  pola sua escolha tecnológica -e menos pola sua selecçom de equipa- e representa umha figura totalmente oposta a dum  presidente “rural”, como foi qualificado Bush. Olho! Nom confundam isto com umha teoria da conspiraçom:  O incidente do Zune é a consequência dumha política de imagem mui cuidada, que ademais foi dirigida de forma magistral.

Lim alguns comentários na rede que qualificavam as declaraçons do porta-voz de frivolidade. E eu cuido que nom podem estar mais trabucados: É umha frivolidade se fazemos umha analise superficial, baseada nos prejuiços europeus sobre política americano. Que sob a premissa -cada vez mais feble, cada dia mais maravilhados pola “grande cultura democrática dos EUA- da seriedade e da base ideológica -repito, só um pouco mais presente que do outro lado do Atlántico- considera que estes as declaraçons públicas sobre estes temas tangenciais, estéticos, fam mais dano que um silêncio. Mas se olhamos o quadro completo, a dum presidente-produto que nom tem imagem política, mas marketing comercial, a intervençom pública é fundamental para demonstrar que o presidente “tem umha opiniom tecnológica”.

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The Muller Election’08: Tam diferente e tam parecido http://odemo.blogaliza.org/2008/11/19/the-muller-election08-tam-diferente-e-tam-parecido/ http://odemo.blogaliza.org/2008/11/19/the-muller-election08-tam-diferente-e-tam-parecido/#comments Tue, 18 Nov 2008 22:13:37 +0000 http://odemo.blogaliza.org/?p=982 Esta é re-ediçom dumha entrada que a minha anterior falta de conexom nom me permitiu rematar. Entre todo o circo das eleiçons americanas -sim, sou dessas más pessoas que nom apostam um peso por o produto cíclico pre-fabricado da plutocracia eterna, agora em versom black-fashion, como o ipod ou a sua própria blackberry- algo abrolhou nas minhas lembranças. Eleiçons americanas do 2008… 2008…. tá! A Eleiçom de Muller! O meu eu-adolescente-namorado-da-scifi nunca perdoaria este despiste!

Falo, claro está, das eleiçons presidencias de ficçom que sucediam num relato de Isaac Asimov: The Franchise, publicado por vez primeira em 1955 na revista If. A história forma parte da série do MULTIVAC, a super-computadora que Asimov imaginou durante as décadas dos 50′ e 60′ como umha extrapolaçom gargantuesca das computadoras analógicas da Guerra, e post-guerra, Mundial. Convertida, no principal recurso da naçom americana, MULTIVAC realiza profundos cálculos e trabalhar com enormes quantidades de informaçom para solucionar problemas militares, económicos e sociais. Na altura do relato ela é, de facto, a encarregada de eleger o presidente dos EUA… Segundo a história que lemos no relato os estadunidenses fartarom das campanhas eleitorais multimilhonárias e da política partidista, e cara finais da década dos 60′ mudarom a sua “democracia representativa” para umha “democracia electrónica”: MULTIVAC emprega os dados sociais, económicos e políticos para criar um modelo do pais, e depois elege/escolhe um cidadam “representantivo” que se transforma no “eleitor”. Custodiado polo Serviço Secreto é transladado até  um recinto especial onde un funcionário do governo fai-lhe perguntas ligadas -ou nom- com a situaçom do país (desde o preço dos ovos, a qualidade do serviço de recolhida  lixo ou a qualidade da escola da sua filha) para assim poder incluir o factor da “presom moldeadora dos outros norteamericanos” -factor que MULTIVAC nom pode calcular- sobre o próprio indivíduo nos cáculos. Após umhas horas de perguntas, e mediçom das constantes vitais, o grande computador calcula durante dias para obter todos os resultados das eleiçons -presidente, poder dos diferentes partidos, governadores, alcaldes, sheriffes…-. No relato, como é habitual em Asimov, a acçom e os “feitos” som mínimos, observando o processo mental que leva a Norman Muller de estar aterrado pola sua responsabilidade – pois a gente adoita botar as culpas das más presidencias ao votante ligado com ela, sem contar com que é de facto MULTIVAC quem elege-  a ser um retrato do americano contente e orgulhoso do seu “voto”. Todo isto com os comentários do seu sogro, um homem idoso que lembra as épocas de eleiçons verdadeiramente democráticas, como contra-ponto.

O relato é umha consequência directa dum fito na história da informática: Nas eleiçons do ano 1952 quando um mainframe do computador -desta vez real- UNIVAC I empregou os primeiros resultados  -daquela os colegios eram mais lentos na contagem- das enquisas para predizer a vitoria de Eisenhover sobre Adlai Stevenson contra todos os cálculos e adiantos eleitorais do momento. Tam grande era a divergência entre os cálculos do computador e os prognósticos dos politólogos que o chefe da NBC em New York decidiu que tinha que ser um erro (saia umha aposta de 100-1 a favor de Eisenhover) e montou um pouco de teatro para vender um resultadod e 8-7 (mais ajustado). Quando Ensenhover alagou quase todo o pais com a cor vermelha republicana o jornalista reconheceu o seu engano. O sucesso da prediçom convertiu-se na principal publicidade para o primeiro modelo de computadora comercial

O relato é um dos melhores de Asimov, cuido que se calhar é o segundo melhor em qualidade como obra literária. Llembremos que existe umha escola de crítica que defende, com parte de razom, que se bem I.A. era um grande criador de relatos e imaginador de utopias e distopias a sua capacidade de transmitir acçom na literatura era mui inferior: Os seus personagens quase nom fam nada, nom existe descripçom da acçom física ou nom, só servem como envelope para os pensamentos e disputas lógicas da história. Em resumo, que os personagens de Asimov tenhem umha grande descripçom e profundiade intelectual, mas carecem dumha representaçom emocional real. Por contra em Franchise Norman Muller sofre emocionalmente o medo, o terror, a vergonha e também o orgulho e a fachenda. MULTIVAC fai a selecçom dum americano médio, e Asimov é quem de retratar nele os medos que um cidadam -filho dum sistema- poderia ter ao se enfrontar com um momento de tam grande trascendência. Como relato fica dentro das linhas de futuríveis da série de MULTIVAC, com essa mistura de confiançá no progresso da tecnologia -sempre protectora e paternalista em Asimov- e amargor profundo polo mau uso desta e a inércia social que adapta modelos sociais arcaicos a contextos tecnológicos avançados. Com medo de estender muito a entrada quero justificar isto último.

No relato há muitas monstras do pensamento político de Asimov, ou ao menos a sua imagem crítica da sociedade americana. O abandono da já pseudo-democracia americana por umha “democracia digital” nom é contestada pola populaçom. 40 anos depois o feito dumha computadora eleger todos os cargos do governo é já parte normal da vida: O reaçom da sociedade perante o sequestro  de facto das suas liberdades é nulo. A filha mais pequena da família nom acredita nas palavras do seu avô, que lembra as épocas nas que cada homem tinha um voto. A própria filha deste corre para o desacreditar quando este fala na mesa dos tempos pasados, o avô sim votou, mas isso nom era votar-votar  filha, daquela todo o mundo votava. Outra cousa que nom muda é a política-espectáculo -tecnicamente o que se pretendia eliminar com o MULTIVAC- pois a eleiçons do “eleitor”é anunciada aos poucos, semana a semana: Primeiro a zona do país, depois o estado, o condado, a cidade… até chegarem ao seu nome, seguido dumha espectacular dispersom das forças policias e militares para o proteger durante os dias prévios. Tampouco muda a alienaçom do votante, neste caso único, que umha vez rematada a sua labor fica imbuido desse pride tam americano da “participaçom democrática”, de encarnar os principios da democracia americana.

Como em todos os contos e romances de Sci-fi, e mais na época hard,  o retrato e analise dumha distopia concreta é umha escusa para teorizar e opinar sobre a própria realidade contemporánea: Fundation (de Asimov) é um percorrido polos sistemas de governo, o sentimento de mesianismo e predestinaçom, o ancilosamento dos sistemas de governo e de produçom de conhecimento científico quando um acredita numha perfeçom nos próprios tempos -como a China Imperial sob o Legalismo-Confucianismo, p.e.- . Childhood’s End de Carl Sagan (finado este ano) é umha dura crítica contra o pensamento categorial e a sobre-importáncias das apariências, assim como do peso da moral e a mitologia juedo-cristiá numha sociedade supostamente avançada. Dune de Frank Herbert é umha obra mestra que contem a melhor analise do integrismo religioso, o profundo dano que fam os impérios da auga -como o actual com o petróleo, o os problemas co coltam no Congo-  às sociedades, tanto as dependentes como as exploradas para manter o fluxo do produto fundamental. E assim com tantas novelas -das boas, nom do pulp- que é innecesário fazer umha listagem mais longa. Assim, sob umha inicial distopia sobre os avanços e a confiánça na tecnologia poderiamos observar umha oda sobre as virtudes da democracia dos EUA -“temos que valorizar o actual, coas suas falhas, e nom deixar que se perda!-“, porém umha leitura mais crítica permite ver um retrato das falsidades da plutocracia americana disfarçada de democracia.

Estes últimos meses os cidadans de Europa -e também os espanhois- percevemos a presom da periféria da aura de publicidade colosal que emerge com cada eleiçom norteamericana. Se os opinadores  do velho continente -e grandes massas de cidadans que navegarom entre a hipnose e o enjoamente- ficarom  absorvidos polos restos desse ciclom que nom sofreriam os próprios habitantes dos EUA?  O teatro foi interpretado polo mesmo manequim por triplicado -com roupas e facianas diferentes, mas tam vazio de conteudo político que as diferenças só eram a forma de verbalizar as imposturas dum processo onde os argumentos som o menos importante- foi passeiado e abaneado diante das cámaras. A interpretaçom dumhas primárias demócratas – quando as republicanas, que tinham guardadas na recámara personagens secundárias, como aquele ultra apoiado por Chuck Norris, fixaram já o candidato do partido- que enfrontarom a cópia preta e a cópia feminina do manequim-de-passeio  convertiu num exercício de mercadotécnia pefeita. Eleiçons históricas ganhem quem ganhe as primárias: Umha mulher ou um negro na carreira para a Casa Blanca; berravam os media; Ganhou Obama, o primeiro afroamericano com verdadeira oportunidade para sentar no escritório oval! Yes we can, umha frase que marca o seu programa. Chegou a verdadeira campanha, as enquisas subem, baixam, Obama ganha distáncia, MacCain recupera, a crise bateu forte e entom os candidatos aparcam outros temas e focam na política ecómica; maratons dos candidatos, os estados chace som… Noite eleitoral, dispositivos especiais; ganhar quem ganhar esta já é umha noite histórica, participaçom histórica-que nom foi- obama ganha por centos de votos estatais, yes we can, yes we can, acreditamos de novo no sonho americano, é o presidente da nova era, um presidente para o século XIX, um presidente para o mundo… E todos contentes, nom?

Pouco importa já a falsidade do sistema eleitoral americano, a morte nele do debate ideológico real -que na Europa leva 20 anos em coma-,  a dependência dos dous candidados dos lobbys sempiternos, a inmutabilidade dos verdadeidos círculos do poder económico. Pouco importa que o presidente sainte e o entrante tenham as maos igual de prendidas polas avinças para manter as suas campanhas verdadeiramente mundiais. Ninguem fala já de que nenhum organismo internacional – até a própria fundaçom do ex-presidente Carter- avaliza a limpeza dumhas eleiçons que de se realizar em qualquer outro país fora da órbita do “primeiro mundo ocidental e democrático” seriam consideradas irregulares até níveis inaceptáveis.  As vozes que pedem umha democracia real -e que existem nos próprios EUA- nom podem lugar contra o pride do votante, os berros dos media que levantam as bandeiras dos falsos momentos históricos, a necesidade do individuo de se sentir importante, ainda que for “por poderes”.

Todo o anterior já estava no relato de Asimov. Numhas eleiçons americanas no 2008 onde o voto de cada pessoa nom tem valor, nom existe, é onde só se mantem o voto dum eleitor para que se poda representar o jogo mediático que mantem contente a populaçom. Chame-no MULTIVAC ou o status quo do capitalismo mundial e a democracia burguesa. Asimov retratou há 50 anos as eleiçons americanas de começos de mês: Muito espectáculo, muito pride, muita bandeira de barras e estrelas, nenhuma eleiçom real. Já estava todo decidido, já estava todo calculado.

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