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Umhas pequenas reflexons sobre as violaçons de nenos pola Igreja

De primeiras, deixemos de falar de “abusos” como remedo políticamente correcto do que acontece: som violaçons de crianças. E em muitos casos violaçons sistemáticas, múltiplos e com todos os agravantes possíveis: abuso de posiçom de poder, ameaças, assalto psicológico, conspiraçom com outros para facilitar os abusos, a sua prolongaçom no tempo e a sua ocultaçom. Empreguemos as palavras certas, com toda a sua dureza, falemos de violaçons.

Fora dessa questom de nomenclatura dos factos vem a minha reflexom. Entre os presuntos implicados nas tramas de ocultaçom das violaçons está o próprio chefe supremo da Igreja Católica. Existem suspeitas mais que fundadas de que Bieito XVI, Joseph Ratzinger, no seu cargo de prefeito da Congregaçom para a Doutrina da Fe (Antiga Inquisiçom) obviou denúncias, cartas e comunicados de vários responsáveis regionais da sua organizaçom  sobre as violaçons e abusos que cometiam sacerdotes. Contra as legislaçons italiana, alemá ou qualquer outra na que se topasse Ratzinger e os sacerdotes abusadores, este decidiu calar e obviar o seu dever legal de denunciar os factos. Acreditando que as regras privadas da sua organizaçom, o Direito Canónico, estavam sobre as “leis terrenas”.  Isso é encobrimento, e qualquer outra pessoa seria investigada por isso. Sempre que nom tivesse o poder, os quartos e a influência necessárias para esquivar a justiça. E Bieito XVI acredita que essa é a sua situaçom.

Os defensores do obscurecimento dos vergonhentos factos que continuam a saltar na palestra pública dim que, ainda de existirem provas da implicaçom do Papa nesses delitos, este é um chefe de estado e polo tanto goza de imunidade total polo Tratado de Viena. Que as articulaçons desse tratado fossem obviados pola ONU, e sobretodo polos EUA, no caso de chefes de estado como Ceauşescu, Noriega ou a Ṣaddām parece nom importar. Tampouco que o Vaticano nom seja um estado reconhecido internacionalmente de jeito formal por muitas naçons, e em muitos casos o “reconhecimento diplomático” realiza-se a través de missons especiais nom comparáveis com embaixadas diplomáticas. Que falemos formalmente dumha monarquia teocrática absolutista que surpreendentemente goza de licença para participar em instituiçons democráticas internacionais nom parece chocar. Obvia-se a sua carência de todas as características dum estado convencional: controle das suas fronteiras, seguridade interna, recursos de subsistência… até a água depende de Itália! Em fim, que a entidade como estado da Cidade do Vaticano é umha excepçom das leis internacionais. Eliminam-se todas as condiçons necessárias para ser um estado reconhecido, mas mantenhem-se todas as vantagens que interessam à ICAR: fiscalidade própria e imunidade para os seus cargos teocráticos.

Já som várias as iniciativas que querem dilucidar as responsabilidades de Bieito XVI, e os seus antecessores e outros membros da Igreja, nesta campanha de décadas para o encobrimento dos abusos e a protecçom dos violadores. Richard Dawkins quere-o sentar ante os tribunais internacionais por Crimes contra a Humanidade. Os  estados onde se cometem os abusos -isto é, quase todos os estados do mundo onde a Igreja Católica tem algumha presença, pois os crimes tenhem demonstraçom a sua dimensom pandémica- escudam-se na já citada imunidade dos altos cargos da ICAR,  abduzindo que a via legal nom é possível ao se tratar de representantes dum “estado soberano”.  Mas ao empregar esse argumento de relaçons “estado-estado” estám destapando toda a hipocrisia da situaçom do Vaticano e o Papa: Se as condiçons da diplomacia  impedem um tratamento  judicial, entom essas mesmas condiçons obrigam a um tratamento diplomático. Se tam altos mandatários dumha outra naçom estivessem manchados por escândalos de tal calibre no território doutros estados, os respectivos governos nom tardariam em pedirem explicaçons e depuraçons de responsabilidades. Mas isso nom acontece no caso do Vaticano.

Para redondear o paradoxo estes dias Tarcisio Bertone um membro da oligarquia auto-electiva do Estado Vaticano, isto é um membro da cúria catedralícia, afirmou que as violaçons cometidas por todo o mundo polos seus subordinados som causados pola sua condiçom de homossexuais -obviando todo processo lógico e racional, e esquecendo da quantidade enorme de abusos de sacerdotes com nenas-. Isto é, o secretário de estado dumha naçom “diplomáticamente reconhecida” liga homossexualidade e pederastia, acusando implícitamente os homossexuais de “inflitrarem” as filas da sua organizaçom-estado-empresa… e nengum estado reage diplomáticamente.

Vêem o duplo jogo?

Postscriptum: França já reagiu… a baixo nível.